Por Lorena Lima Amato – endocrinologista
Embora seja um dos tipos de câncer com melhor prognóstico quando detectado cedo, a conscientização sobre os sintomas e a importância do diagnóstico precoce podem traduzir a eficácia do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.
No Brasil, assim como globalmente, o câncer de tireoide é significativamente mais comum em mulheres. O tipo mais comum é o papilífero, presente em cerca de 8 de 10 pessoas com câncer de tireoide (80%). Geralmente cresce muito lentamente e muitas vezes se espalha para os gânglios linfáticos no pescoço. Atinge as mulheres duas vezes quando comparado aos homens, e a faixa etária mais prevalente é entre os 30 e 50 anos. ‘Se detectado ainda pequeno (menos de 1 cm) e estiver restrito à glândula tireoide, a taxa de cura é alta, perto de 100% em pacientes’, explica a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato.
A glândula tireoide está localizada na parte da frente do pescoço, logo abaixo da laringe (cordas vocais). Ela produz hormônios que regulam o metabolismo, que é o processo de como o seu corpo usa e armazena sua energia. O câncer de tireoide ocorre quando tumores, também conhecidos como nódulos, crescem na tireoide.
Dra. Lorena comenta que, muitas vezes, os nódulos são descobertos incidentalmente em exames de rotina ou até mesmo por autopalpação. ‘Por isso a importância dos exames de rotina, especialmente se houver histórico familiar ou outros fatores de risco’, alerta Dra. Lorena Amato.
A causa do câncer de tireoide não é conhecida, mas alguns fatores de risco são apontados, entre eles:
- tratamentos com radiação para a cabeça, pescoço ou tórax, especialmente na infância ou adolescência
- história familiar de câncer de tireoide
- um grande nódulo ou em rápido crescimento
- idade superior a 40 anos
Os sintomas do câncer de tireoide podem ser sutis ou inexistentes nas fases iniciais. Quando presentes, incluem:
- Nódulo ou caroço no pescoço que pode ser sentido;
- Rouquidão ou outras alterações na voz que não melhoram;
- Dificuldade para engolir;
- Dificuldade para respirar;
- Inchaço dos gânglios linfáticos no pescoço.
O diagnóstico é geralmente feito através de ultrassonografia da tireoide, seguida por uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para analisar as células do nódulo suspeito. O tratamento mais comum é a cirurgia para remover a tireoide (tireoidectomia total ou parcial), podendo ser complementado com terapia com iodo radioativo em casos selecionados.
Dra. Lorena enfatiza que o acompanhamento endocrinológico é muito importante, tanto para o diagnóstico quanto para o manejo pós-tratamento. ‘O endocrinologista desempenha um papel central em todas as fases, desde a investigação de nódulos até o acompanhamento da função da tireoide após a cirurgia, garantindo a reposição hormonal adequada e a monitorização de possíveis recorrências,’ conclui.
Dra. Lorena Lima Amato - A especialista é endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora pela USP.
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