Por Frederico Vila – médico cirurgião
A Lactose é um tipo de açúcar presente no leite e em seus derivados. Para que possa ser absorvida e digerida, ela sofre a ação da enzima lactase, se dividindo em galactose e glicose.
Essa ação acontece no intestino, ou deveria acontecer. Isso porque, há situações em que o processo de produção dessa enzima não ocorre em quantidade suficiente. É aí que surge o problema, pois o carboidrato não é absorvido de forma correta e pode provocar o mal-estar. Nessa hora entra em cena a tão conhecida intolerância à lactose.
O Médico cirurgião e professor da Unime, Frederico Vila, comenta que, embora muitas pessoas não tenham conhecimento, a intolerância e alergia à lactose são problemas distintos. O especialista explica que a alergia é uma reação anormal do sistema imunológico à proteína do leite.
“Quando falamos de proteína nesse caso, estamos nos referindo a um nutriente específico essencial para o organismo e, quando o organismo se torna sensível a ela, por uma reação “exagerada” do sistema imunológico, as células de defesa se manifestam provocando reações como inchaço nos lábios, coceira, manchas vermelhas na pele, tosse e falta de ar. No caso da intolerância à lactose não há esses sintomas”, alerta.
“A pessoa que desenvolveu intolerância à lactose pode levar a vida absolutamente normal desde que siga a dieta adequada e evite o consumo de leite e derivados além da quantidade tolerada pelo organismo”, destaca o profissional.
A intolerância pode ser classificada de três forma: congênita, quando a criança já nasce com a deficiência; primária, quando ocorre de forma gradativa com o passar da idade; ou secundária, quando decorre devido à presença de outra doença intestinal.
Como diagnosticá-la
De forma geral, a intolerância pode ser diagnosticada por meio de um exame de sangue ou de um teste respiratório. Na primeira opção, é feita a ingestão de uma quantidade pré-determinada de lactose e, em seguida são colhidas amostras de sangue para realizar a medida de glicose encontrada antes e depois da introdução da lactose.
“Na segunda, o teste de hidrogênio expirado, o paciente também ingere a lactose, e caso o paciente não consiga absorvê-la de maneira adequada no intestino, ocorre aumento da produção de hidrogênio, que é eliminado pelos pulmões e quantificado através de um aparelho que o paciente assopra”, detalha.
Tratamento
Não há cura para a intolerância à lactose (exceto a de origem secundária), mas há maneiras de reduzir substancialmente os sintomas que causam desconforto e a mudança na dieta é a principal delas, eliminando o leite e produtos derivados ou consumindo produtos sem lactose. Recorrer à lactase sintética, comercializada em forma de pílulas ou comprimidos é uma segunda opção.
“Ela é ingerida antes das refeições que contenham leite e derivados para reduzir o desconforto e deve ser recomendada pelo médico”, completa.
De forma gradativa pode ser avaliada pelo profissional da saúde a possibilidade de reintroduzir tais alimentos no cardápio, em quantidades variáveis, principalmente utilizando os recursos da enzima lactase sintética e consumo de leite e derivados isentos de lactose, não só para manter a dosagem de cálcio, como a de nutrientes que, junto à vitamina D, contribuem para a formação de massa óssea de forma saudável.
ASCOM UNIME E KROTONMED

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