ARTIGO: COMO DENUNCIAR O CRIME DE AMEAÇA?

Imagem ilustrativa | Foto: Pixabay

Por Dr. Couto de Novaes

“Se fulano me denunciar, tua vida será curta!”. Eis um típico exemplo de ocorrência do crime de ameaça. O Código Penal, em seu artigo 147, estabelece que há crime de ameaça quando um sujeito, por meio de palavras, gestos ou outros meios simbólicos, desejando intimidar, promete que fará mal injusto e grave a outra pessoa. A punição para tal delito é de 1 a 6 meses de detenção.

O objetivo do autor da ameaça é incutir medo no outro. Por meio da intimidação, o criminoso busca atingir a paz de espírito, a tranquilidade, o sentimento de segurança da pessoa, lhe prometendo trazer mal injusto e grave, que poderá recair seja contra a própria vítima, seja contra seus entes queridos ou até mesmo sobre o seu patrimônio.

Desse modo, o mal injusto prometido pode ser físico (ameaça matar, estuprar, lesionar) moral (divulgar algum segredo íntimo), ou patrimonial (destruir um automóvel). Alerta-se, todavia, que, para que se tenha esse delito como praticado, não é necessário que o criminoso cumpra a ameaça, pois basta a demonstração de que tal agressor agiu intencionalmente visando atemorizar a vítima. (mais…)

Conselheiros tutelares passam a ter direito a reeleição ilimitada

Foto: Divulgação

*Por Odemar Lúcio

Foi sancionada pelo presidente da república na quinta-feira (09/05) a Lei Nº 13.824 que altera o art. 132 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), para dispor sobre a recondução dos conselheiros tutelares. O projeto de lei já tinha sido aprovado pelo Senado no mês de abril e agora torna-se Lei.

Na prática a Lei modifica o art. 132 do Estatuto da Criança e do adolescente, que antes estabelecia que os conselheiros tutelares de todo o Brasil só poderiam ser reconduzido uma vez, ou seja, só lhes eram permitidos dois mandatos seguidos, agora a nova redação diz que o número de reeleição é ilimitada, assim como os membros do legislativo brasileiro.

A lei desperta opiniões variadas. Há quem esteja de acordo e argumente que esta mudança atende aos princípios da democracia, e a quem defenda que a reeleição ilimitada acaba por comprometer a própria democracia visto que a alternância dos membros que componha determinado colegiado acaba por ter a eficiência comprometida.

As eleições para o Conselho Tutelar acontecerá de maneira unificada no primeiro domingo do mês de outubro deste ano e na maioria dos municípios o processo seletivo já se encontra aberto. O Conselho Tutelar é órgão permanente, ou seja, uma vez criado não pode ser extinto, é autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.

Sobre o autor desse texto: Natural da cidade de Mutuípe e residente em Elísio Medrado (BA) desde 1992, Odemar Lúcio é Graduando em Serviço Social pela Facemp (Faculdade de Ciências e Empreendedorismo), profissional de saúde, poeta, escritor e colunista do Tribuna do Recôncavo.

ARTIGO: Transtornos mentais podem levar à mudança da dinâmica do Instagram

Foto: Pixabay

Em um mundo de likes, stories, ostentação, exposição e imediatividade, a pergunta que fica é como estas características modernas podem influenciar nas relações e na saúde mental dos indivíduos. Um recente anúncio feito pelo criador do Facebook, Mark Zuckerberg durante a conferência F8, pode ser um alerta de que até os detentores das principais redes sociais estão preocupados com esses impactos.

O Instagram anunciou que fará testes para esconder o número de curtidas que uma foto recebe e até mesmo o número de seguidores em perfis poderá ficar privado. A rede justificou as mudanças como uma forma de conter a ansiedade e problemas psicológicos causados pela rede social, especialmente em adolescentes.

