Barulho, aglomeração, iluminação intensa, filas e diferentes estímulos presentes em shoppings e parques podem representar desafios para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para algumas famílias, a falta de espaços de acolhimento e de profissionais preparados para lidar com situações de sobrecarga sensorial pode dificultar os passeios.
A fonoaudióloga e especialista em neurodesenvolvimento Tatiane Chagas explica que o excesso de estímulos pode provocar sobrecarga sensorial em algumas crianças autistas. Por isso, a preparação do ambiente e da equipe que recebe o público pode fazer diferença durante uma visita.
O que pode dificultar a experiência
Em um shopping, por exemplo, uma criança pode ser exposta simultaneamente ao som de pessoas conversando, música ambiente, anúncios, iluminação, movimento de clientes e circulação por diferentes espaços.
Nos parques, além do barulho e da quantidade de pessoas, brinquedos, filas, mudanças de ambiente e estímulos visuais e sonoros também podem tornar a experiência mais difícil para algumas crianças.
Isso não significa que todas as pessoas com TEA tenham as mesmas necessidades. O autismo é um espectro, e cada criança pode apresentar respostas diferentes aos estímulos do ambiente.
Preparação pode ajudar antes do passeio
Uma das estratégias apontadas para tornar o passeio mais previsível é conhecer antecipadamente o local que será visitado. Informações sobre horários, brinquedos, circulação, nível de movimento e possibilidade de encontrar um espaço mais tranquilo podem ajudar a família a planejar a visita.
Também pode ser útil antecipar para a criança como será o passeio, quanto tempo ele poderá durar e quais atividades serão realizadas.
A família pode observar ainda os sinais apresentados pela criança durante a permanência no local e reduzir a exposição aos estímulos caso perceba sinais de desconforto.
O que fazer diante de uma sobrecarga sensorial
Quando a criança apresenta sinais de sobrecarga, reduzir os estímulos do ambiente pode ajudar. Procurar um local mais silencioso, diminuir a quantidade de pessoas ao redor e evitar insistência em contato físico ou visual são algumas medidas que podem ser consideradas, de acordo com as necessidades individuais da criança.
Para isso, a existência de espaços de acolhimento dentro de shoppings e parques pode facilitar a permanência das famílias nesses ambientes.
Projeto de lei prevê profissionais preparados
A discussão sobre a preparação dos espaços de lazer também chegou ao Congresso Nacional. O Projeto de Lei 566/2020 propõe que parques de diversões, shopping centers e clubes tenham pelo menos um funcionário capacitado para atender pessoas com transtorno do espectro autista.
O projeto ainda não equivale a uma obrigação geral em vigor para todos esses estabelecimentos. Trata-se de uma proposta legislativa que busca estabelecer esse tipo de preparação.
Em Belém (PA), uma legislação municipal aprovada em 2024 estabeleceu regras específicas de acessibilidade em estabelecimentos que oferecem entretenimento infantil, incluindo a previsão de brinquedos acessíveis e espaço destinado ao descanso ou relaxamento.
Acessibilidade vai além da estrutura física
A legislação brasileira já estabelece direitos relacionados à inclusão e à acessibilidade das pessoas com deficiência. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) trata da garantia de direitos e da participação social, enquanto a Lei nº 12.764/2012 reconhece a pessoa com transtorno do espectro autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.
Nesse contexto, a discussão sobre shoppings e parques envolve não apenas a adaptação de brinquedos ou a criação de espaços físicos, mas também a preparação de profissionais e a criação de condições para que famílias possam utilizar esses ambientes com maior previsibilidade e segurança.
Para famílias de crianças com TEA, a possibilidade de encontrar um ambiente preparado para diferentes necessidades pode representar uma diferença importante entre conseguir permanecer no passeio ou precisar interrompê-lo diante de uma sobrecarga sensorial.
Com informações da assessoria de imprensa. Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.













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