Parte 9 da série: A Construção de um Projeto Político Eleitoral.
A dinâmica das relações políticas sempre impõe uma escala e uma estrutura hierarquizada. Não obstante os discursos democráticos propalados em quase todos os movimentos políticos e sociais, as escolhas recaem em um pequeno grupo; dai a ideia de que “a politica é para todo mundo, mas não é feita por todo mundo”.
Ainda que se apresente como uma estrutura horizontalizada, grande parte dos membros do grupo desconhece os aspectos, históricos, científicos, culturais, antropológicos e sociais que justificam e sustentam as decisões a serem tomadas. Embora essa paridade trazida pela horizontalidade, facilite a manifestação de ideias e propostas, na pratica as decisões são tomadas com base num alinhamento mais pragmático que programático.
Esse inconsciente social, enquanto repressão social subjetiva, pouco é percebido pela maioria da população. Pois, o próprio núcleo social ao qual integram não se preocupa em produzir conhecimento. Mas, apenas informações e decisões. Transformando indivíduos em números.
No âmbito da atividade politica e eleitoral, essa horizontalização é pouco provável de ocorrer. Isso porque, o eleitor sabe da sua posição na estrutura de poder e de decisão. Todavia, é possível transforma-lo em militante. Como? vejamos.
Aprioristicamente precisamos entender que os interesses dos eleitores são distintos dos interesses dos militantes. Enquanto o primeiro busca um benefício particular ou social objetivo e imediato; o segundo se vincula as ideias do candidato, buscando uma realização mais abstrata, ideológica e emocional. Ele se sente parte de uma espécie de exercito que tem algo ou alguém a ser combatido.
Implementar essa conversão (de eleitor para militante), requer uma estratégia de imersão do primeiro ao projeto eleitoral, ouvindo-o e dando-lhe a oportunidade de colaborar intelectualmente com o projeto.
A realização de um brainstorming (tempestades de ideias, visando explorar a capacidade criativa de cada indivíduo, dentro de um determinado grupo) é uma das melhores estratégias de descobrir talentos, ideias e de vincular as pessoas as suas próprias propostas.
Entender-se como grupo e participante em um processo de conquista, incorporando frases, ideias, símbolos e cores, representa muito para aquele que outrora era visto com um simples eleitor.
Essa conversão passa ainda, por um constante dialogo individualizado, do candidato com seus potenciais militantes, ouvindo seus anseios, sua história política e social, suas frustações e projetos; identificando e alimentando cuidadosamente, aquilo que move o sentimento daquele cidadão.
O alinhamento de um projeto politico de longo prazo, pode representar para o então eleitor, a possibilidade de realização pessoal e política e de obtenção de poder institucional ou social, cuja aproximação com o parlamentar, mais rapidamente se viabilizaria.
Ao militante deve ser dada a oportunidade de conhecer bem o candidato, sua história, seus pontos fortes, suas pautas, seus principais adversários e suas maiores dificuldades pessoais e políticas.
Do mesmo modo, deve se estabelecer as estratégias de confronto com eleitores dos adversários, para evitar um isolamento político ou até mesmo uma resistência decorrente de um exagerado pragmatismo.
A conversão do eleitor em militante pode ser realizada em qualquer momento, entretanto, quanto mais rápido se processa essa relação programática, menor será a parcela de eleitores disponíveis para os adversários e maior será a possibilidade de êxito eleitoral.
A motivação da militância deve ser constante. A demonstração de proximidade e de intimidade dos militantes com o candidato pode ser um forte elemento de motivação para aqueles e para os novos militantes. Lembre-se; os elogios são sempre elementos de motivação pessoal e social.
A militância deve estar presente no dia a dia do candidato e ser constantemente alimentada com informações sobre as ações e as atividades do parlamentar. Sendo útil, para isso a criação de um canal exclusivo de troca de informações pelo grupo de militantes.
A mensuração da atividade, da qualidade e da quantidade de militantes, não deve ser negligenciada. Ele deve, inclusive, ser realizada também através das redes sociais que, pode ser mais um veículo de conversão de eleitor em militante.
Mas ali, a estratégia é outra.
Pense nisso!!!
E, até o próximo artigo.
Sobre o autor:
Luciano Ferreira Lima é Consultor e Gestor de Projetos Políticos, Pós Graduando em Marketing e Mídias Digitais, MBA em Gestão e Marketing, Mestrando em Ciência Política, Advogado, Professor Universitário e Articulista.
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