Atualmente, as ferramentas digitais são uma importante fonte de conhecimento e, em particular, as redes sociais funcionam como um espaço de relacionamento para as mais diversas gerações. No entanto, o uso demasiado dessas ferramentas por crianças e adolescentes, sem o devido controle dos pais e responsáveis, pode expô-los a informações e influências indesejadas, e inclusive à ansiedade e à depressão. (mais…)

Artigo: Corrupção e primitivismo social

Na foto Waldir Santos: Crédito: Divulgação

Por Waldir Santos

3 de maio é o dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Nesse dia o prefeito de Morro do Chapéu, Leonardo Rebouças Dourado Lima, habituado a agredir pessoas em público, pelo que já vimos em diversos vídeos, soube que havia na delegacia da SUA cidade um repórter registrando um boletim de ocorrência por ter sido agredido pelo Presidente da Câmara Municipal, o Vereador Antonio Rocha, depois de questioná-lo sobre possíveis atos de improbidade. O prefeito achou que a pancada não tinha sido suficiente, e, ali mesmo na delegacia, diante de diversos policiais, durante o registro, bateu no repórter Gabriel Bandarra. Afinal, onde já se viu!!?? Tratar do tema corrupção no SEU município!!??

O prefeito teve uma ideia genial. Rumando a mão na cara do repórter, provavelmente conseguiria fazer com que ele não publicasse as denúncias que o levaram àquele Município. Só que não. A sua postura permitiu que fosse revelado a muito mais gente o seu histórico nada recomendável, que inclui a troca da fechadura da sala da vice-prefeita para que ela não tivesse acesso à própria sala, e a decisão da Justiça determinando que ele exonere a própria mãe, a prima, o marido da prima e duas irmãs do marido da prima, pessoas que ele nomeou para três secretarias, uma diretoria e uma coordenação na administração municipal.

A lei que temos, e que facilita a vida de corruptos, permitindo que eles recebam mais dinheiro público enquanto desviam o que já receberam, também facilita a vida de pessoas agressivas. E o prefeito não foi preso, já que assinou o tal termo circunstanciado.

O que levaria alguém, acusado de diversos atos de corrupção, a perder o controle de tal forma e em público? O desespero, a certeza da impunidade, ou uma mistura dos dois fatores?

Admiro o trabalho criativo e original de Gabriel Bandarra e do seu excelente personagem Tenóbio. Precisamos de mais repórteres e humoristas assim, capazes de constranger ladrões que matam pobres por falta de assistência à saúde, que roubam o futuro de crianças do sertão e das periferias ao desviarem o dinheiro da merenda. Agindo sempre de forma responsável, com base em documentos originários de órgãos oficiais, Tenóbio conseguiu desta vez tirar do sério dois acusados, que revelaram seu primitivismo social usando tapas e socos para responder aos questionamentos, que são os mesmos dos cidadãos de bem de Morro do Chapéu e do Brasil.

Pela agressão sabemos que nada acontecerá, já que a lei promove a impunidade. O episódio, no entanto, certamente deverá servir para que andem mais agilmente, por exemplo, as ações de improbidade existentes contra o agressor, e para que novos casos de má conduta administrativa dele se tornem conhecidos.

O Brasil precisa acordar para banir da política o que resta de pessoas assim.

Sobre o autor:

Waldir Santos (@waldirsantosoficial) é Advogado da União, voluntário do Conselho de Cidadãos (www.conselhodecidadaos.com.br) e colunista do Tribuna do Recôncavo.

ARTIGO: “GATO” DE ENERGIA ELÉTRICA É CRIME

Imagem Ilustrativa | Tribuna do Recôncavo

Cada vez mais frequentes são as ocorrências dos chamados “gatos” de energia elétrica. Trata-se de típica situação em que o sujeito, por meio de fiação clandestina, portanto, sem sequer utilizar de contador/medidor, desvia a corrente elétrica, diretamente dos postes da rede, para dentro de sua residência, ou de seus estabelecimentos comerciais, a ex. de bares, motéis, restaurantes, supermercados e até fazendas! Importa esclarecer, porém, que o sujeito que pratica tal conduta incorre em crime de furto de energia (art. 155, §3º, do Código Penal), podendo restar condenado à pena de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão, e multa.

No último dia 25 de abril, na cidade de Nova Viçosa, Bahia, um fazendeiro (produtor de coco e café) foi preso em flagrante delito, acusado de praticar furto de energia.  Há relatos de que a energia supostamente desviada, da rede para dentro da fazenda, seria capaz de abastecer três mil e quinhentas casas por mês. No Estado da Bahia, os registros estatísticos quanto ao furto de energia elétrica são alarmantes: basta notar que no dia 10 de abril, a COELBA publicou que nos 03 primeiros meses de 2019 realizou o desligamento de 17 mil “gatos” de energia elétrica (somente em Salvador foram 4,7 mil instalações clandestinas desligadas).

