Localizada em Cruz das Almas, a 150 quilômetros da capital Salvador, a Embrapa Mandioca e Fruticultura é a única das 43 Unidades Descentralizadas da Embrapa no estado da Bahia. Surgiu a partir do Instituto Agronômico do Leste (IAL), construído na década de 1950, depois denominado Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Leste (Ipeal), cuja missão era desenvolver tecnologias para a agricultura regional. Destacava-se, na época, o trabalho com citros.
A Unidade foi instituída oficialmente em 13 de junho de 1975 com o objetivo de executar e coordenar pesquisas para o aumento de produção e produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos, a redução dos custos de produção e a viabilização do aproveitamento de áreas subutilizadas para mandioca e fruteiras tropicais. O projeto de implantação foi elaborado com participação de especialistas de diferentes estados e instituições e aprovado pela Diretoria-Executiva da Embrapa em 19 de fevereiro de 1976, quando os trabalhos se iniciaram, efetivamente, focados em culturas (atualmente abacaxi, banana, citros, mamão, maracujá e mandioca) e com abrangência nacional.
A Unidade ocupa uma área de 260 hectares e dispõe de 16 laboratórios, casas de vegetação, estufas, telados, centro de treinamento, biblioteca e campos experimentais com nove coleções de espécies e variedades de mandioca e fruteiras.
“Mandioca e frutas tropicais têm enorme importância para a segurança alimentar e nutricional da população brasileira e a sustentabilidade socioeconômica de milhares de famílias. A Embrapa Mandioca e Fruticultura tem contribuído com tecnologias e apoio a políticas públicas relacionadas a essas cadeias de valor e, portanto, para o futuro da segurança alimentar em nosso país. Seguindo nesse caminho, estão em curso ações direcionadas à mitigação do efeito das mudanças climáticas e ao desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis e de tecnologias para intensificação sustentável da produção”, afirma o chefe-geral Francisco Laranjeira.
Fruticultura
Praticamente toda a citricultura do Nordeste e do Norte do Brasil é alicerçada nas variedades copa selecionadas e recomendadas por esta Unidade, trabalho iniciado ainda no período do Ipeal. Pré-imunizada naturalmente com estirpe fraca do vírus da tristeza dos citros, que funciona como uma “vacina” a essa doença, a ‘Pera D6’ se tornou, desde 1972, a única fonte de material propagativo de laranjeira doce das duas regiões. Atualmente, a Embrapa Mandioca e Fruticultura assume papel de liderança na coordenação de projetos relacionados ao huanglongbing, a mais severa doença da citricultura, um dos agronegócios mais importantes do País.
A colaboração da Embrapa Mandioca e Fruticultura tem sido importante na criação e manutenção de dezenas de polos de produção, incluindo o Semiárido, que se sobressai pela exportação de frutas frescas de excelente qualidade graças a técnica desenvolvida, no início da década de 1990, com a adaptação de tratamento hidrotérmico utilizado em outros países às condições nacionais e ao combate à mosca-das-frutas — à época a técnica era utilizada para outras pragas. “Em outros países a tecnologia não contemplava as espécies de importância quarentenária, que são a Ceratitis capitata, Anastrepha oblique e A. fraterculus”, conta o pesquisador Antonio Souza Nascimento, que liderou os trabalhos com diversas instituições parceiras, incluindo o monitoramento das populações da mosca no campo para subsidiar o controle feito com métodos isentos de químicos, como a instalação de iscas no pomar e outras técnicas de manejo integrado de pragas (MIP).
O programa de melhoramento genético de bananeira coordenado pela Embrapa Mandioca e Fruticultura desde 1976 desenvolveu e disponibilizou aos agricultores do Norte do País, em 1998, cultivares resistentes à Sigatoka-negra, doença até então desconhecida no Brasil e que causaria grande impacto social e econômico se atingisse os bananais. “Foi a salvação para aqueles produtores, pois era uma doença nova, não tínhamos tecnologia nem produtos para controle, e as condições no Norte eram totalmente favoráveis ao desenvolvimento da doença’, conta Edson Perito Amorim, líder do programa. Além disso, as variedades mais cultivadas no Brasil (cerca de 60% da produção) são a ‘Prata-Anã’ e a ‘Pacovan’, recomendadas pela Unidade.
Inovações e ajustes tecnológicos propostos pela Unidade estimularam a produção de abacaxi no Brasil, que passou a ser um dos maiores produtores mundiais, favorecendo as empresas familiares, principais responsáveis pelo cultivo. A equipe técnica participou da evolução da cultura em muitas regiões produtoras, a exemplo do semiárido baiano e do Tocantins.
A pesquisa com mamão evoluiu significativamente e a cultura está bem estabelecida principalmente nas regiões do Extremo Sul da Bahia e no Norte do Espírito Santo, também exportadoras. A Unidade também desenvolve conhecimentos e tecnologias aplicáveis à fruticultura orgânica, de práticas de preparo e manejo do solo aos manejos cultural, nutricional, de irrigação, pragas, colheita e pós-colheita.
