O luto por perda de animal de estimação pode gerar um impacto emocional profundo e afetar diretamente a saúde mental dos tutores. Além disso, especialistas afirmam que esse tipo de sofrimento pode ser comparado ao luto por familiares, embora ainda receba pouca validação social.
O tema ganhou destaque com a história de Fernando Lopes, que perdeu sua cadela Lola, da raça Jack Russell Terrier, após 13 anos de convivência. Nesse contexto, o animal fazia parte da rotina diária da família e ocupava um papel afetivo importante.
Segundo o tutor, a ausência da cadela mudou completamente a rotina da casa.
“O silêncio em casa pesa. Ela estava presente em todos os momentos da nossa vida”, relata Fernando.
? Luto ainda enfrenta pouca validação social
De acordo com a psicóloga Denise Carpegiani, muitas pessoas ainda não reconhecem a intensidade do luto por perda de animal de estimação. Além disso, esse tipo de sofrimento se enquadra no chamado “luto desautorizado”, quando a dor não recebe reconhecimento social.
“Quando alguém escuta que era ‘apenas um animal’, isso invalida a dor e dificulta o processo de luto”, explica a especialista.
Dessa forma, o tutor pode sentir que não tem permissão para sofrer, o que torna o processo emocional ainda mais difícil.
? Vínculo entre humanos e animais é profundo
A psicóloga destaca que o vínculo entre humanos e animais de estimação é baseado em aceitação, rotina e presença constante. Por isso, a perda gera um impacto emocional significativo.
Além disso, os animais oferecem uma forma de conexão sem julgamentos, o que fortalece o apego afetivo ao longo dos anos.
“Quando o animal morre, o tutor não perde apenas uma companhia, mas também uma fonte importante de acolhimento emocional”, afirma Denise.
⚠️ Reações comuns após a perda
Nos primeiros dias após a perda de um animal de estimação, é comum que o tutor reviva memórias e enfrente dificuldade para reorganizar a rotina. Além disso, sentimentos como saudade intensa e culpa podem surgir com frequência.
Muitos tutores também se questionam se poderiam ter feito algo diferente. No entanto, a psicóloga explica que essa culpa faz parte do processo de tentativa de compreensão da perda.
“Na maioria dos casos, a morte faz parte de um ciclo natural da vida”, destaca.
? Crianças e o primeiro contato com a perda
O luto por animal de estimação também pode representar o primeiro contato de crianças com a finitude. Por isso, especialistas recomendam explicações claras e acolhedoras.
Além disso, é importante evitar metáforas como “foi dormir” ou “fugiu”, pois elas podem gerar confusão emocional.
Participar de pequenos rituais de despedida ajuda a criança a compreender melhor a perda e a expressar seus sentimentos.
? Luto não é doença
Apesar da intensidade emocional, o luto por perda de animal de estimação não é considerado uma doença. No entanto, ele exige atenção quando passa a afetar de forma prolongada a rotina da pessoa.
Nesses casos, sinais como isolamento social, alterações no sono e perda de interesse por atividades diárias podem indicar a necessidade de apoio profissional.
? Processo também envolve ressignificação
Com o passar do tempo, a dor tende a se transformar em saudade e memórias afetivas. Dessa forma, muitos tutores conseguem ressignificar a experiência.
“Ela fez parte da nossa história e deixou lembranças que vão ficar para sempre”, diz Fernando.
Por fim, especialistas reforçam que reconhecer a legitimidade desse tipo de luto é essencial para a saúde emocional.
“Validar essa dor significa reconhecer a importância dos vínculos que construímos ao longo da vida”, conclui a psicóloga.
Com informações da psicóloga Denise Carpegiani – Adaptado pela Tribuna do Recôncavo.



























Imagem de Charles Echer por Pixabay
















































