Para se ter uma ideia, a carga elétrica que era liberada por meio dos “gatos”, desativados no período referido acima, é tida como suficiente para abastecer, ao longo de um mês, uma cidade de 165 mil habitantes. No que tange ao cenário nacional, dados apontam que de maio de 2017 a abril de 2018, registrou-se em todo o Brasil a perda de 31.533 (trinta e um mil e quinhentos e trinta e três) GWh de energia, em decorrência da prática de furtos e fraudes, sendo o prejuízo resultante estimado em 4,5 Bilhões de Reais. (mais…)

ARTIGO: A história viva morre aos poucos

Foto: Pixabay

*Por José Carlos Pereira

No ano passado tivemos a quase destruição do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Até setembro de 2018, era um dos maiores museus de história natural e de antropologia das Américas. E, na semana passada, assistimos à destruição de boa parte da catedral de Notre-Dame, um dos símbolos de Paris, capital francesa, e o monumento histórico mais visitado da Europa. Lembremos também da quantidade de museus, bibliotecas dos países em guerra que são destruídos por bombas ou saques. A história viva morre aos poucos.

Temos muitas leis, decretos e resoluções que garantem a segurança e proteção. Exemplo é a Resolução 2347, adotada pelo Conselho de Segurança da ONU, que protege o patrimônio cultural. No Brasil, desde 1937, existe o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cidadania que responde pela preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. O Iphan tem como objetivo proteger e promover os bens culturais do País para as gerações presentes e futuras. Será que não estamos apenas “contando” a história e esquecendo de criar nos estudantes o desejo de conhecer para amar os tempos que nos antecederam?

Não somos frutos apenas do hoje, temos uma bagagem cultural, política, econômica e religiosa que nos acompanha durante séculos. O futuro depende do presente e do passado; se destruímos nossos monumentos, cometemos um “pecado social” contra às gerações futuras. (mais…)

ARTIGO: O QUE É ESTUPRO VIRTUAL?

Foto: Bruno Fortuna/ Fotos Públicas

Tanto no mundo real quanto no “mundo virtual”, a dignidade sexual da pessoa humana deve ser respeitada. Também por isso, a partir do surgimento da Lei nº 12.015/2009, ampliou-se bastante o universo de situações que podem ser consideradas estupro, e, pouco a pouco, o meio jurídico vem reconhecendo a possibilidade de ocorrência do chamado ‘estupro virtual’.

De um modo geral, no crime de estupro, o agressor objetivando satisfazer seus desejos sexuais, por meio de violência ou grave ameaça, subjuga a vítima, tolhendo-lhe a sua possibilidade de escolha, ferindo a sua liberdade sexual. Todavia, no que tange ao estupro virtual, a novidade é que se passou a considerar possível a prática do crime de estupro mesmo à distância, ou seja, pela internet, e sem nenhum contato físico entre o agressor e a vítima.

Assim, a dinâmica do crime de estupro virtual tem sido considerada da seguinte maneira: por meio da internet (e-mail, chats, skype, whatsApp, redes sociais), um sujeito (do sexo masculino ou feminino), constrange outra pessoa, mediante grave ameaça (chantagem), a praticar ou permitir que com ela se pratique ato libidinoso (a vítima vê-se forçada a praticar masturbação em frente a webcam, a fotografar-se nua, entre outros atos ditados pela lascívia do agressor). (mais…)

ARTIGO: A Idolatria Politica x Dignidade humana

Foto: Nelson Jr./ ASICS/ TSE

*Por Francisco Araújo

É sempre muito difícil escrever sobre política, futebol, música ou religião. Ambos os temas, são para mim, assuntos sempre polêmicos. Desde que eu era adolescente, lembro-me de ver, toda a cidade envolvida, com euforia e fanatismo, na questão política. Sempre achei legal e me empolgava por aquele partido que diziam que era para eu “torcer”.

 

Porém, comecei a ver a coisa de forma mais profunda, escutando os discursos dos candidatos, entendendo a questão partidária, analisando as propostas, participando de algumas atividades e, com isso, podendo enxergar o outro lado. O lado que os eleitores, tão apaixonados, não veem. O total desapego e desprezo dos políticos para com os eleitores. (mais…)

MOTORISTA ALCOOLIZADO QUE PROVOCA MORTE NO TRÂNSITO. QUAL A PUNIÇÃO ADEQUADA?

