Por Rairtoni Pereira – Personal Trainer.
Muita gente pode não saber, mas fazer exercícios físicos com frequência é quase tão importante quanto tomar remédios para tratar algumas doenças, como, por exemplo, a diabete, especialmente a tipo 2. O treino orientado ajuda bastante a controlar esta doença porque melhora a sensibilidade à insulina, reduz a glicemia e contribui ainda para a saúde cardiovascular.
É importante destacar também que o treinamento pode reduzir as dosagens, mas não substitui medicamentos, nem acompanhamento médico. Nunca, portanto, comece um programa de exercícios sem antes consultar seu médico para uma avaliação cardiovascular e também conversar com um profissional de Educação Física para planejar a intensidade ideal para o seu caso.
A primeira grande contribuição do treino assistido é sua relação direta com sensibilidade à insulina porque o organismo começa a usar a glicose de maneira mais eficaz, diminuindo os níveis de açúcar no sangue. Além disso, melhora a captação de glicose, porque durante a atividade física, os músculos chegam a absorver até 10 vezes mais glicose, mesmo na ausência da insulina.
Durante um treino, os músculos ‘puxam’ o açúcar do sangue para usar como energia, muitas vezes sem precisar de insulina. É como se o exercício criasse um ‘atalho’ para o açúcar entrar nas células. O corpo começa a responder de forma mais eficaz à insulina que produz (ou que a pessoa administra), diminuindo a demanda por doses maiores. Em outras palavras, durante o exercício, o músculo usa glicose como fonte de energia, o que ajuda a baixar o açúcar no sangue, muitas vezes até sem precisar de insulina extra.
Uma sessão de exercícios pode ajudar a manter mais baixos os níveis de glicose por um período de 24 a 48 horas depois de terminar a sessão. O treino orientado é um recurso eficaz no controle do diabetes, porque atua como um complemento fundamental ao tratamento médico e à dieta balanceada. Ele não fica no lugar da medicação, mas intensifica seus efeitos e melhora a qualidade de vida.
A prática costumeira de exercícios colabora com o controle glicêmico, ao manter os níveis de glicose estabilizados durante o dia, reduzindo a pressão arterial, colesterol e triglicerídeos, que são fatores de risco comuns em diabéticos, e consequentemente auxilia na redução de riscos cardiovasculares. Também auxilia na perda da gordura corporal e obesidade. Este tem sido um problema que está entre os maiores agravantes na diabetes tipo 2.
Para especialistas em saúde, o exercício supervisionado é uma das bases essenciais para o controle do diabetes, sendo frequentemente tão eficiente quanto a ‘administração’ de medicamentos para manter sob controle os níveis de açúcar no sangue. Para quem tem diabetes, o exercício não pode ser feito de qualquer jeito, pois existem riscos próprios para quem sofre da doença. Por isso a orientação profissional do professor de educação física é essencial. O acompanhamento profissional é importante para ajustar a intensidade, tipo e duração do treino e compatibilizar o treino com a idade, condicionamento e comorbidades, caso existam.
O treino orientado, especialmente quando feito com acompanhamento profissional e integrado ao tratamento médico, é muito eficaz. O profissional de Educação Física saberá interpretar quando uma pessoa deve ou não treinar com base na sua medição capilar (do momento), também chamado de monitoramento da glicemia capilar, ou seja, aquele teste rápido que avalia o nível de açúcar no sangue em tempo real, utilizando uma gota obtida geralmente da ponta do dedo com um glicosímetro.
No caso de crises de hipoglicemia, quando ocorre o comportamento inverso, o treinador pode ajudar a ajustar a intensidade do treino para evitar que o açúcar caia demais durante ou depois de o treinamento ser encerrado. Para aquelas pessoas com lesões nos pés oriundas da diabete, cabe ao instrutor orientar sobre calçados e tipos de impacto para evitar feridas que demorem a cicatrizar. Em relação aos exercícios de força bem intensos, eles podem elevar a pressão arterial. Apenas o treino bem orientado garante as cargas limites para os picos de pressão, que são frequentes em exercícios muito intensos de força.
São diversas as alternativas para os diabéticos treinarem e melhorarem seu bem-estar. Há por exemplo os treinos aeróbicos (caminhada ou corrida leve, natação, dança ou bicicleta, por exemplo) e anaeróbicos como a musculação, que é extremamente eficaz em relação à glicose. No caso das atividades anaeróbicas, como a musculação, yoga, alongamento ou pilates, se exercitar duas ou três vezes por semana é o ideal. Essas atividades podem fortalecer a musculatura e o bem estar mental, entre outros benefícios. A yoga, pilates e alongamentos também ajudam na prevenção de lesões.
Geralmente, os treinos combinados são os que costumam trazer os melhores resultados. Estudos apontam que em média 150 minutos semanais de atividade moderada e distribuídos ao longo da semana é uma boa receita.
Entre aqueles cuidados recomendados para quem irá começar a treinar estão a hidratação e alimentação adequada, para manter equilíbrio energético durante os exercícios. Além disso, é bastante prudente fazer a progressão gradual nos exercícios, isto é, começar com treinos leves e aumentar a intensidade aos poucos, sem exageros. Assim a pessoa alcançará o estágio certo, no tempo certo.
*Rairtoni Pereira é Personal Trainer há mais de 10 anos, ajudando pessoas a serem mais felizes com seus corpos. É autor do livro ‘5 Atitudes para criar o hábito de se exercitar todos os dias’.


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