Para muitas pessoas, sobreviver a um infarto do miocárdio pode representar um ponto de virada na vida. Este sinal de alerta para a necessidade de cuidados cardíacos contínuos e adoção de novos hábitos foi dado ao engenheiro civil Otávio Henrique Cordeiro Galvão (69), exemplo notável de como o avanço da medicina e a conscientização podem transformar vidas. Essa jornada de superação inclui a implantação de stent após infarto e, mais recentemente, a realização de novo procedimento para tratar isquemia no músculo cardíaco (miocárdio).
O primeiro susto foi em 2013, quando Otávio Henrique sentiu um mal-estar na região do tórax. Preocupado, logo buscou atendimento especializado. A partir da confirmação do diagnóstico de infarto, a implantação de um stent restaurou o fluxo sanguíneo adequado ao coração do engenheiro, permitindo que ele recuperasse sua saúde. De acordo com Sérgio Câmara, “o stent é um arcabouço metálico embebido em remédio usado para restaurar o fluxo sanguíneo em uma artéria e garantir o seu resultado no longo prazo”, resumiu o especialista.
O infarto do miocárdio, comumente conhecido como ataque cardíaco, é uma condição médica grave que ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do miocárdio é interrompido ou gravemente reduzido. Isso ocorre, geralmente, devido ao bloqueio de uma ou mais artérias coronárias que fornecem sangue rico em oxigênio ao coração. “O bloqueio é causado pela formação de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias, processo conhecido como aterosclerose”, explicou Sérgio Câmara.
Os sintomas mais comuns são: dor ou desconforto no peito (angina), que pode se espalhar para os braços, ombros, pescoço, mandíbula, costas ou estômago. Falta de ar, sudorese intensa, náuseas, vômitos e sensação de ansiedade extrema também podem ocorrer.
Menos de 10 anos depois, especificamente em 2022, durante exames de rotina, uma cintilografia revelou que Otávio Henrique estava com uma isquemia no miocárdio, condição em que o fornecimento de sangue e oxigênio ao músculo cardíaco é insuficiente. Sem perder tempo, ele foi submetido a um cateterismo, “exame padrão-ouro para diagnosticar obstruções nas artérias coronárias e, eventualmente, evoluir com a angioplastia, procedimento que restabelece o fluxo da artéria coronária quando há obstruções”, explicou Sérgio Câmara.
Para tratar a isquemia, Otávio Henrique recebeu um novo stent, que foi implantado na mesma artéria da intervenção de 2013. Com essa abordagem, foi possível restabelecer a circulação sanguínea no coração de Otávio. Atualmente, o engenheiro se cuida muito bem para manter sua qualidade de vida. Ele segue à risca o tratamento com as medicações que ajudam a manter o fluxo de sangue no miocárdio e mantém uma rotina diária saudável, evitando excessos de sal, gordura e açúcares. Além disso, pratica musculação na academia, com moderação, três vezes por semana, a fim de fortalecer sua estrutura física.
Vivendo em um sítio, Otávio acredita que a qualidade de vida está intimamente ligada ao ambiente. “Com menos estresse e aborrecimentos, alimentação melhor e abençoado com os avanços da medicina, sigo em frente valorizando a vida”, declarou o engenheiro.
Para o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara, que atua nos Hospitais da Rede D’or e no Hospital da Bahia/DASA, em Salvador, tão importante quanto a prevenção é o acompanhamento médico regular para garantir a saúde do coração e o bem estar a longo prazo. “O paciente Otávio Henrique é uma das muitas provas vivas de que é possível vencer obstáculos cardíacos com determinação, cuidado médico adequado e um estilo de vida saudável”, concluiu o especialista.
Texto: Cinthya Brandão.


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