Foto: Pixabay

O comportamento do brasileiro no trânsito encontra-se longe do recomendável. O número de motoristas que dirigem alcoolizados, inclusive em pequenas cidades, provocando a morte alheia e destruindo famílias, tem aumentado ano após ano. Infelizmente, a lei, bastante atabalhoada em relação a esses crimes, produz uma fraca resposta punitiva por parte do Estado, favorecendo, em muitos casos, a impunidade.

No Brasil, ultimamente, há mais mortes no trânsito do que em guerras pelo mundo. Ostentamos o desonroso 5º lugar entre os países recordistas de morte no trânsito, registrando, num intervalo de 5 anos, mais de 200 mil mortes. Levantamento do Observatório de Segurança Viária aponta que são 3.500 mortes por mês, ou seja, 5 mortes por hora, ou ainda, 1 morte a cada 12 minutos no nosso trânsito.

Mas, como punir esses condutores embriagados que matam? Durante bastante tempo não houve consenso por parte da comunidade jurídica a esse respeito. Às vezes, entendia-se que o motorista nessa situação agia sem a intenção de matar, devendo responder por homicídio culposo (com pena leve); outras vezes, entendia-se que o indivíduo que bebe e dirige, levando outro à morte, teria assumido o risco de matar, e deveria ser responsabilizando pela prática de homicídio doloso (com pena mais dura).

Esse “vai-e-vem” da interpretação das normas sempre foi um “prato cheio” para decisões judiciais que, muitas vezes, não faziam justiça aos casos concretos. Contudo, o surgimento da Lei nº 13.546/2017, vigente desde abril de 2018, pode ajudar e muito na escolha do tratamento jurídico que se deve dar aos casos de embriaguez ao volante com resultado morte.

Desse modo, diante de nossas leis atuais, teremos dois tipos de situações quanto aos casos de morte no trânsito decorrentes de motoristas alcoolizados ao volante: (mais…)

Artigo: Família e escola: uma parceria fundamental

Crédito: Pixabay

Muito se fala sobre a importância de duas instituições pilares da sociedade, a família e a escola. Porém, precisamos cada vez mais pensar em como essas esferas podem se articular de maneira efetiva em prol do desenvolvimento das crianças.

Há por vezes uma transferência da educação, que seria papel da família, à escola. E muitas vezes a escola reclama da falta de participação das famílias na vida escolar dos alunos e se vê sobrecarregada, pois além de conteúdos das mais diversas disciplinas, se vê obrigada a ensinar às crianças valores básicos como respeito, honestidade, responsabilidade, entre outros.

A questão é que não podemos ficar em um jogo de culpados e de transferência de atribuições, mas se faz necessário buscarmos parceria e integração. A escola como lugar sistematizado de construção de conhecimento deve buscar cada vez mais planejar ações e estratégias para envolver as famílias no processo educativo. Não basta somente chamar os pais para reclamar dos alunos, ou para entregar boletins, mas talvez seja interessante convidá-los para feiras, exposições, cafés filosóficos ou poéticos e também investir na formação das famílias, pois muitas se encontram confusas e perdidas frente aos desafios que a sociedade moderna as impõe. É importante a escola promover palestras e formações sobre a questão dos limites na formação da cidadania, uso indevido de drogas, bullying, uso responsável de redes sociais, depressão, enfim tantos temas que pela troca de experiência entre escola e família podem ser melhor esclarecidos, prevenidos e trabalhados com nossas crianças e adolescentes. (mais…)

Artigo: Uma tradição centenária, “Filarmônicas na Bahia!”

Funceb no 2 de Julho | Foto: Bruno Ricci/ SECOM

Filarmônicas na Bahia fazem parte de uma tradição centenária, sendo que a Erato Nazarena, em Nazaré das Farinhas, era até pouco tempo, a mais antiga em funcionamento em nosso estado. Até hoje em nosso país, tais agremiações são em boa parte dos municípios, as responsáveis pelo único acesso ao ensino de música. Daí, a importância e a necessidade de um olhar mais atencioso por parte de não apenas dos governantes, como também, da própria sociedade como um todo.

