O número de consumidores com dívidas negativadas simultaneamente em instituições financeiras tradicionais e fintechs chegou a 8,92 milhões em julho de 2026, segundo análise da Serasa Experian. O volume mais que quadruplicou desde dezembro de 2019, quando 1,96 milhão de pessoas estavam nessa situação.
O grupo passou a representar 16,5% dos consumidores inadimplentes em instituições financeiras, ante 6,4% no início da série analisada. O levantamento mostra ainda aumento na quantidade média de dívidas entre pessoas com pendências nos dois tipos de instituição.
De acordo com a Serasa Experian, o crescimento ocorre em um cenário de expansão da bancarização, digitalização dos serviços financeiros e maior presença das fintechs no mercado de crédito.
Consumidores acumulam mais dívidas
Em julho de 2026, os consumidores com dívidas negativadas simultaneamente em instituições tradicionais e fintechs tinham, em média, 4,18 dívidas financeiras por pessoa. Em dezembro de 2019, a média era de 3,26.
Considerando os consumidores com dívidas negativadas somente em instituições financeiras, a média chegou a 2,31 dívidas por pessoa, segundo o corpo do levantamento. Já entre aqueles com pendências exclusivamente em fintechs, a média foi de 1,14.
No conjunto de todos os inadimplentes analisados pela Serasa Experian, a média chegou a 4,15 dívidas negativadas em julho.
O valor médio das dívidas financeiras também foi maior entre os consumidores com pendências nos dois grupos. O levantamento registrou R$ 7.963 por pessoa, contra R$ 5.753 entre aqueles negativados exclusivamente em instituições financeiras tradicionais e R$ 1.026 entre os inadimplentes apenas em fintechs.
Mais consumidores têm dívidas em instituições financeiras
A análise aponta que o número de consumidores inadimplentes junto a instituições financeiras passou de 30,6 milhões em dezembro de 2019 para 54,15 milhões em julho de 2026.
A participação desse grupo na base analisada aumentou de 52,6% para 70,4%.
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, a expansão do acesso ao sistema financeiro não significa automaticamente aumento do endividamento. Segundo ela, a dinâmica da inadimplência está relacionada principalmente às condições macroeconômicas e ao custo do crédito.
O período também foi marcado pela expansão das fintechs, pelo avanço dos serviços financeiros digitais e por mudanças nas condições de concessão de crédito.
Fintechs ultrapassam instituições tradicionais em indicador
A Serasa Experian identificou ainda uma mudança na relação entre registros de inadimplência e atividade de originação de crédito.
Entre instituições financeiras tradicionais, como bancos, cooperativas e financeiras, o indicador teve forte aceleração entre o segundo semestre de 2022 e o final de 2023. A partir de 2024, houve uma trajetória de queda.
Nas fintechs, o movimento ocorreu de forma mais gradual e persistente. Os indicadores dos dois grupos convergiram e, no período mais recente, as fintechs passaram a apresentar relação mais elevada entre registros de inadimplência e consultas de crédito.
A própria análise ressalta que esse indicador não permite concluir, isoladamente, que as fintechs apresentam maior risco estrutural. A medida relaciona registros de inadimplência e consultas de crédito e não corresponde diretamente ao estoque de crédito ou ao volume efetivamente concedido.
Bancos ainda concentram maior valor das dívidas
Apesar do crescimento de outras categorias de instituições, os bancos continuam concentrando a maior parcela do valor das dívidas financeiras inadimplidas.
A participação dos bancos, porém, caiu de 89% em janeiro de 2018 para 66,4% em maio de 2026.
No mesmo período, a participação das cooperativas passou de 3,6% para 14,5%, enquanto a das financeiras aumentou de 5,7% para 15,4%. Já a categoria de outros serviços financeiros, que inclui as instituições classificadas no estudo como fintechs, avançou de 1,6% para 3,8%.
Segundo Camila Abdelmalack, a redução da participação dos bancos não significa necessariamente queda da inadimplência nesse segmento. O movimento reflete o crescimento relativo de outras categorias de instituições financeiras na composição do valor das dívidas inadimplidas.
Recuperação de crédito diminui
Outro indicador apresentado pela Serasa Experian mostra queda na taxa média anual de recuperação de crédito.
Entre as instituições financeiras tradicionais, o índice passou de 70% em 2024 para 66% em 2025. Nas fintechs, a redução foi de 39% para 30% no mesmo período.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, os níveis mais baixos de recuperação indicam maior dificuldade para a regularização das dívidas. O cenário ocorre paralelamente ao crescimento de consumidores com pendências em diferentes instituições financeiras.
A análise considera como fintechs as Instituições de Pagamento, as Sociedades de Crédito Direto (SCDs) e as Sociedades de Empréstimo entre Pessoas (SEPs), conforme definição utilizada pelo Banco Central do Brasil.
Com informações da Serasa Experian. Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.

























Imagem de Igor Magno Cabral Goiaba por Pixabay







Imagem ilustrativa e editada | Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil
























Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil




Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay































Imagem de Amber Clay por Pixabay




