O medo de sofrer discriminação ainda impede muitas pessoas LGBTQIAPN+ de procurar atendimento médico no Brasil. Como consequência, pacientes adiam consultas, deixam de fazer exames e interrompem tratamentos. Além disso, muitos evitam compartilhar informações importantes durante o atendimento. Esse comportamento compromete a prevenção, dificulta diagnósticos e prejudica o cuidado integral.
Segundo especialistas do CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, essa realidade resulta de um histórico de exclusão social e invisibilidade. Por isso, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para acessar os serviços de saúde com segurança e respeito.
De acordo com o psicólogo Jonas Moreira, a vulnerabilidade social influencia diretamente o comportamento preventivo. “O medo de sofrer estigmatização ou desrespeito nos serviços de saúde faz com que muitos evitem ou adiem o cuidado”, afirma. Dessa forma, as desigualdades na saúde pública acabam se aprofundando.
Omissão de informações prejudica o diagnóstico
Na tentativa de evitar julgamentos, muitos pacientes deixam de informar aspectos importantes da própria vida. Entre eles estão orientação sexual, identidade de gênero, práticas sexuais e composição familiar. Assim, os profissionais passam a ter menos informações para definir a melhor conduta clínica.
Além disso, especialistas alertam para o chamado “estresse de minoria”. Esse conceito descreve os impactos físicos e emocionais provocados pela exposição constante ao preconceito. Como resultado, podem surgir ansiedade, depressão, insônia e hipervigilância. Consequentemente, aumenta a desconfiança em relação aos serviços de saúde e o isolamento social.
Barreiras começam antes da consulta
As dificuldades enfrentadas pela população LGBTQIAPN+ começam ainda na recepção das unidades de saúde. Segundo a assistente social Luana Silva, uma das principais reclamações continua sendo o desrespeito ao nome social.
Muitas pessoas trans e travestis deixam de solicitar esse direito por receio de não terem sua identidade respeitada durante o atendimento. No entanto, desde 2009, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante o uso do nome social em todos os serviços.
Atendimento humanizado fortalece a confiança
Apesar dos desafios, especialistas observam avanços importantes. Isso ocorre graças às políticas públicas de inclusão e à formação de profissionais mais preparados. Ainda assim, defendem que o acolhimento seguro precisa fazer parte da rotina das unidades de saúde.
Além de protocolos claros, é necessário investir em capacitação permanente e garantir o sigilo das informações. Dessa maneira, aumenta a confiança dos pacientes e melhora o acesso aos serviços de saúde.
Por fim, os especialistas reforçam que um atendimento baseado na universalidade, integralidade e equidade reduz desigualdades, amplia o acesso aos cuidados e ajuda a salvar vidas.
Com informações do CEJAM – Adaptado pelo Tribuna do Recôncavo.














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