Na Bahia, com o advento da axé-music, em meados da década de 80, até os dias atuais, observa-se um crescente número de músicos egressos da banda de música para a integração com esses grupos. Um pouco antes, esse mercado de trabalho ficava praticamente restrito às bandas militares. No entanto, um olhar mais atento à realidade atual dessas sociedades, revela as dificuldades inerentes às mesmas.

Apesar dessa forte tradição, as filarmônicas sofrem como uma série de fatores socioeconômicos e culturais que tornam a sua existência, como geradora de cultura, um difícil desafio. Tais fatores vão da quase inexistência da educação artística nas escolas, até ao que se concerne à filarmônica inserida na sociedade, ao seu entendimento pelas gerações mais recentes. (mais…)

Por Odemar Lúcio: Sexo frágil não, MULHER é sinônimo de resistência

Foto: Divulgação

Antes de tudo, peço licença às mulheres para falar sobre esta tématica a qual somente a elas cabem o lugar de fala.

Dizem que mulher é sexo frágil, pra começo de conversa, no momento da corrida para fecundar o ovulo tem muito espermatozóide fêmea deixando no chinelo espermatozóide macho (rsrs), inclusive no Brasil mulheres são maioria da população, então não me venha com essa de sexo frágil!

Quem já mensurou a dor do parto? Deixemos de romantizar a maternidade! Imagine colocar pra fora um bebê cujo tamanho é 10, 15, 20 vezes maior do que o canal de passagem, isso quando não é por meio de um corte que rasga ao meio o abdome da mãe para fazer vir ao mundo um ser humaninho. E o pai cadê? Ta lá na sala de espera confortavelmente ou então desmaiado dando trabalho a equipe de enfermagem.

“Quem casa quer casa” já dizia o ditado provavelmente criado por um macho escroto do tipo que acha que mulher tem que ser “bela, recatada e do lar”. Pois bem – recado ao vampiro e seu bando –, querer casa no sentido de moradia é uma coisa, mas querer casa no sentido de domesticação da mulher é outra bem diferente! O modelo de família que temos, logicamente patriarcal, é o cenário perfeito para o ego machista: uma mulher bela para satisfazer seus desejos sexuais; recatada que tenha “postura de mulher” e o obedeça; do lar para procriar, alimentá-lo, e fazer os cuidados da casa em geral enquanto ele assiste ao futebol.

Há quem seja esta mulher descrita anteriormente sem ver nisso problema algum, e isso não é culpa sua, pois a construção social lhe determinou isso – vivemos sobre moldes heteronormativos né cara-pálida! –, de modo que mesmo quando a mulher escolhe e tem a oportunidade de não ser “do lar” ela acaba sendo de lá, e isso outra vez nos vem como um ato de resistência nada frágil. A mulher trabalhadora tem rotina dupla e muitas vezes tripla: “ela acorda cedo; prepara a primeira refeição do dia para a família; organiza a ida dos filhos pra escola; se arruma para o trabalho; dá um expediente de oito horas seguidas – mal para para almoçar – corre para a faculdade; mais três ou quatro horas de obrigações; volta pra casa; arruma a bagunça do dia e vai dormir só depois de preparar o próximo dia”, diz um artigo que li a alguns dias atrás.

Não obstante, toda essa rotina ainda é deslegitimada por parte da sociedade – em sua maioria homens é claro! – e caso a mulher não se enquadre no estereótipo de sexo frágil, bela, recatada, do lar ou não se sujeitar a objetificação patrimonialista ainda é uma afronta muito grande para ideologia fálica, diariamente ainda que subnoticiado e subnotificado é assustador os dados do genocídio misógino a nível de Brasil e mundo. Pra se ter uma idéia foi preciso a legislação brasileira instituir um regra especifica sobre homicídio contra mulheres, é a Lei nº 13.104/2015 conhecida como Lei do Feminicídio, que é o ato de crime de morte cometido contra uma mulher em virtude de sua condição de sexo feminino, isto é, quando o crime envolve: violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Tal norma jurídica assim como a Lei Maria da Penha e outras são de fundamental importância no enfrentamento deste problema social, entretanto é sabido que há um contexto histórico de reprodução machista a ser quebrado, desconstruir a cultura do patriarcado quanto sistema social é urgente, mas só será possível por meio de ações pontuais e continuadas. Empoderamento feminino, políticas publicas voltadas para as mulheres, igualdade de gênero e desconstrução da visão heteronormativa são algumas das bandeiras a serem hasteadas diariamente.

