O ambiente de trabalho pode ser perigoso para a audição, dependendo da atividade profissional. Por isso, a necessidade do uso frequente de equipamentos de proteção individual (EPIs). No entanto, o que se vê em muitas profissões é a falta de consciência quanto à gravidade da exposição ao ruído.
Músico, DJ, operador de áudio em emissoras de rádio e TV, produtor musical, funcionário de bar/boate, comissário de bordo, atendente de call center, cabeleireiro, carpinteiro, trabalhador de gráfica, operário de fábrica, operador de britadeira, entre muitos outros, estão expostos a ruídos. Por causa do barulho intenso do trânsito, pessoas que trabalham nas ruas também têm frequentemente perda auditiva induzida por ruído. Entre elas, estão policiais, ambulantes, motoristas de ônibus e de caminhão, motociclistas e guardas de trânsito.
A perda auditiva gera muitos impactos na vida de um indivíduo. Além da difícil comunicação com familiares e amigos e um frequente isolamento da vida em sociedade, o aspecto econômico também preocupa. A surdez pode tornar mais difícil conseguir emprego em igualdade de condições com pessoas de audição normal.
“Os jovens e adultos que costumam ouvir música com fones de ouvido também devem tomar cuidado porque, desse modo, o som alto atinge diretamente o conduto auditivo, com riscos de perda de audição a médio e longo prazo, dependendo do volume e do tempo de exposição ao ruído. Sendo assim, na hora de procurarem emprego, devem estar atentos a possíveis problemas auditivos”, adverte a fonoaudióloga Rafaella Cardoso, especialista em Audiologia na Telex Soluções Auditivas.
A exposição continuada a sons elevados pode levar à perda auditiva definitiva. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), sons acima de 55 dB (decibéis) já apresentam alguma forma de desconforto para a audição humana. Nós não imaginamos, mas em um ambiente normal de trabalho, como um escritório, o ruído pode chegar a até 70, 80 dB. Já os músicos apresentam danos auditivos com certa frequência, pois o sistema de som nos shows, por exemplo, costuma atingir 130 decibéis.
“O contato com níveis elevados de ruído pode causar danos à audição cada vez maiores, de forma contínua, ao longo da vida. Todo ruído acima de 85 decibéis é prejudicial à audição. Muitos procuram a Telex devido a problemas auditivos decorrentes da profissão que exercem. São comuns os casos de pessoas que desencadearam perda auditiva por exposição ao ruído intenso. Recebemos também em nossas lojas pessoas que trabalham com música que já possuem perda auditiva; e também aquelas que procuram alguma solução para prevenir um possível dano”, ressalta Cardoso.
A fonoaudióloga recomenda o uso frequente de protetores auriculares, como os da Telex, que reduzem o volume excessivo, propiciando uma audição mais confortável do som ambiente.
A realidade é que muitas portas têm se fechado a candidatos considerados inaptos a uma vaga de trabalho em função de alterações na audição. Em nosso país, a legislação exige que o trabalhador seja submetido a exames admissionais. Entre esses exames, os resultados da audiometria acabam sendo usados – ao contrário de seu objetivo -, para selecionar o funcionário no momento da admissão. O resultado é a existência de um contingente de trabalhadores com perdas auditivas, dos mais diversos graus, que podem encontrar dificuldades para ingressar em um novo emprego.
Profissões mais sujeitas a níveis altos de ruído e danos à audição:
- Tripulação de Vôo/Comissário de bordo — 130 decibéis
- Músicos e profissionais de áudio — 125 decibéis
- Profissionais do trânsito — 120 decibéis
- Motorista de ambulância — 120 decibéis
- Engenheiro — 115 decibéis
- Dentista — 115 decibéis
- Enfermeiro — 113 decibéis
- Trabalhador de construção — 110 decibéis
- Mineiro — 108 decibéis
- Motorista de Caminhão — 95 decibéis
Situações que aumentam os riscos de perda auditiva:
– Tempo de exposição ao ruído: quanto maior este tempo, maior o perigo;
– Intensidade: quanto maior a intensidade do som, maior o risco para o trabalhador;
– Distância da fonte de ruído: quanto mais próximo, maior o perigo;
– Tipo de ruído: contínuo (sem parar), intermitente (ocorre de vez em quando) ou de impacto (acontece de repente);
– Sensibilidade ao som: varia de acordo com cada pessoa;
– Lesões causadas por problemas anteriores na orelha (inflamações e infecções).
Matéria: Cristina Freitas/ libris
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