Nos dias 20 e 21 de outubro, a cidade de Santo Amaro (BA) novamente sediará o Festival Paisagem Sonora – Formação, Gestão e Difusão da Música. Neste ano do bicentenário da independência do Brasil na Bahia, a 5ª edição do evento destaca a força das tradições originárias de matrizes indígenas na identidade cultural do Recôncavo Baiano e dá luz às musicalidades que fazem o berço do Brasil. A programação é totalmente gratuita, com atividades de formação e um total de nove shows em espaço público.
Há 10 anos, quando o Cecult/UFRB foi fundado, nasceu também a proposta do festival, como uma homenagem ao pesquisador canadense Murray Schafer, criador das expressões “ecologia acústica”, “esquizofonia”, “som fundamental” e “paisagem sonora” – conceito que se refere à análise do universo sonoro que nos rodeia. O evento é o ponto culminante do Paisagem Sonora – Programa de Promoção da Música do Recôncavo da Bahia, cuja edição deste ano foi iniciada em maio, num projeto continuado de promoção de conhecimento sobre a diversidade musical contemporânea, valorizando as marcas tradicionais da sua região. A cada edição, um recorte curatorial indica os caminhos de trabalho. Desta vez, as matas, as águas, a cablocagem ribeirinha, os saberes e a riqueza cultural dos povos originários do Brasil e da formação da nação são o fundamento.
Na programação musical, o V Festival Paisagem Sonora vai oferecer, no primeiro dia, shows de Metá Metá, Brisa Flow, Sapopemba e Coletivo Xaréu. Na segunda data, Gerônimo Santana, Cabokaji e Sonora Amaralina sobem ao palco. Além disso, as duas noites terão abertura com atrações locais, selecionadas através de uma convocatória pública, e dois DJs fazem a ambientação no local: Lerry e MVK0. As apresentações acontecem a partir das 19h em plena Praça da Purificação, ocupando as ruas da cidade.
A abertura oficial, no dia 20, às 10h, no Arquivo Público Municipal, terá saudação dos Alabês e dois importantes lançamentos. O público vai conhecer os três guias musicais lançados pelo Programa Paisagem Sonora em 2022. Tratam-se de publicações digitais de apoio didático que orientam educadores para aulas temáticas: Instrumentos Musicais; Sobreposição de Camadas Musicais através da Utilização de Riffs; e Contraponto no Choro. Também será lançada a consulta pública do Plano de Cultura da UFRB, a respeito da atuação nos campos da cultura e das artes da instituição para os próximos 10 anos. A minuta, construída a várias mãos desde 2018, ficará disponível para avaliações e sugestões até 20 de novembro.
No início das tardes, a partir das 14h, no Pavilhão de Aulas do Cecult, o Paisagem Sonora promove encontros da comunidade com dois artistas de sua programação: na sexta-feira, com Brisa Flow; no sábado, com Sapopemba.
Também no Pavilhão de Aulas do Cecult, no dia 20, sexta-feira, das 16h às 19h, em parceria com o IV Encontro Internacional de Cultura, Linguagens e Tecnologias do Recôncavo (Enicecult) – outro projeto assinado pelo Cecult/UFRB que ocorrerá neste mês de outubro –, será realizada a mesa “Música e Comunicação”, mediada pelas professoras da UFRB Nadja Vladi e Tatiana Lima, junto com Juliana Gutmann (UFBA). A proposta é de uma discussão acerca das interfaces entre comunicação, música e epistemologias decoloniais, reunindo sete trabalhos de pesquisa sobre músicas urbanas e de tradição oral a partir de perspectivas de comunicação, raça, etnia, gênero, pós-gênero, sexualidades e interseccionais.
Já o sábado, dia 21, será dedicado ao minicurso “Profissão artista: programa de gestão de carreira com estratégia”, ministrado por Júlia Salgado, das 9h às 12h e 14h às 18h, no Arquivo Público Municipal. São 30 vagas disponíveis com inscrições prévias.
Para completar, numa ação prévia ao festival, o Paisagem Sonora vai oferecer três oficinas técnicas com profissionais de referência em suas áreas: Direção de Palco, com Tio Bill; Iluminação, com Milena Pitombo; e Sonorização, com Caetano Bezerra. As turmas acontecem nos dias 18 e 19 de outubro, das 9h às 13h, no Pavilhão de Aulas do Cecult, com 15 vagas cada, ocupadas previamente por seleção.
Todas as informações estão disponíveis em www.paisagemsonorabahia.org.
