O Ministério Público da Bahia (MP-BA) devolveu à Polícia Civil o inquérito que apurou o caso da médica Sáttia Lorena Patrocínio Aleixo, que caiu do 5º andar de um prédio em Salvador, durante briga com o companheiro. O inquérito havia sido concluído no dia 3 de setembro e indiciava Rodolfo Cordeiro Lucas por tentativa de feminicídio.
Nesta terça-feira (8), o MP-BA informou que o promotor de Justiça Luciano Assis devolveu o inquérito à polícia para a realização de novas diligências, com ouvida de novas testemunhas, e pediu a realização da reconstituição do fato. Foi solicitado também que a vítima seja ouvida novamente. Segundo advogado da família da médica, ela está internada em uma clínica de reabilitação. Ele destacou que a Sattia está bem, mas não divulgou detalhes do estado de saúde dela.
O caso aconteceu na madrugada do dia 20 de agosto, durante uma discussão do casal no prédio onde eles moravam, no bairro de Armação. Sáttia Lorena Ela chegou a ficar em coma induzido e foi ouvida pela polícia cerca de um mês depois. Segundo a polícia, o trauma que ela sofreu comprometeu a memória recente da médica. O teor do depoimento dela, no entanto, não foi divulgado.
O companheiro dela chegou a ser preso em flagrante pelo crime, mas foi solto por decisão judicial. Além da própria Sáttia, o suspeito também foi ouvido. Testemunhas prestaram depoimentos e laudos de perícia técnica fizeram parte das investigações e do inquérito. A principal suspeita é de que Sáttia tenha sido empurrada do apartamento pelo companheiro dela, que também é médico.
Em depoimento na Delegacia de Atendimento Especial à Mulher, o médico Rodolfo Lucas negou que tenha jogado Sáttia do apartamento e disse que a médica se dopava e estava depressiva, versão negada pela família dela. Ele disse à polícia que a médica se pendurou na janela do apartamento e que ele ainda tentou ajudá-la, segurando as mãos dela, mas mesmo assim ela caiu.
Familiares de Sáttia disseram que acreditam que ela foi jogada do apartamento pelo companheiro, e relataram que a médica vivia em um relacionamento abusivo. Uma vizinha do prédio em que Sáttia morava antes de se mudar com o companheiro também relatou que relação do casal era marcada por brigas, e que chegou a ver a médica pedir socorro.
No vídeo, é possível ver que a médica gesticula bastante ao telefone, como se estivesse em discussão, por volta das 16h40 do dia 19 de julho. Logo em seguida, ela sai do elevador. Em um outro vídeo de câmeras de segurança, é possível ver a área externa da rua do condomínio onde o casal morava, e o momento em que o médico chega de carro ao local, por volta das 20h45.
Além disso, a irmã de Sáttia disse, em depoimento à polícia, que a médica desabafou sobre humilhações que o médico Rodolfo Cordeiro Lucas a submetia. Jacqueline Aleixo depôs na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), do bairro de Brotas. A irmã da médica disse que Rodolfo Lucas controlava as roupas de Sáttia e que ela teve que sair da academia de ginástica e desativar redes sociais por causa do ciúme.
G1


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