Mulher, sinônimo de resistência!

Sobre o autor: Natural da cidade de Mutuípe e residente em Elísio Medrado (BA) desde 1992, Odemar Lúcio é Graduando em Serviço Social pela Facemp (Faculdade de Ciências e Empreendedorismo), profissional de saúde, poeta, escritor e colunista do Tribuna do Recôncavo.

CARNAVAL: BEIJO ROUBADO NO CARNAVAL É CRIME?

Foto: Pixabay

Sabe-se que no período carnavalesco há considerável aumento das ocorrências de assédio físico, pois as situações de aglomeração e multidão favorecem a ação de aproveitadores que, visando a satisfação da sua lascívia, cometem “passadelas de mão” nas partes íntimas das vítimas, esfregam suas partes pudendas no corpo da mulher, ou mesmo, na avenida, praticam o famoso “beijo roubado”. Todas essas condutas, perpetradas de maneira rápida, de surpresa, dissimulada, e sem o consentimento ou permissão da pessoa agredida, atualmente são consideradas ações criminosas.

E este será o primeiro carnaval do recém surgido crime de Importunação Sexual (artigo 215-A, do Código Penal). Desde setembro de 2018, aquele que “praticar, contra alguém e sem a sua anuência, ato libidinoso, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”, poderá receber pena de 1 a 5 anos de reclusão. A criminalização dessa conduta visa proteger a liberdade sexual do ser humano, sendo importante ressaltar que qualquer pessoa pode ser vítima desse crime, homem ou mulher, independentemente da orientação ou opção de sexualidade, embora os agressores em sua maioria sejam homens. Contudo, o leitor deve atentar para alguns aspectos.

PRIMEIRO: um simples esbarrão ou um toque inconsciente da mão do homem no corpo da mulher, por óbvio, não significará que houve ali a prática do crime de importunação sexual (em tal caso, não existe crime algum), pois só existirá tal delito se o ato for praticado com vontade dirigida à satisfação da luxúria, da libidinagem do agressor.

SEGUNDO: por outro lado, se o contato físico (a passadela de mão, o esfregão, o beijo) for praticado mediante o uso da força (violência) ou da grave ameaça, no caso não mais se falará em crime de importunação sexual (artigo 215-A), mas, sim, em crime de estupro (artigo 213, do Código Penal). Por exemplo: o beijo “roubado” (o ato praticado sem recurso de violência ou grave ameaça) é considerado crime de importunação sexual (com pena de 1 a 5 anos); já o beijo à força (ato praticado mediante violência/grave ameaça) configura crime de estupro (com pena de 6 a 10 anos). TERCEIRO DETALHE: se o ato for praticado contra menores de 14 anos de idade, o crime será considerado como estupro de vulnerável (artigo 217-A, do Código Penal, com pena de 8 a 15 anos). (mais…)

Artigo de Odemar Lúcio sobre as ELEIÇÕES 2020: A ideia do “novo” começa a se fortalecer

Foto: Divulgação

Como é da ciência de muitos, o nosso sistema normativo estabelece que tenhamos eleições para eleger aqueles a quem iremos confiar nos representar nos cargos eletivos – já que temos aqui uma democracia representativa. Não faz muito tempo, que os brasileiros foram às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados, entretanto, como é costumeiro, principalmente nos municípios de menor porte, vira-se a chave rápido, acabou uma eleição já se passa a repercutir a próxima.

Nos quatros cantos o assunto que já começa a predominar são as eleições de 2020. As rodinhas de conversa já palpitam nomes, as resenhas nos bares já têm suas suposições, na feira livre já se ouve preferências. O fato é que, as eleições de 2020 já se faz presente em nosso dia a dia e começa a se desenhar. A mídia de modo geral já passou a publicar matérias a respeito da suposta intenção de voto dos eleitores de diversas cidades para as eleições do próximo ano. Em vários casos tem-se observado o surgimento de novos nomes, pessoas que nunca antes estiveram na política estão passando a cogitar a possibilidade, eleitores têm sugestionado renovação política, situações que tem ventilado novos candidatos em contraponto aos velhos e repetidos nomes já testados.