SHOWS DE SEXTA-FEIRA, 20 DE OUTUBRO
DJ Lerry – Natural de Feira de Santana, Bahia, o DJ e produtor musical Lerry começou a sua trajetória em 2013, incorporando a suas experiências sonoras os beats e as reinvenções da música negra em diáspora e a suingueira periférica dos paredões baianos. Em 2017, lançou seu primeiro EP, “Tabatenu”, com destaque para a faixa “#Pagotrance”, nome que também batiza a vertente musical que criou ao unir o pagodão baiano com o Goa Trance indiano. Em 2018, iniciou o curso de Engenharia de Áudio e Produção Musical e realizou uma expedição autônoma ao Sudeste e Centro-Oeste, interagindo com diversas culturas e migrando temporariamente para São Paulo, onde tornou-se residente nas festas DoceBahia (Estúdio Bixiga) e Maraca Funk (NossaCasa). Lá também iniciou, no Lab Mundo Pensante, o projeto “DIGIAFRIKA: A Digitalização das Células Percussivas de Matrizes Africanas”, contemplando jovens com atividades de formação.
Coletivo Xaréu – Uma das ações continuadas do Paisagem Sonora, o Coletivo Xaréu foi criado em 2011 por professores da UFRB e se reformulou em 2022 como uma atividade de extensão. Atualmente, reúne músicos, cantores e beatmakers, dentre estudantes bolsistas e voluntários, sob coordenação do maestro Sólon Mendes. A proposta é criar um repertório de referências da musicalidade do Recôncavo Baiano – filarmônicas, candomblé, samba de roda, pagode, sofrência –, conectado com experimentações, técnicas expandidas, timbragens, arranjos e grooves da música urbana e contemporânea do mundo. Boa parte das composições e arranjos é autoral, fruto do permanente laboratório de experimentação.
Sapopemba – Cantor, compositor, ogã e percussionista alagoano radicado em São Paulo, Sapopemba se iniciou ainda jovem no Candomblé Ketu, assumindo a função de ogã, na qual aprendeu um vasto repertório de cantigas, assim como os sambas de roda que sempre finalizam os rituais sagrados com festa. Ao longo da vida e das muitas funções profissionais que exerceu – caminhoneiro, motorista, pintor, segurança e, claro, músico –, Sapopemba se converteu em um pesquisador da história e da diversidade musical afro-brasileira. Com vasta e elogiada experiência artística, apenas em 2020, aos 72 anos, lançou pelo Selo Sesc o seu primeiro álbum solo, “Gbọ́”, com produção musical de André Magalhães e direção musical de Ari Colares. No repertório, se mesclam composições autorais e cantigas de Candomblé que conduzem através da diversidade musical das muitas Áfricas que aportaram ao longo dos séculos no Brasil. Completam o disco duas regravações do cancioneiro afro-baiano, mostrando que a sonoridade dos terreiros é um dos pilares da música popular brasileira.
Metá Metá – Um dos grupos mais prestigiados e representativos do atual cenário musical brasileiro, o Metá Metá propõe uma maneira particular de cantar e tocar instrumentos, com ênfase nos arranjos rítmicos e polifônicos. Desde o primeiro dos três discos, além de dois EPs, somando 15 anos de estrada, a banda chama atenção pela maneira com que mostra suas influências musicais, que passam pela música brasileira, free jazz, música africana e rock. Formado por Juçara Marçal (voz), Thiago França (sax) e Kiko Dinucci (guitarra), Metá Metá já se apresentou em importantes festivais nacionais e internacionais.
Brisa Flow – Cantora selvagem que mistura seu rap com cantos ancestrais, jazz, eletrônico e neo/soul. Artista transdisciplinar, trabalha com linguagens musicais e atua como cantora, produtora musical, performer e pesquisadora. Constrói arte a partir da vivência de seu corpo no mundo, criando caminhos que desprendem das amarras da colonialidade. Com três álbuns lançados, sua música é um encontro com as energias da Terra. Desenvolve estéticas artísticas pela prática e pesquisa do canto que tece memórias e futuros originários. Também é arte-educadora licenciada em Música. MC da cultura hip hop e filha de artesãos araucanos, pesquisa e defende a música indígena contemporânea, a arte dos povos originários e o rap como ferramentas necessárias para combater o epistemicídio.
SHOWS DE SÁBADO, 21 DE OUTUBRO
DJ MVK0 – Cria do bairro do Sideral em Belém do Pará, entre descobertas e aprendizados na música, encontra na cultura do DJ uma forma de compartilhar sentimentos identitários através de sets carregados de música preta e periférica. Instigado inicialmente a mixar através da trap music e do funk das favelas, hoje sua seleção musical agrega vertentes como rap, trap funk, afrohouse e moombathon, além de ritmos brasileiros e latino-americanos. Abraçado pelo movimento hip-hop, em 2018 ingressou como DJ residente da batalha da beira, onde constrói conexões importantes para consolidação de seu trabalho. Com suas mixagens certeiras e versatilidade nas playlists, já aqueceu as pistas pra grandes nomes do rap nacional como Akira Presidente (RJ) e Nego Max (SP).
