A valorização do boi gordo e do bezerro mudou a relação de troca para os pecuaristas e tornou mais favorável, em 2026, o investimento na reforma de pastagens. Segundo análise baseada em boletins do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), o custo nominal da implantação recuou nos últimos anos enquanto o valor dos animais avançou de forma significativa.
O levantamento aponta que o custo da reforma, considerando preparo do solo, corretivos, fertilizantes e sementes, ficou em aproximadamente R$ 4,7 mil por hectare em 2026. Em 2022, o valor era de cerca de R$ 5,4 mil por hectare, uma redução nominal de aproximadamente 13%.
Na comparação com o preço do boi gordo, a diferença é ainda maior. A arroba, que estava em torno de R$ 210 em 2022, chegou a aproximadamente R$ 330 em 2026, alta próxima de 57%.
Na avaliação de Hemython Luis Bandeira do Nascimento, engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Semembrás, essa mudança reduziu a quantidade de produção necessária para financiar a recuperação das áreas de pastagem.
O custo da reforma, convertido em arrobas, teria passado de aproximadamente 20 arrobas por hectare em 2022 para 11,9 arrobas por hectare em 2026. Considerando a diluição do investimento em cinco anos, o peso anual caiu de cerca de 4 arrobas para aproximadamente 2,38 arrobas por hectare.
Fertilizantes concentram maior parte do investimento
De acordo com o levantamento, fertilizantes e corretivos representam mais de 80% do custo da reforma de pastagens. As operações com máquinas correspondem a aproximadamente 11%, enquanto as sementes representam cerca de 3,5% do investimento.
Apesar da menor participação no custo total, as sementes têm papel importante no estabelecimento da pastagem, segundo Nascimento. Ele afirma que a qualidade do material utilizado é um dos fatores que influenciam o resultado da implantação.
Valorização do bezerro também favorece investimento
A recuperação dos preços do bezerro é outro fator considerado na análise. O animal, que estava em aproximadamente R$ 2.500 em 2022, caiu para cerca de R$ 1.900 em 2023 e R$ 2 mil em 2024. Depois, voltou a se valorizar, chegando a aproximadamente R$ 2.600 em 2025 e R$ 3.600 em 2026.
Segundo o especialista, a valorização do bezerro ocorre em um contexto de retenção de fêmeas para produção de animais, o que aumenta a necessidade de disponibilidade de pastagens.
A análise também considera contratos futuros de boi. Um primeiro contrato para janeiro de 2027 teria sido negociado em aproximadamente R$ 380 por arroba. Esse valor é apresentado no material como uma referência de mercado futuro e não como garantia de preço para o próximo ano.
Reforma pode aumentar produtividade
Outro indicador utilizado para avaliar o investimento é o Ganho Médio Diário (GMD) dos animais. Considerando uma pastagem reformada com lotação de dois animais por hectare, a análise estima que seria necessário um ganho entre 422 e 489 gramas por animal por dia para pagar o investimento de implantação.
Quando o custo é distribuído ao longo de cinco anos, essa exigência cairia para aproximadamente 84 a 98 gramas por animal por dia.
A lógica apresentada é que uma pastagem de melhor qualidade pode aumentar a produção de arrobas por hectare e contribuir para a redução do custo de produção.
Planejamento deve anteceder a reforma
Apesar do cenário de preços favorável, a orientação apresentada no estudo é que o produtor não faça a reforma de toda a propriedade de uma vez. O primeiro passo deve ser o diagnóstico das áreas e a identificação dos locais com maior potencial de retorno.
A análise de solo também é apontada como etapa fundamental para determinar a quantidade necessária de corretivos e fertilizantes e evitar gastos desnecessários.
O planejamento antecipado da compra de calcário, fertilizantes e sementes também pode contribuir para a eficiência financeira da operação. A escolha da forrageira deve levar em consideração as características do solo, o sistema de produção e o nível tecnológico da propriedade.
A qualidade da implantação também interfere no resultado. Diagnóstico do solo, escolha da forrageira, quantidade de sementes, correção e adubação precisam ser definidos de acordo com as características de cada área.
Para Nascimento, o momento exige atenção ao orçamento e priorização das áreas que possam apresentar retorno mais rápido com menor investimento.
A análise conclui que a valorização do boi gordo e do bezerro reduziu o peso relativo da reforma de pastagens para o pecuarista em 2026. A decisão, porém, depende das condições de cada propriedade, do custo dos insumos, da qualidade da implantação e da capacidade de transformar a melhoria da pastagem em aumento de produtividade.
Com informações da Semembrás. Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.


















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