Quando se fala em superdotação, é comum imaginar uma criança com desempenho excepcional em todas as disciplinas. Na prática, pessoas com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) podem apresentar diferentes perfis e nem sempre têm boas notas.
Facilidade para aprender, criatividade, curiosidade intensa, capacidade de relacionar informações e encontrar soluções originais estão entre algumas das características que podem aparecer. Porém, esses sinais não devem ser analisados isoladamente.
Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa, uma pessoa com Altas Habilidades pode apresentar potencial elevado em uma área específica, como matemática, linguagem, artes, tecnologia, liderança ou resolução de problemas.
Superdotação não significa boas notas
Um dos principais equívocos é considerar que toda pessoa superdotada terá excelente desempenho escolar. Uma criança pode apresentar raciocínio avançado e, ao mesmo tempo, perder o interesse por atividades repetitivas, ter dificuldades em determinada disciplina ou alternar períodos de alto e baixo rendimento.
Isso acontece porque potencial, desempenho e oportunidade não são a mesma coisa. Questões como desatenção, organização, ansiedade, dificuldades de aprendizagem ou falta de estímulo também podem interferir no resultado escolar.
“Olhar apenas para as notas pode fazer com que estudantes com altas habilidades não sejam reconhecidos. É importante compreender como eles aprendem, como resolvem problemas e o que desperta sua motivação”, explica Luanda.
Inteligência não significa maturidade emocional
O desenvolvimento intelectual não ocorre necessariamente no mesmo ritmo que o emocional. Uma criança pode compreender assuntos complexos e ter vocabulário avançado, mas continuar precisando de acolhimento e orientação adequados à sua idade.
A cobrança excessiva pode gerar culpa e sensação de inadequação, especialmente quando a criança ou adolescente ouve que, por ser considerado inteligente, deveria conseguir superar qualquer dificuldade sozinho.
Altas habilidades podem coexistir com outras condições
As Altas Habilidades também podem aparecer junto a outras condições do neurodesenvolvimento, situação conhecida como dupla excepcionalidade. É possível, por exemplo, haver simultaneamente AH/SD e TDAH ou autismo.
Nesses casos, uma característica pode esconder a outra. O alto potencial intelectual pode compensar determinadas dificuldades durante algum tempo, enquanto problemas de atenção, organização ou comunicação podem fazer com que as habilidades não sejam percebidas.
“A avaliação precisa considerar potencialidades e dificuldades. Se analisarmos apenas o desempenho elevado, podemos deixar de perceber necessidades importantes. Se olharmos somente para as dificuldades, podemos ignorar recursos fundamentais para o desenvolvimento”, afirma a especialista.
Como a avaliação pode ajudar
A avaliação neuropsicológica pode analisar aspectos como atenção, memória, linguagem, raciocínio, criatividade, funções executivas, autorregulação e aspectos emocionais.
Mais do que confirmar uma hipótese, o objetivo é compreender como essas características se combinam e quais impactos provocam na vida escolar, profissional, familiar e social.
No caso de crianças e adolescentes, esse entendimento pode ajudar família e escola a oferecer estímulos adequados ao perfil do estudante, sem transformar suas capacidades em uma fonte permanente de cobrança.
“Descobrir as Altas Habilidades pode ser uma oportunidade de olhar para a própria história com mais compreensão”, conclui Luanda.
Sobre a Dra. Luanda Rosa: psicóloga e neuropsicóloga (CRP 06/106954), especialista em autismo na adolescência e na vida adulta. Atua há 15 anos com avaliação.
Com informações da assessoria de imprensa.
Hélio Alves | Tribuna do Recôncavo








Foto: Abdias Pinheiro/ ASCOM/ TSE





























































