Sonora Amaralina – Formada em 2018, a Sonora Amaralina se destaca como a primeira orquestra de Cumbia da Bahia. Funde tradição e inovação, apresentando interpretações autênticas de músicas tradicionais de Cumbia, bem como composições autorais, que incorporam o sabor musical soteropolitano. Com sua energia contagiante, conquistou públicos diversos e mantém a sua marca musical em ascensão, contribuindo para a preservação cultural, a diversidade musical e a identidade da região, enquanto oferece uma experiência autêntica e especializada para o público. Sua música é uma celebração da cultura latina e da herança africana na América Latina.
Cabokaji – Encontro músico-performático dos cantores, compositores e pesquisadores da arte Caboclo de Cobre, ISSA, Ejigbo e Mayale Pitanga, movidos pela necessidade de pautar a herança dos povos originários com um olhar de reparação social, patrimonial, histórica e ambiental. Por meio de uma produção musical contemporânea calcada em ritmos eletrônicos e um discurso baseado no “sorriso como ferramenta política e dança como processo de cura”, o trabalho tem o objetivo de libertar corpos e mentes. Exalta as belezas afro-indígenas e inspiradas no universo do candomblé caboclo, dance hall, piseiro ou pisadinha, groove arrastado, guitarradas, funk, brega funk, côco, rock, adornados com timbres de ritmos de manifestações nordestinas, como o baião, maracatu, toré, rojão, com enfoque na cultura soteropolitana e diálogo com as tecnologias eletrônicas. É um emaranhado de referências contemporâneas, muitas delas nascidas nas periferias dos grandes centros urbanos.
Gerônimo Santana – Completando 50 anos de carreira em 2023, Gerônimo Santana é um dos maiores ícones da cultura da Bahia e considerado chanceler da música baiana. É compositor de sucessos como “Eu sou negão”, “É D’oxum”, “Menino do Pelô” e “Jubiabá”, entre outros, sendo reconhecido por sua originalidade e mistura de ritmos como ijexá, samba, lambada, afoxé, reggae, axé, jazz, entre outros. O artista embala o público com um som único que mescla a música afro-baiana com ritmos latinos, numa harmonia inconfundível e contagiante. Estudou Composição e Regência na Universidade Federal da Bahia, mas nunca abriu mão da música popular, tornando-se um artista semierudito. Reverenciado por seus pares, ele é desses músicos guardiões da música brasileira de raiz feita na atualidade.
V FESTIVAL PAISAGEM SONORA
Quando: 20 e 21 de outubro de 2023 (sexta e sábado)
Onde: Santo Amaro – Recôncavo da Bahia
Pavilhão de aulas do Cecult | Praça da Purificação | Arquivo Público Municipal
Quanto: Gratuito
Site: www.paisagemsonorabahia.org
Apoio: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEXC/UFRB), Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer – Prefeitura de Santo Amaro, Rádio Educadora FM Bahia e TVE Bahia
Realização: Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (Cecult/UFRB) e Fundação Nacional de Artes (Funarte)
20 de outubro (sexta-feira)
10h às 12h: ABERTURA
Saudação dos Alabês + Lançamento dos guias musicais do Paisagem Sonora + Lançamento da consulta pública do Plano de Cultura da UFRB
Onde: Arquivo Público Municipal
14h às 16h: DROPS DO PAISAGEM
Encontro com Brisa Flow
Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult
16h às 19h: MESA MÚSICA E COMUNICAÇÃO
Mediação: Nadja Vladi, Tatiana Lima e Juliana Gutmann
Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult
A partir das 19h: SHOWS
Com: DJ Lerry + Atração local + Coletivo Xaréu + Sapopemba + Metá Metá + Brisa Flow
Onde: Praça da Purificação
21 de outubro (sábado)
9h às 12h e 14h às 18h: MINICURSO
Profissão artista: programa de gestão de carreira com estratégia
Com: Júlia Salgado
Onde: Arquivo Público Municipal
14h às 16h: DROPS DO PAISAGEM
Encontro com Sapopemba
Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult
A partir das 19h: SHOWS
Com: DJ MVK0 + Atração local + Sonora Amaralina + Cabokaji + Gerônimo Santana
Onde: Praça da Purificação
Oficinas técnicas prévias
Direção de Palco, com Tio Bill
Iluminação, com Milena Pitombo
Sonorização, com Caetano Bezerra
Quando: 18 e 19 de outubro, 9h às 13h
Onde: Pavilhão de Aulas do Cecult
ASCOM.


Coletivo Xaréu [Foto por Deca Oliveira]


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