Eleições 2022
As Fases de um Projeto Político Eleitoral
Parte 3
Serie: Quero ser candidato e agora?
A Construção de um Projeto Político Eleitoral.
Por Luciano Ferreira Lima
Apresentação:
Esse é o terceiro texto da apresentação semanal de um conjunto de artigos sobre a construção de um Projeto Político Eleitoral. Que tem por objetivo contribuir para a democratização do acesso ao poder político e eleitoral. Resultado do compromisso com a qualidade do processo, dos candidatos e da representação política.
Utilizando uma linguagem simples e de fácil compreensão, apresento aqui, as variadas fases de um Projeto Político e Eleitoral que, bem aplicadas, dentro de um processo estruturado e organizado, proporcionará aos interessados a compreensão da importância da construção de um projeto político de pequeno, médio e longo prazo. Passando longe das aventuras eleitorais.
Esperamos que você, que iniciou essa leitura e se interessa pelo tema, acompanhe aqui, as publicações semanais dos artigos e, se possível, visite minhas redes sociais e compartilhe com os amigos. Vamos nessa?
BOA LEITURA!
Eleições 2022
As Fases de um Projeto Político Eleitoral
Quais os principais ingredientes para uma campanha eleitoral vitoriosa? Sem dúvidas a melhor resposta seria um conjunto de ações, mas que entre elas as principais, são: uma boa estratégia, um candidato disciplinado e um bom plano de pesquisa. Todavia, isoladamente, nenhum desses elementos são suficientes para o alcance de um mandato eletivo. Para Inseri-los num planejamento e organizá-los no tempo e no espaço necessários, é necessária a consolidação de um Projeto Eleitoral.
Dividido em momentos específicos, um projeto deve considerar fatores como: cenário, recursos, oportunidades, tempo etc. Residindo neste último o nosso enfoque. Pois tudo deverá acontecer num tempo determinado e criticamente controlado.
Do ponto de vista eleitoral, um projeto pode ser fracionado em três momentos distintos, obedecendo objetivos específicos e determinados, conforme a proximidade da disputa política. Confira!
- Foco deverá ser no candidato
Em sua primeira fase, o foco deverá ser no candidato, potencializando as suas virtudes (Quais são minhas maiores qualidades, dons e talentos? Quais são os valores éticos e os preceitos que orientam minha vida? Quais são os meus maiores diferenciais, aquilo que se destaca em mim?) e neutralizando minhas deficiências (Quais são as atitudes que prejudicam meu crescimento? Como meus pensamentos e crenças sabotam meu sucesso? Quais ações me impendem de ser mais próspero e realizado politicamente?).
Como já dito noutro artigo é preciso, inicialmente, estabelecer um perfil para o candidato com base nas respostas encontradas em entrevistas e análises realizadas no início dos trabalhos de elaboração do projeto. Estabelecendo assim, uma narrativa que conecte a sua imagem com a demanda a ser focada. Tanto pela sua história, quanto pelas posições políticas e ou sociais acerca de temas importantes para o espaço eleitoral.
O projeto deve prever, nessa fase, um plano de pesquisa. Sendo a primeira uma pesquisa eleitoral qualitativa, para identificar os temas pautados pela sociedade local, bem como avaliar a atuação dos principais gestores que apoiam a sua candidatura. Define-se nesse momento, também, o investimento na campanha.
2 – Estudo do cenário onde o projeto será aplicado
A segunda fase do projeto impõe um estudo do cenário onde o projeto será aplicado. Conhecer seu público-alvo, seus adversários e seus colaboradores é a ordem do dia nessa etapa do planejamento estratégico.
Inicialmente é importante estabelecer o seu eleitorado prioritário, lembre-se: é você quem escolhe o seu eleitor, seu centro de existência (grupos sociais, identitários ou geográficos), suas demandas, suas frustrações políticas e eleitorais, para então definir a narrativa adequada à cada um deles.
Ainda nessa fase, devem ser analisados os seus principais adversários eleitorais, em suas ideias, propostas, realizações, narrativas, performance eleitoral (para aqueles de já disputaram outras eleições). Além de analisar seus pontos a melhorar, pontuando principalmente os mais críticos, decorrentes do descumprimento daquilo outrora prometido. Essa avaliação deve pontuada com base em critérios geográficos ou grupais, o mais minudente possível, elaborando-se o perfil de cada um de seus principais concorrentes.
