A eleição de 2026 terá uma particularidade que ainda é desconhecida por grande parte dos brasileiros: cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado Federal. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto, apenas 34% dos entrevistados responderam corretamente que poderão escolher dois senadores.
Outros 22% acreditam que terão apenas um voto, 10% disseram que serão três e 34% não souberam ou não responderam. Somados, 66% dos entrevistados não sabem corretamente quantos votos terão para o Senado.
O resultado traz uma consequência prática para a disputa eleitoral. Parte significativa dos eleitores ainda enxerga a eleição para o Senado como uma escolha única, quando, na realidade, terá duas opções disponíveis na urna.
Em 2026, serão renovados dois terços do Senado Federal. Com isso, cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores. O eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes, embora não seja obrigado a utilizar os dois votos.
É justamente nesse segundo voto ainda não definido que pode surgir uma disputa particular entre as candidaturas.
Se uma parcela expressiva dos eleitores ainda não construiu mentalmente sua segunda escolha, as campanhas terão diante de si não apenas uma disputa pela preferência já consolidada, mas também a possibilidade de ocupar um espaço que permanece aberto.
É a chamada batalha pelo segundo voto.
Os dados da pesquisa mostram diferenças entre os segmentos da população. Entre as mulheres, 28% sabem que poderão escolher dois senadores. Entre os homens, o percentual chega a 39%.
A escolaridade também influencia o nível de conhecimento. Entre os entrevistados com ensino fundamental, 25% responderam corretamente. No ensino médio, foram 37%, enquanto entre aqueles com ensino superior o percentual chegou a 46%.
Mesmo no grupo com maior escolaridade, portanto, menos da metade dos entrevistados sabia que teria dois votos para o Senado.
A renda apresenta comportamento semelhante. Entre famílias com renda de até dois salários mínimos, 26% sabem que poderão votar em dois candidatos. O percentual sobe para 31% entre aqueles que recebem de dois a cinco salários mínimos e chega a 45% entre os que ganham acima de cinco salários mínimos.
A diferença também não está concentrada em uma faixa etária específica. Entre os eleitores de 16 a 34 anos, 33% sabem que serão dois votos. Na faixa de 35 a 59 anos, são 36%. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, o percentual é de 31%.
Regionalmente, Nordeste e Sudeste registram 34% de respostas corretas. Centro-Oeste e Norte, considerados conjuntamente nesse recorte da pesquisa, chegam a 36%. No Sul, o percentual é de 28%, enquanto 46% não souberam responder.
Outro dado levantado pela Quaest ajuda a compreender como o segundo voto poderá ser definido. Quando questionados sobre qual atributo mais considerariam na escolha para senador, 31% apontaram a capacidade de trazer emendas e obras para o estado.
A indicação do presidente Lula aparece com 15%, seguida pelo compromisso de votar pelo fim da escala 6×1, com 13%; independência da polarização, com 12%; ser favorável ao impeachment de ministros do STF, com 11%; e indicação de Jair Bolsonaro, com 8%.
Os números indicam que a disputa pelo Senado poderá envolver critérios diferentes daqueles utilizados na escolha presidencial. Preferências políticas, atuação regional, pautas específicas e identificação com determinadas lideranças podem influenciar as duas escolhas de maneira distinta.
O primeiro voto pode seguir uma preferência política já consolidada, enquanto o segundo pode ser definido por outro critério: uma pauta específica, uma liderança regional, uma candidatura indicada por determinado grupo ou simplesmente um nome que consiga ocupar esse espaço antes dos concorrentes.
Para as campanhas ao Senado, portanto, existe uma mensagem objetiva: além de pedir voto, será necessário explicar ao eleitor que ele terá dois votos.
A comunicação das candidaturas pode explorar justamente essa questão, perguntando ao eleitor: “E o seu segundo voto para o Senado, já decidiu?”
Existe uma diferença importante entre o eleitor que está indeciso entre vários candidatos e aquele que sequer sabe que terá uma segunda escolha. O primeiro procura um nome. O segundo ainda precisa descobrir que existe outra decisão a ser tomada.
A eleição para o Senado pode acabar sendo influenciada justamente por esse espaço ainda não ocupado. Enquanto muitas campanhas disputam a condição de primeira opção, outra oportunidade pode estar na pergunta: quem vai conquistar o segundo voto do brasileiro?
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026, com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, entrevistados presencialmente. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número BR-06591/2026.
Paulo Maneira é jornalista, estrategista político e autor do livro “Campanha Planejada”.
Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.
Crédito: Paulo Maneira.
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Em entrevista à Live Tribuna, o jornalista e estrategista político Paulo Maneira analisou o cenário político e eleitoral, trazendo reflexões que ajudam a compreender o comportamento do eleitor e as disputas que envolvem as eleições.
O conteúdo também ajuda a contextualizar a discussão sobre a disputa pelo Senado e a importância do chamado “segundo voto” do eleitor.
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Foto: Elza Fiúza/ ABr / Fotos Públicas






























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