Por Maria Alice Sena, infectologista.
Nos últimos dias, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) têm apresentado aumento em diferentes regiões do país, incluindo a Bahia. Dados do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que esse cenário está relacionado à circulação simultânea de vírus respiratórios, alguns deles comuns neste período do ano. Entre os casos positivos, o rinovírus lidera, representando 45,4% das infecções identificadas, seguido pela Influenza A, pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e pelo SARS-CoV-2.
Diante desse cenário, cresce também a dúvida da população: como diferenciar um resfriado comum de uma gripe ou de um quadro mais grave? Segundo especialistas, embora os sintomas possam ser semelhantes no início, há características que ajudam a distinguir cada infecção.
‘O resfriado, geralmente causado pelo rinovírus, costuma ser mais brando, com sintomas como espirros, coriza e irritação na garganta, sendo raro provocar febre ou prostração intensa’, explica a infectologista Maria Alice Sena, da Hapvida. Segundo a médica, esses quadros tendem a desaparecer em poucos dias. Já a gripe, provocada pelo vírus Influenza, apresenta sintomas mais intensos e duradouros. ‘A gripe costuma causar febre, dores no corpo, prostração e dor de cabeça, podendo persistir de 7 a 14 dias e, em alguns casos, evoluir para complicações, como pneumonia’, detalha.
Outro ponto importante é observar a evolução dos sintomas. ‘Não é possível diferenciar clinicamente qual vírus está causando a infecção apenas pelos sinais. Por isso, é fundamental observar a intensidade do quadro e buscar orientação médica em casos de febre alta, prostração, tosse persistente ou dificuldade respiratória’, orienta Maria Alice.
Alguns grupos também exigem atenção redobrada. Pessoas com doenças crônicas ou com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de complicações. ‘Pacientes com diabetes, câncer, HIV, doenças pulmonares ou cardíacas, além de idosos e crianças pequenas estão mais vulneráveis. Nestes casos, infecções respiratórias podem evoluir de forma mais significativa ou descompensar doenças de base’, alerta.
Confira os principais sintomas associados aos vírus em circulação:
- Rinovírus: principal causador do resfriado comum, com sintomas leves, como coriza, espirros e dor de garganta
- Influenza A (gripe): febre alta, dores no corpo, fadiga intensa e tosse seca
- VSR (vírus sincicial respiratório): mais comum em crianças pequenas, podendo causar chiado no peito, tosse e dificuldade respiratória
- SARS-CoV-2 (covid-19): quadro variável, podendo incluir febre, tosse, cansaço, perda de olfato ou paladar e, em casos mais graves, complicações respiratórias
Prevenção
Medidas simples continuam sendo fundamentais para reduzir o risco de infecção em períodos de maior circulação viral. Higienizar as mãos com frequência, evitar ambientes fechados e com aglomeração, manter os espaços ventilados e adotar etiqueta respiratória estão entre as principais recomendações. A vacinação, disponível gratuitamente pelo SUS, também é uma estratégia importante para reduzir a circulação de vírus e prevenir casos mais graves.
Hapvida.

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