Ministério da Saúde investiga caso provável no Piauí; doença é transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex.
O Brasil confirmou quatro novos casos humanos de Febre do Nilo Ocidental em 2026, sendo dois em Santa Catarina e dois em São Paulo. O Ministério da Saúde também registra um caso provável no Piauí. Com as novas ocorrências, o país soma 17 casos humanos confirmados desde 2014, além do caso provável em investigação.
A atualização consta na Nota Técnica nº 79/2026, publicada pelo Ministério da Saúde em 28 de agosto. O documento aponta que os registros recentes reforçam a necessidade de ampliar a vigilância da doença e acompanhar a circulação do vírus em humanos, animais e mosquitos.
A Febre do Nilo Ocidental é causada pelo vírus Orthoflavivirus nilense e é transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex. O ciclo natural envolve principalmente aves silvestres, que podem atuar como fonte de infecção para os mosquitos. Humanos e equídeos são considerados hospedeiros acidentais e terminais.
Casos registrados em 2026
Em Santa Catarina, foram confirmados dois casos. O primeiro ocorreu em uma mulher de 77 anos, residente em Imbituba, que apresentou fraqueza, tontura e dor de cabeça, evoluindo posteriormente com manifestações neurológicas e encefalite. A paciente morreu em 8 de agosto. Segundo o Ministério da Saúde, a associação do óbito com a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental permanece em investigação.
O segundo caso catarinense foi identificado em um homem de 56 anos, residente em Caçador. Ele apresentou desorientação, vertigem, fraqueza e dificuldade para permanecer em pé sem auxílio, mas evoluiu para a cura. Nos dois casos de Santa Catarina, não houve relato de viagens recentes, o que reforçou a hipótese de transmissão local.
Em São Paulo, um dos casos foi registrado em uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto. Ela apresentou dor de cabeça, edema ocular, dor retro-orbitária, fadiga e dor muscular, evoluindo posteriormente com papiledema e hipertensão intracraniana. O local provável da infecção ainda está em investigação.
O segundo caso paulista envolve uma jovem de 18 anos, residente em São José do Rio Preto. O quadro incluiu febre, dor de cabeça, dores musculares e articulares, vômitos, fraqueza, sonolência, tremores, convulsões e alterações neurológicas. O Ministério da Saúde informou que a evolução clínica permanecia em acompanhamento na nota técnica.
No Piauí, um caso provável foi identificado em uma mulher de 35 anos, residente na zona rural de Canavieira. Ela apresentou parestesia e paralisia dos membros inferiores, com melhora parcial e alta hospitalar. O Ministério da Saúde informou que a classificação poderá ser revista após a realização de exame complementar.
Doença pode não apresentar sintomas
Segundo o Ministério da Saúde, a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental pode ocorrer sem sintomas. Quando há manifestação clínica, os quadros podem variar de febre e mal-estar a formas mais graves, com comprometimento do sistema nervoso.
Entre os sintomas descritos pelo Ministério da Saúde estão febre de início abrupto, mal-estar, náusea, vômito, dor nos olhos, dor de cabeça, dor muscular, manchas na pele e aumento de gânglios linfáticos.
Em casos mais graves, podem ocorrer meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. O Ministério da Saúde estima que aproximadamente um em cada 150 infectados desenvolva doença neurológica grave.
Como ocorre a transmissão
O principal vetor da Febre do Nilo Ocidental é o mosquito do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca. O Ministério da Saúde destaca que a ampla distribuição do Culex quinquefasciatus no Brasil exige vigilância também em áreas urbanas.
A transmissão ocorre quando o mosquito se infecta ao picar aves que carregam o vírus e posteriormente pica outros animais ou seres humanos. Pessoas e equídeos não são considerados fontes relevantes para manter o ciclo de transmissão porque a quantidade e o período de circulação do vírus no organismo não são suficientes para infectar mosquitos.
Prevenção
O Ministério da Saúde recomenda o uso de repelentes e roupas compridas para reduzir a exposição às picadas de mosquitos em áreas com ocorrência recente ou histórico de circulação do vírus.
A orientação também inclui evitar a exposição em áreas de mata ou rurais durante os períodos de maior atividade dos mosquitos Culex, principalmente no entardecer, à noite e ao amanhecer. O uso de telas em portas e janelas e de mosquiteiros é indicado em locais com elevada infestação.
A pasta também recomenda o controle de criadouros e o manejo ambiental nas áreas onde houver circulação do vírus.
Vigilância
A Febre do Nilo Ocidental é uma doença de notificação compulsória imediata. De acordo com o Ministério da Saúde, casos suspeitos devem ser comunicados às autoridades de saúde em até 24 horas após a suspeita inicial.
A pasta informou ainda que iniciou, no primeiro trimestre de 2026, a descentralização do diagnóstico laboratorial para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen). O objetivo é ampliar progressivamente a capacidade de detecção da doença e o conhecimento sobre a circulação do vírus no país.
Além da vigilância de casos humanos, o Ministério da Saúde considera relevantes as ocorrências de aves silvestres e equídeos com sinais neurológicos, que também devem ser notificadas às autoridades de saúde.
Fonte: Nota Técnica nº 79/2026 — Ministério da Saúde. Texto adaptado e apurado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo, com base nos dados oficiais do documento.


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