Esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto, o nome de alguém ou o que iria fazer ao entrar em um cômodo pode acontecer em qualquer idade. A preocupação aumenta quando os episódios se tornam frequentes, persistentes ou progressivos e começam a interferir nas atividades do dia a dia.
Segundo o neurologista Humberto Barbosa, do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), o principal sinal de alerta não é um esquecimento isolado, mas a mudança no funcionamento habitual da pessoa e o impacto que ela passa a ter na autonomia.
“Esquecimentos ocasionais podem fazer parte do cotidiano, mas quando a perda da memória é frequente, progressiva ou compromete a execução das tarefas diárias, especialmente quando são evidentemente percebidas pelos familiares, é hora de investigar. Sem pânico, mas sem negligência”, orienta.
Esquecimento não significa Alzheimer
Alterações de memória podem ter diferentes causas e não significam, necessariamente, Alzheimer ou demência.
Entre as situações que podem interferir na atenção e na memória estão problemas de sono, deficiências nutricionais, alterações metabólicas, algumas condições de saúde e determinados medicamentos. Por isso, a investigação médica é importante para identificar o que está provocando a alteração.
A demência também não é uma consequência inevitável do envelhecimento. Trata-se de uma síndrome que pode ser provocada por diferentes doenças e condições e que compromete funções cognitivas a ponto de interferir no cotidiano.
De acordo com Humberto, a avaliação especializada permite investigar as diferentes possibilidades.
“As causas de alterações de memória são inúmeras, desde deficiência de absorção de vitaminas até insônias de longa data, por inúmeros motivos. Enfim, a importância da assistência especializada é justamente ter uma visão maior que meramente a queixa de esquecimento”, afirma.
Quais sinais merecem atenção?
Além da repetição de esquecimentos, alguns sinais podem indicar a necessidade de avaliação médica. Entre eles estão:
- repetir frequentemente as mesmas perguntas ou histórias;
- esquecer acontecimentos recentes;
- apresentar dificuldade para realizar tarefas que antes fazia normalmente;
- perder-se em locais conhecidos;
- apresentar mudanças no comportamento ou na capacidade de organização;
- ter dificuldades que começam a comprometer a autonomia.
Para o neurologista, mais importante do que contabilizar quantas vezes a pessoa esqueceu alguma coisa é observar se houve uma mudança persistente em relação ao funcionamento anterior.
“A diferença não está em pequenos esquecimentos, mas em perceber um padrão de repetição, persistente ou progressivo, de perda de memória com impacto na autonomia da vida cotidiana. A avaliação médica especializada busca entender e corrigir, quando possível, as causas e tratar antes que os prejuízos sejam maiores”, explica.
Quando o Alzheimer entra na investigação?
O Alzheimer é a principal causa de demência, mas a presença de perda de memória, isoladamente, não permite concluir que uma pessoa tenha a doença. O diagnóstico depende de avaliação clínica e investigação adequada.
A idade é um dos principais fatores associados ao risco de Alzheimer. Fatores genéticos também podem influenciar, mas a presença de determinadas variantes genéticas não significa, por si só, que a pessoa desenvolverá a doença.
A investigação também considera outras condições que podem estar relacionadas ao comprometimento cognitivo. Por isso, o acompanhamento profissional é importante para diferenciar as possíveis causas.
A família pode ajudar a perceber mudanças
Em muitos casos, familiares e pessoas próximas percebem alterações antes do próprio paciente. Observar mudanças na rotina pode ajudar a identificar quando um esquecimento ocasional passou a representar uma dificuldade persistente.
Algumas perguntas podem ajudar nessa percepção: o esquecimento está se repetindo? Está piorando? A pessoa passou a ter dificuldade para realizar atividades que antes fazia sozinha? Houve perda de autonomia?
“Deve-se suspeitar de demência quando o impacto dos esquecimentos seja suficiente para trazer prejuízo às atividades cotidianas. Daí a importância da assistência especializada. Para ter uma visão maior que meramente a queixa de esquecimento. E quanto mais cedo for reconhecida a causa, menor o prejuízo”, destaca Humberto.
A orientação é evitar tanto ignorar mudanças persistentes quanto concluir, sem avaliação, que elas indicam Alzheimer. Quando a perda de memória se torna frequente, progressiva ou interfere na autonomia, a avaliação médica pode ajudar a identificar a causa e definir a conduta adequada.
Fonte: Assessoria de imprensa | Edição: Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo

















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