Por Miguel Liberato, endocrinologista pediátrico.
Com a chegada da Páscoa, período marcado por diversas tradições, também cresce a preocupação com a saúde de crianças e adolescentes diante do aumento no consumo de doces. O endocrinologista pediátrico Miguel Liberato, referência em crescimento e desenvolvimento infantil em São Paulo, faz um alerta importante: o excesso de chocolate pode trazer impactos significativos ao organismo dos pequenos.
‘É uma data muito esperada pelas crianças, mas precisamos lembrar que o chocolate, especialmente o branco, é altamente calórico e rico em açúcar e gordura. O consumo exagerado pode contribuir para o ganho de peso e favorecer o desenvolvimento de doenças metabólicas, como hipertensão e diabetes tipo 2’, explica.
Segundo o especialista, o cenário é preocupante e exige atenção das famílias. ‘A obesidade infantil tem crescido de forma acelerada no mundo todo e é um fator de risco importante para a vida adulta. Muitos adolescentes com obesidade tendem a manter essa condição ao longo dos anos, aumentando as chances de desenvolver doenças crônicas’, destaca.
Durante a Páscoa, o médico reforça que o equilíbrio deve ser prioridade. ‘O tamanho do ovo não representa o carinho. É possível presentear com opções menores ou mais simbólicas, sem exageros’, orienta. Ele sugere ainda uma média de consumo diário moderado: ‘Cerca de 20 gramas de chocolate por dia, de preferência sem recheios, já é suficiente para aproveitar sem prejudicar a saúde’.
Outro ponto importante, segundo o endocrinologista, é alinhar expectativas com a família. ‘É comum que avós e tios presenteiem com vários ovos, mas esse excesso pode ser evitado com diálogo, reduzindo a oferta exagerada dentro de casa’, pontua.
Caso a criança receba muitos chocolates, a recomendação é simples: ‘Os pais podem incentivar o compartilhamento ou até congelar os doces para consumo ao longo dos dias’. Além disso, o momento do consumo também faz diferença. ‘O ideal é oferecer após as refeições ou nos lanches, evitando o consumo durante o uso de telas, já que isso pode levar à ingestão sem percepção da quantidade’, explica.
Na escolha, vale priorizar opções mais saudáveis. ‘Chocolates com maior teor de cacau, como os amargos, têm menos açúcar e gordura e são melhores alternativas’, aconselha o especialista, reforçando que a ideia não é restringir, mas conscientizar. ‘A Páscoa pode e deve ser um momento de alegria e conexão. Com moderação, é possível preservar a saúde das crianças e, ao mesmo tempo, criar memórias afetivas positivas’, finaliza.
Texto: Raphael Nascimento.










































































































