Das 6.204 pessoas que testaram positivo para coronavírus na Bahia, 643 são profissionais de saúde, sendo que a categoria mais atingida é a de técnicos e auxiliares de enfermagem. Segundo dados oficiais da Secretaria de Saúde do estado (Sesab), 166 deles foram diagnosticados com a Covid-19 até a noite desta terça-feira (12). Em segundo lugar, aparecem os enfermeiros e as enfermeiras, onde 141 se infectaram com a doença até o momento.
Para o vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia, Handerson Silva, três hipóteses podem explicar isso. A primeira é justamente o processo de trabalho da área, que possui uma “divisão social e técnica” e indica por que os técnicos e auxiliares estão no topo da lista.
Além disso, ele acredita que o cerne do trabalho já deixa as enfermeiras mais expostas à carga viral, se comparadas a outros profissionais de saúde. “Os demais — médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos — vão, assistem o paciente e saem da cena. Quem fica nas 24 horas do trabalho são os membros da equipe de enfermagem. Então, o processo do trabalho favorece o risco”, avalia o vice-presidente.
A segunda hipótese levantada por Silva está relacionada a uma questão estrutural: a insuficiência ou ausência de equipamentos de proteção individual, os chamados EPIs. Ele lembra que isso foi um problema, principalmente no início da pandemia no estado — a Bahia registrou o primeiro caso de coronavírus no dia 6 de março, em Feira de Santana.
Já a terceira possibilidade levantada pelo representante do Coren-BA é a ausência de treinamento adequado para os profissionais. “Se você somar essas três coisas, você tem uma bomba-relógio”, conclui o enfermeiro, que é também professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
A fim de colaborar para a redução nos índices de crescimento do número de profissionais atingidos pelo vírus, Silva afirma que o conselho tem lutado, junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), para garantir que os EPIs estejam disponíveis e que as trabalhadoras e trabalhadores sejam devidamente treinados, inclusive para retirar os equipamentos. Ele destaca que diversas pesquisas já apontaram a desparamentação como o momento de maior risco para contaminação dos profissionais de saúde.
DEMAIS INFECTADOS
Além do enfermeiros, os médicos também estão entre os mais afetados pelo coronavírus. A Sesab aponta que 117 deles já testaram positivo para a doença e um deles faleceu em Ilhéus (veja aqui). Há também o registro de 27 assistentes sociais e 26 fisioterapeutas infectados.
Em menor grau, aparecem ainda nutricionistas (9), farmacêuticos (9), agentes comunitários de saúde (7), dentistas (5), fonoaudiólogos (4), psicólogos (3), bioquímicos (2), agentes de combate a endemias (2), técnico de raio-X (1) e auxiliar de radiologia (1). Profissionais de outras ocupações totalizam 120 casos e outros três estão na categoria “ignorado”, na qual não há informação sobre o trabalho específico da pessoa contaminada.
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