Por Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior.
A aprendizagem de matemática no Brasil enfrenta um cenário preocupante. Dados recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA – 2023) indicam que menos de 5% dos alunos brasileiros concluem o ensino médio com nível adequado de aprendizagem na disciplina, enquanto 73% dos estudantes de 15 anos não atingem sequer o nível mínimo de proficiência.
O desempenho coloca o país entre os piores resultados do mundo. No ranking internacional de matemática do PISA, o Brasil aparece na 65ª posição, ficando entre os 20 países com menor desempenho na disciplina. Na América do Sul, o país fica atrás de Chile (57º lugar), Uruguai (58º) e Peru (63º).
Para especialistas em educação, os números demonstram um problema estrutural que vai além da sala de aula. Segundo Antonio Esteca, especialista em avaliação e regulação da educação superior, avaliador do Inep/MEC e CEO da Faculdade Metropolitana do Estado de São Paulo, o déficit de aprendizagem em matemática afeta diretamente o desenvolvimento do país. ‘Esse dado alarmante não é apenas um problema pedagógico, mas uma crise estratégica nacional que compromete nossa economia, inovação e justiça social’, afirma Esteca.
Impacto na economia e na inovação
O baixo domínio da matéria tem impactos diretos na produtividade e na competitividade econômica. Um estudo do Itaú Social em parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) mostra que atividades que utilizam fortemente a matemática representam 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em países como a França, essa contribuição chega a 18% do PIB.
Segundo estimativas do estudo, se o Brasil conseguisse elevar o desempenho educacional de seus estudantes ao nível de países desenvolvidos, o impacto econômico poderia representar até R$ 1,3 trilhão adicional na economia.
Para Esteca, a deficiência na formação em matemática também compromete a capacidade do país de desenvolver profissionais em áreas estratégicas. ‘Sem profissionais fluentes em raciocínio lógico, perdemos competitividade em setores estratégicos como inteligência artificial, engenharia de ponta e finanças quantitativas’, observa.
Desigualdade educacional
Outro fator que agrava o problema é a desigualdade social. Estudos mostram que estudantes de famílias mais ricas apresentam desempenho significativamente superior aos alunos de baixa renda, ampliando as diferenças de oportunidades ao longo da vida escolar e profissional.
Esse cenário sinaliza a necessidade de políticas educacionais capazes de fortalecer o ensino da disciplina desde os primeiros anos da escola.
Caminhos para enfrentar o problema
Esteca aponta que superar o déficit de aprendizagem em matemática exige ações estruturais e de longo prazo. Entre as principais estratégias estão a valorização e formação de professores, o investimento na educação básica e políticas públicas focadas em metas claras de aprendizagem.
‘A matemática é a base do pensamento crítico, da lógica e da soberania nacional. Se não agirmos agora, continuaremos a exportar talentos potenciais para a subutilização e a importar tecnologia que poderíamos estar criando aqui’, conclui o especialista.

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