A pandemia ocasionada pelo novo Coronavírus, que levou ao isolamento e, consequentemente, à crise econômica, impactou praticamente todos os setores do mercado, inclusive a área de Construção Civil. Como essa fase ainda não passou e vivemos um momento de tantas incertezas, é importante que você saiba o que esperar do setor em que atua e como se preparar para enfrentar as dificuldades. Neste artigo, descubra quais as expectativas para esse mercado em 2021.
Impacto do setor da construção civil na economia brasileira
A construção civil tem um papel importante na economia e desenvolvimento do Brasil. Ainda mais se levarmos em consideração que o país é carente de infraestrutura e moradia. Segundo informações do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, o setor corresponde a 34% de toda a indústria nacional e 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Além disso, o segmento imobiliário ajudou a segurar o PIB brasileiro, que enfrentou a pior queda da história em 2020 (11,4%). Isso porque a área de vendas praticamente passou ilesa na primeira fase da pandemia, com uma queda de 2,2%, o que foi considerado estável pelos especialistas.
Construção Civil em 2020
A construção civil foi considerada uma atividade essencial pelo presidente. Por essa razão, as atividades puderam ser mantidas mesmo com o isolamento social. Esse cenário foi responsável pelo bom desempenho do setor, que foi melhor do que a maioria dos mercados.
Desempenho de setor foi acima da média nacional
O desempenho da construção civil foi acima da média, principalmente devido aos incentivos econômicos e governamentais para o setor, como a criação do programa Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa, Minha Vida.
Também houve incentivos para a diminuição das taxas de juros, o que favoreceu o financiamentos imobiliário. E com isso, houve ascensão na venda ou aluguel de imóveis para uso próprio ou investimento. Isso ocorre porque os juros estão nos menores patamares da história, o que facilita a aquisição de imóveis.
Outro destaque muito positivo para o ano passado foi a geração de empregos. A maioria dos segmentos ficou em estágio estagnado ou até mesmo com desempregos e que ainda permaneceram com um saldo negativo de vagas. Porém, a área de construção civil foi pelo lado contrário e já gera oportunidade de trabalho. O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 6,4% de janeiro a outubro de 2020.
Quais são as previsões para o setor?
A expectativa é que o crescimento do setor seja em “V”. Ou seja, após a queda que enfrentou, a superação será rápida e seguida por um forte crescimento. Além do mais, a Sondagem da Indústria da Construção sinaliza que haverá aumento de vagas e os empresários do setor estimam o aumento do nível de atividades e de novos empreendimentos.
Segundo a Sondagem da Indústria da Construção, da CNI, o setor da construção civil iniciou o ano gerando, em média, 44 mil vagas novas por mês. Porém, em março, só resultaram apenas 25 mil vagas. Portanto, mesmo com cenário incerto, as projeções para este ano são positivas. Confira:
#1 PIB otimista
Segundo projeção da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a economia brasileira terá um crescimento de 3,5% e o setor de construção civil crescerá 4%, maior avanço nos últimos oito anos. Isso indica que o setor terá um desempenho melhor do que o restante do mercado.
#2 Investimentos para melhorar a Indústria
Com a retomada do setor de construção civil, a previsão é que haja um aumento de investimentos no setor. No ano passado, o Brasil investiu 16,2% em relação ao seu PIB, mesmo sendo abaixo em comparação com outras nações, o número representou cerca de 50% de todos os investimentos feitos pelo país nos últimos anos (2010-2019). O governo federal já prevê que R$ 28,6 bilhões de reais serão destinados a investimentos em 2021, 56% a mais que no ano passado.
Quais são os desafios para o setor?
Conforme pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio da CBIC, o principal desafio de 2020 foi a falta ou o custo elevado de matéria-prima. Para este ano, é esperado que esses mesmos desafios se mantenham.
#1 Desabastecimento
Como a expectativa é que o setor de construção civil tenha um crescimento superior ao do mercado nacional, gera risco de desabastecimento de matéria-prima.
#2 Aumento de preços de materiais
A elevação dos custos dos materiais de construção foi um desafio já no ano anterior, com 4,34% de alta. O concreto e o aço foram os insumos que apresentaram um maior aumento de preço. O problema, provavelmente, irá persistir caso não sejam tomadas providências pelo governo federal. O setor já solicitou medidas para conter o aumento excessivo dos preços dos insumos.
Quais são as tendências para o setor?
A inovação favorece a eficiência e a sustentabilidade, além de trazer benefícios para a empresa, colaboradores, consumidores finais e a mobilidade urbana das cidades, como:
- maior segurança do trabalhador;
- criação de fluxo de trabalho automatizado;
- geração de relatórios em tempo real;
- aumento da vida útil da construção;
- otimização dos recursos naturais; e,
- processos de construção mais assertivos.
As construtoras, como a FG Empreendimentos e Embraed Empreendimentos, por exemplo, fazem com que seus imóveis sejam ainda mais atrativos para os consumidores, e estão sendo mais sustentáveis para atender à demanda do mercado. Ainda assim, o setor é relutante em absorver inovações. Mas, para aumentar a produtividade e qualidade a nível de outros setores, adotar as novas tecnologias é essencial.
Algumas tendências fortes para o ano são:
#1 Bio-concreto
Ele possui em sua composição uma bactéria chamada bacillus pseudofirmus, que reagem em contato com a água e o ar. Com isso, forma uma solução que se autorregenera, capaz de selar fissuras.
#2 Tijolos ecológicos
O foco é desenvolver ações que atendam às necessidades atuais, sem comprometer as gerações futuras. Para isso, é possível investir em materiais de construção modernos e diferenciados. Um exemplo são os tijolos ecológicos, como os fabricados com bitucas de cigarro, que são leves, duráveis e reduzem o impacto negativo no meio ambiente.
Matéria escrita para o Tribuna do Recôncavo por Paula Moraes/ Redatora Freelancer.
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