Médico psiquiatra e professor universitário, Táki Cordás avaliou os riscos para a saúde mental provocados pela pandemia de coronavírus. Segundo ele, diante do isolamento e do medo de infecção pela Covid-19, boa parte da população vai apresentar sintomas psicológicos graves.
“Os efeitos psicológicos e psiquiátricos de epidemias anteriores, como Ebola e Sars, no mundo mostraram que os efeitos sobre a saúde mental das pessoas é devastador. Pelo menos 2/3 das pessoas terão algum transtorno psiquiátrico ou transtornos dignos de nota. Insônia, irritabilidade, sintomas de depressão ou depressão, ansiedade, pânico e outros terão esses sintomas mais agravados ainda, precisando de ajuda”, disse. “Existem relatos de pessoas que desenvolvem quadros traumáticos emocionais nesses períodos continuam tendo transtornos psiquiátricos até três anos depois de encerrada a pandemia”, acrescentou.
O especialista classificou como fundamental o papel do governo para tentar amenizar o impacto da pandemia na população. Segundo Cordás, as autoridades precisam apresentar ideias claras e direcionamentos contundentes. “Um governo esquizofrênico que bate cabeça, que diz uma coisa e depois diz outra, que se divide e se engalfinha, piora muito a saúde mental das pessoas. Essas pessoas estão brincando com a saúde mental do país, com a saúde econômica, com mortes e com tudo. Isso para quem não tem um transtorno psiquiátrico”, avaliou. O médico acrescentou informações da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que aponta que 50% dos psiquiatras estão atendendo mais do que antes da pandemia; 70% das pessoas que tinham transtorno psiquiátrico recaíram e 90% das pessoas que estão em tratamento pioraram de suas doenças em função disso. “Num país absolutamente desigual como o nosso, imagina-se que depois disso, 20% das crianças não vão voltar a estudar porque vão ter que trabalhar precocemente ou não vão poder acompanhar o curso. Já temos uma pandemia de saúde mental daqui para frente”, alertou.
Táki Cordás criticou a tentativa de classificar o debate sobre a economia como mais importante que a prevenção das mortes. “Não concordo com quem diz que saúde mental é problema social. Não é possível pensar saúde mental sem pensar na economia, na sociologia, em política e saneamento básico. Não é possível pensar saúde mental sem desvincular de tudo isso. Enquanto nós tivermos terra planistas no governo e gente de postura anticientífica, indivíduo que dá ordens por cima do ministro da Saúde e diz que manicure é questão de saúde pública, estaremos diante de psicopatas, pessoas com personalidade transtornada do ponto de vista psiquiátrico”, declarou o profissional de saúde.
“Existe um estudo da OMS avaliando as repercussões psíquicas e psiquiátricas sociais em três fases. A fase posterior à pandemia é uma fase de saques, de revoltas sociais e estamos na antessala da desgraça ainda. Vamos ter certamente uma convulsão social depois disso”, acrescentou.
Redação: Metro1 | Reportagem: Rádio Metrópoles









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