Por José Antonio Puppio – escritor
É inegável que as duas maiores preocupações do planeta estão centradas na insegurança alimentar e no consumo de água. Além de alimentos, todos necessitam de água potável para sobreviver.
O Brasil é um país privilegiado, sendo um dos quatro maiores produtores de alimentos no mundo, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Índia. Apesar desse importante índice, o Brasil fica atrás em relação às tecnologias aplicadas, em especial as que fazem a água se tornar limpa.
Hoje em dia, para a correta purificação da água, é comum a utilização da casca de coco, que após reaproveitamento energético, se transforma em carvão ativado, o que proporcionará esse excelente benefício. Bastante utilizado, aproveita-se cerca de 90% deste produto para filtrar a água e o ar.
O Brasil exporta as cascas de coco para os Estados Unidos, que detém todo o suporte e tecnologia para a transformação do carvão ativado antes de vender para o resto do mundo, incluindo o Brasil, que precisa atualizar suas tecnologias, industrializar o produto nacionalmente e gerar valor para exportação, além de purificar as águas e rios locais.
Nesse sentido, a cana-de-açúcar surge como uma alternativa fundamental na substituição das cascas de coco para o Brasil. Importante fonte de energia, o reaproveitamento do bagaço da cana, onde normalmente descarta-se 80%, passaria a ser utilizado para a fabricação do carvão ativo.
Maior produtor mundial de cana-de-açúcar, o Brasil se beneficiaria pelo menor valor de matéria-prima e a não dependência da comercialização ser feita nos Estados Unidos, já que a produção passaria a ser no próprio território brasileiro.
Após o aproveitamento da cana para a produção de açúcar e álcool, a queima do bagaço da cana-de-açúcar, que também gera energia elétrica dentro dos processos de uma usina termelétrica, passa a ser uma matéria-prima de uso ainda mais eficiente e sustentável.
A transformação do bagaço da cana em carvão ativado, no intuito de gerar um novo método e recurso renovável de purificação e recuperação das águas, ajudará na preservação do meio ambiente e na criação de novos polos produtivos espalhados pelo país que sofrem com águas impróprias para uso e consumo, como a região nordeste, uma das mais afetadas pelo problema, que passariam a se tornar mais produtivos.
Com todos os problemas, o Brasil é a quinta maior reserva de água potável do mundo. A produção local do carvão ativo ajudará o país a garantir água e comida para sua população e o mundo, aumentando também significativamente a produção agrícola nacional.
Sobre o autor
José Antonio Puppio (J.A.Puppio) é empresário, diretor-presidente da Air Safety e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”.

Foto: Divulgação | Editada pelo Tribuna do Recôncavo

























































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