Esquecimentos frequentes, mudanças de comportamento e dificuldade para realizar tarefas do dia a dia podem indicar alterações que precisam ser investigadas. Embora esquecer ocasionalmente onde colocou um objeto ou ter dificuldade para lembrar um nome seja algo que pode acontecer, a atenção deve aumentar quando esses episódios se tornam recorrentes, progressivos e passam a interferir na rotina e na autonomia.
A doença de Alzheimer é a causa mais frequente de demência e pode afetar não apenas a memória, mas também a linguagem, o raciocínio, a orientação e o comportamento.
No Brasil, cerca de 1,8 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência, o equivalente a aproximadamente 8,5% da população com 60 anos ou mais, segundo o Relatório Nacional sobre Demência, do Ministério da Saúde. A projeção é de que esse número chegue a 5,7 milhões até 2050.
Outro desafio é o diagnóstico. Estimativas apontam que cerca de 80% das pessoas com demência no país não têm a condição reconhecida. O tema ganha destaque durante o Setembro Lilás, que neste ano traz a mensagem “Alzheimer: o diagnóstico importa”.
Segundo o neurologista Ricardo Alvim, coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e especialista em demências, identificar as alterações em fases iniciais pode contribuir para um melhor planejamento do cuidado e do tratamento.
Sinais que vão além da perda de memória
A perda de memória recente é um dos sinais mais conhecidos do Alzheimer, mas outros sintomas também podem aparecer. Repetir perguntas, se perder em trajetos conhecidos, ter dificuldade para encontrar palavras ou para administrar dinheiro e organizar atividades são situações que merecem atenção quando passam a ocorrer de forma frequente.
Alterações de personalidade e comportamento também podem fazer parte do quadro. Irritabilidade, apatia, desconfiança e isolamento, quando representam mudanças em relação ao comportamento habitual, devem ser avaliados.
Nem toda alteração de memória, entretanto, significa Alzheimer. Depressão, problemas na tireoide, deficiência de vitamina B12, efeitos de medicamentos e outras condições podem provocar sintomas semelhantes.
A investigação médica pode envolver avaliação clínica e cognitiva, histórico do paciente, exame neurológico e, quando necessário, exames laboratoriais e de imagem.
Diagnóstico precoce ajuda no planejamento
Identificar a doença mais cedo pode permitir que o tratamento seja iniciado no momento adequado e também ajudar o paciente e a família a planejarem os cuidados necessários diante da evolução do quadro.
O Alzheimer ainda não tem cura, mas existem tratamentos destinados ao controle dos sintomas. Dependendo do estágio e das características de cada paciente, o acompanhamento pode incluir medicamentos, estimulação cognitiva, atividade física, reabilitação e controle de fatores de risco relacionados à saúde cerebral.
O controle de doenças crônicas também faz parte dos cuidados com a saúde ao longo da vida. Diabetes e hipertensão, por exemplo, estão entre as condições cujo controle pode contribuir para reduzir o risco de Alzheimer e outras demências.
Nos últimos anos, também surgiram as chamadas terapias antiamiloides, que atuam sobre processos relacionados à progressão da doença. De acordo com Ricardo Alvim, esses medicamentos representam uma mudança importante na abordagem do Alzheimer, mas não são indicados para todos os pacientes.
Família e cuidadores também precisam de apoio
Com a evolução da doença, familiares e cuidadores podem assumir responsabilidades cada vez maiores. Por isso, o acompanhamento não deve considerar apenas o paciente, mas também as pessoas envolvidas diretamente nos cuidados.
Orientação profissional, divisão de responsabilidades e uma rede de apoio podem ajudar a reduzir a sobrecarga dos cuidadores.
Além dos cuidados de saúde, medidas relacionadas à proteção e à qualidade de vida das pessoas com Alzheimer também vêm ganhando espaço. Uma lei sancionada pelo presidente Lula passou a priorizar o cuidado e a qualidade de vida de pacientes com Alzheimer.
O principal alerta é não considerar automaticamente como parte normal do envelhecimento alterações cognitivas que interferem na vida cotidiana. Quando os esquecimentos se tornam frequentes ou surgem mudanças progressivas de comportamento e raciocínio, a avaliação médica pode contribuir para esclarecer a causa, antecipar o diagnóstico e orientar os cuidados.
Com informações de Reinaldo Oliveira. Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.












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