Assim como o eleitor escolheu o atual presidente por ver nele a ideia do novo, da mudança, este fenômeno não tem se mostrado um fato isolado e ao que parece irá reger as eleições 2020. De fato a alternância no poder, a possível mudança no quadro de prefeitos e vereadores, a entrada de novos nomes, novas ideias se mostra um movimento plausível e necessário, isso porque, a política e os políticos precisam constantemente se renovar para que não se eternize um único jeito de fazer, um mesmo grupo, uma só ideologia.

A vida em todas suas faces faz uso da renovação, renova o sol, o dia, a semana, o mês, o ano, abre e fecha ciclos… não se pode evitar a chegada da renovação, da inovação que a vida naturalmente faz acontecer, o que é certo é que, o novo sempre vem, seja na vida ou na política. Aguardemos os próximos capítulos.

Sobre o autor: Natural da cidade de Mutuípe e residente em Elísio Medrado desde 1992, Odemar Lúcio é Graduando em Serviço Social pela Facemp (Faculdade de Ciências e Empreendedorismo), profissional de saúde, poeta e escritor.

Tribuna do Recôncavo

ARTIGO: Sobre a famigerada reforma do governador Rui Costa

Foto: Mateus Pereira/ GOV-BA

Por Odemar Lúcio

Contrariando a incoerente fala da direita dando conta de que todos os eleitores de espectro de esquerda possuem “políticos de estimação” aqui estou escrevendo sobre as últimas ações administrativas do governador petista.

Primeiramente, as atitudes do governador reeleito a meu ver são de fato reprováveis. Eu particularmente não acredito nessa ideia de “Bahia quebrada”, isso é e tem sido o argumento usado pelo projeto neoliberal para fazer seus ajustes para favorecer o capital: foi assim com Temer, dizendo que a previdência estava quebrada e que precisa cortar na carne do proletariado; é assim no plano de governo e nas atuações enquanto deputado federal do agora presidente eleito Jair Bolsonaro; e agora Rui Costa se vale do mesmo arpão para golpear o trabalhador.

Não é a primeira vez que eu falo em neoliberalismo e também não é a primeira que cito o neoliberalismo de esquerda – por muitos ignorado. O projeto neoliberal – aquele que prever um Estado maximo para o capital e mínimo para o social – tornou-se algo acima da política, que por sua vez, tem sido um dos meios para a execução e sucesso de tal projeto.

De fato, defendo eu que a função maior do Estado tem que ser sempre em favor dos menos favorecidos. Dessa forma, se já é questionável ações em desfavor do povo quando vindo de um governo de direita é ainda mais abusivo e inaceitável que uma gestão de esquerda enverede por este caminho que vai de encontro ao povo, vai na contramão do projeto societário que as minorias desejam para o Brasil e que os baianos confiaram ao governador Rui Costa. A reeleição de Rui de modo tão veemente quis dizer que em sua expressiva maioria, os baianos queriam-no fazendo trincheira pelo povo e não seguindo a cartilha neoliberal de cabeceira da perversa direita política brasileira. Definitivamente, o governador baiano está golpeando covardemente o povo e traindo seus eleitores.

A cada dia mais os políticos que ai estão se comportam de maneira idêntica, embora em lados diferentes atendem ao um só projeto: o dá elite contra o povo.

Sobre o autor:

Natural da cidade de Mutuípe e residente em Elísio Medrado desde 1992, Odemar Lúcio é Graduando em Serviço Social pela Facemp – Faculdade de Ciências e Empreendedorismo; poeta e escritor.

COMO VOCÊ LIDA COM QUEM É MANDÃO?

Editada | Foto: Gerben van Es/Mediacentrum Defensie

Em qualquer ambiente, encontramos pessoas intransigentes. Sempre prontas a delegar tarefas e fazer sua opinião prevalecer. Contudo, e no mundo corporativo, como isso pode impactar quem está ao redor? Para entender a conduta dos jovens diante de tal comportamento, o Nube – Núcleo Brasileiro de Estágios realizou uma pesquisa com a seguinte questão: “Como você lida com quem é mandão?”. O resultado apontou a necessidade de ponderar as ações! (mais…)

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