A definição de seu time de colaboradores requer grande habilidade do candidato. Inicialmente sugiro começar pelos voluntários, chamando-os a participar do projeto como membros do primeiro escalão da equipe, dando-lhes atribuições específicas, conforme suas habilidades. O que elevará a expectativa de garantia num eventual êxito eleitoral e reduzirá o volume de investimento financeiro inicial.
A escolha de lideranças políticas e sociais, não é tarefa fácil. Todavia, a negociação deve começar pelas demandas que os liderados reivindicam em cada um de seus polos de poder. Discutir inicialmente questões que envolvam o interesse de um maior número de pessoas, valoriza a narrativa e a imagem do candidato, mitigando, ainda, as demandas de natureza financeira individuais, quase sempre trazidas, pelas lideranças, como requisito ao apoio político eleitoral.
Demandas materiais, individuais e/ou coletivas, sempre existiram, mas não podem ser priorizadas em detrimento do interesse coletivo. Devendo o candidato quantificar e qualificar o investimento e o retorno possíveis, respectivamente.
Ainda que sejam atendidas as demandas financeiras, é importante para o candidato pautar essa relação com base, principalmente, nas realizações possíveis de serem atendidas, para se estabelecer uma relação de confiança e de entrega com a população daquela região ou grupo social; passível de aproveitamento nessa ou noutra eleição.
A relação com políticos de diferentes níveis: Vereadores, Prefeitos, Senadores, Governador, Presidente da República e Deputados (esses últimos não concorrentes), merece especial atenção para o atendimento das demandas apresentadas pelos eleitores no curso do processo eleitoral.
Mapear eleitoralmente as regiões é uma tarefa que nunca pode ser desprezada pelo candidato. Sob pena de desperdiçar recursos onde há poucos votos, ou ainda, investir em redutos eleitorais já consolidados por outros candidatos.
Essa etapa deve contemplar a organização interna da campanha. Priorizando o treinamento e a imersão de todos, dando especial atenção os colaboradores que estarão na rua, no dia a dia da campanha.
Ao final dessa fase, o candidato deve ter estabelecida a sua equipe profissional de campanha para os serviços: Jurídico, de Publicidade, de Jornalismo, de Fotografia, de Filmagem, Gráfico etc.
Compete ainda nessa fase, a preparação do lançamento da campanha do candidato, que deverá ser feita nos municípios de sua maior influência e/ou onde tenha maior apoio político.
3- Compreender o período eleitoral
A terceira fase do projeto deve compreender o período eleitoral em si (quarenta e cinco dias que antecedem as eleições). Onde o candidato tem como principais missões: angariar recursos financeiros e conquistar votos. Lembre-se, que o eleitor somente decide o seu voto nas últimas semanas desse período.
No início dessa fase, poderá ser realizada uma pesquisa eleitoral quantitativa, para identificar e mapear sua performance eleitoral. Analisando o comportamento do eleitorado e o resultado dos trabalhos em cada grupo social ou região geográfica. Essa pesquisa deve mostrar onde há necessidade de maior presença física ou política do candidato, maior investimento, maior imersão da equipe e, quem são seus principais adversários na disputa. Sugiro que a pesquisa obedeça a um detalhamento mais cirúrgico possível. Facilitando uma revisão do mapeamento eleitoral.
Esse período do projeto deve prever, também, implementar forte presença nas redes sociais e nas mídias convencionais; a intensificação das agendas política, social e de trabalho do candidato.
Busca-se também uma onda de declarações públicas, de pessoas formadoras de opinião, declarando apoio ao candidato.
Para as vésperas da eleição o projeto deve prever uma movimentação coletiva nos principais redutos do candidato, como demonstração pública de força eleitoral e de apoio social ao seu projeto eleitoral.
Certamente, muitas outras ações podem ser incluídas em num projeto político eleitoral. Contudo, não sendo minha pretensão esgotar o tema, acredito ter colaborado para um maior compreensão e reflexão sobre assunto, objeto desse Terceiro Artigo.
Agora que você já aprendeu um pouco mais sobre perfil, narrativa e reputação do candidato e as fases de um projeto eleitoral, conversaremos na próxima semana sobre “Os eleitores e seus tipos de votos”, onde discorrerei sobre a identificação e vocação do eleitor. Te aguardo!
O que começou neste artigo pode continuar nas redes sociais, inscreva-se em meu canal no Youtube, siga-nos no Instagram e no Facebook.
Obrigado!
*Luciano Ferreira Lima
Consultor e Gestor de Projetos Políticos, Mestrando em Ciência
Política, Advogado, Professor Universitário e Articulista.
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