A consulta ginecológica pode ajudar a identificar sinais de violência contra a mulher e abrir espaço para acolhimento, orientação e encaminhamento à rede de proteção. O atendimento individual e reservado pode facilitar o relato de situações de abuso.
Segundo a ginecologista Aline Veras Morais Brilhante, integrante da Comissão Nacional Especializada de Violência Sexual e Interrupção Legal da Gravidez da FEBRASGO, o profissional deve estar atento não apenas aos sinais físicos, mas também a mudanças no comportamento da paciente.
Hematomas, lesões genitais, marcas de traumas antigos e infecções sexualmente transmissíveis recorrentes podem chamar a atenção durante a consulta. Ansiedade, tristeza intensa, dificuldade para falar e a presença de um acompanhante controlador também podem indicar uma situação de violência.
A especialista destaca a importância da escuta ativa, do acolhimento e de uma postura sem julgamentos para que a mulher se sinta segura para falar.
Nos casos de violência sexual, o atendimento médico é uma emergência. Entre os procedimentos estão a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e do HIV, preferencialmente iniciada nas primeiras 72 horas, contracepção de emergência e, com consentimento da vítima, coleta de possíveis vestígios. O atendimento pode incluir ainda acompanhamento psicológico e social.
A violência doméstica também pode provocar impactos emocionais prolongados. O tema foi abordado em uma edição do Tribuna ON, mediada por Hélio Alves, com participação de uma psicóloga.
Na Bahia, a dimensão da violência doméstica também aparece nos dados da Justiça. Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 31.355 novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher, média de quase 148 por dia, conforme levantamento do CNJ. Veja os dados da violência doméstica na Bahia.
O enfrentamento da violência contra a mulher depende de uma rede integrada, com atendimento de saúde, apoio psicológico e social, proteção e políticas públicas.
Com informações da Gengibre Comunicação. Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.















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