Mandioca
Alimento básico de grande parte da população, a mandioca atravessa transformações. Em muitas regiões, passou de tradicional cultura de subsistência para o status de cultura do pequeno ao grande agronegócio, ofertando derivados de alto valor agregado. A farinha ainda é fundamental, mas a fécula ancora muitos empreendimentos, sobretudo no Centro-Sul. Para atender a essa demanda, a Unidade lançou variedades para a indústria com alto rendimento de amido, adaptadas a diferentes condições ambientais e com resistência a doenças e pragas.
Alianças estratégicas com iniciativa privada e organizações de produtores aprimoram a cadeia produtiva em várias regiões e podem servir de modelo para ações integradas similares em outras partes do País, com impactos positivos para a vida de milhares de produtores.
Desafios e perspectivas
A atuação próxima à iniciativa privada se impõe pela necessidade de aumentar a velocidade de adoção dos ativos tecnológicos e a confiança da sociedade na Empresa. As ferramentas e os mecanismos da inovação aberta são aliados para vencer esses desafios.
Nos últimos anos, a Unidade investiu na agricultura digital, criando, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), aplicativos gratuitos para produtores e técnicos, como o Guia de Identificação e Controle de Pragas do Maracujazeiro (AgroPragas Maracujá) e o Sistema Integrado de Monitoramento de Pragas (SimpMamão). Também ingressou no ensino a distância, oferecendo cursos gratuitos por meio da plataforma e-Campo, vitrine coorporativa de capacitações on-line. A partir da pandemia da covid-19, a Embrapa Mandioca e Fruticultura reinventou-se e ampliou sua presença nas redes sociais ao promover webinars pelo YouTube e Facebook e ingressar no mundo dos podcasts, no LinkedIn e no Instagram, fortalecendo o relacionamento com a sociedade.
A Unidade integra um conjunto de instituições que coordenam pesquisas que buscam o controle da murcha de Fusarium, anteriormente conhecida por mal-do-Panamá, doença de solo causada pelo fungo Fusarium oxysporum f.sp. cubense (Foc), endêmica em todas as regiões bananicultoras do mundo e, historicamente, uma das doenças mais destrutivas da cultura. A Embrapa Mandioca e Fruticultura também lidera ações de prevenção e mitigação de riscos à entrada da raça 4 de Fusarium, ainda não presente no País.
Uma ação em parceria com empresa privada visa à produção de minimanivas de mandioca para reduzir a maior limitação da cultura: material de plantio para a rápida difusão de novas variedades ou variedades de valor. Com o mesmo objetivo, segue a “Rede de multiplicação e transferência de materiais propagativos de mandioca com qualidade genética e fitossanitária” (Reniva), sendo que o primeiro se volta mais à produção industrial e o segundo, à agricultura familiar. Com o desenvolvimento de cultivares e melhorias no sistema de produção, espera-se chegar à sustentabilidade dos plantios.
Texto: Léa Cunha


Foto: Marcela Nascimento


Foto: Divulgação 
Foto: Antonio Augusto/ Ascom/ TSE
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem por Alexander Fox | PlaNet Fox da Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Image by NickyPe from Pixabay
Imagem Ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Tribuna do Recôncavo
Foto: Mariana Guimarães
Imagem Ilustrativa | Arquivo: Tribuna do Recôncavo
Imagem de
Foto: Internauta do Tribuna do Recôncavo
Imagem de tookapic por Pixabay
Imagem ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Image by Steve Buissinne from Pixabay
Foto: PRF
Imagem Ilustrativa de StockSnap por Pixabay
Foto: Reprodução/ Vídeo
Image by VSRao from Pixabay
Arquivo Pessoal
Imagem de Radoan Tanvir do Pixabay
Foto: Elaine Castro
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Reprodução/ Video
Foto: Internauta do Tribuna do Recôncavo
Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
Imagem de Gerd Altmann do Pixabay
Imagem ilustrativa de Tumisu por Pixabay
Image by Wokandapix from Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de Mohamed Hassan do Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
Foto: Djalma Ameida/ CPN
Imagem ilustrativa de Emslichter do Pixabay
Imagem de Cindy Parks do Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Vinícius Guimarães
Imagem de mohamed Hassan do Pixabay
Imagem ilustrativa de Wokandapix por Pixabay
Imagem de jessica45 por Pixabay
Foto: Letícia Oliveira
Imagem ilustrativa by analogicus from Pixabay
Imagem de mohamed Hassan por Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de Pexels por Pixabay
Imagem Ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem por Karolina Grabowska de Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Victor Ferreira/EC Vitória
Foto: PM
Imagem de Peter Kraayvanger por Pixabay
Imagem ilustrativa de Ivana Tomášková por Pixabay
Imagem ilustrativa de Pixelharvester por Pixabay
Foto: Tribuna do Recôncavo
Arquivo | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Imagem Ilustrativa de Free-Photos do Pixabay
Foto: Uanderson Alves/ Tribuna do Recôncavo
Arquivo Pessoal
Imagem ilustrativa de KarriTsa por Pixabay
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
Arquivo Pessoal
Imagem de Md Sabbir Hossain por Pixabay
Arquivo Pessoal
Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia
Arquivo Pessoal
Imagem de Roman Grac por Pixabay
Arquivo Pessoal
Imagem Ilustrativa by Pexels from Pixabay
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ EBC/ FotosPúblicas
Arquivo Pessoal
Imagem Ilustrativa de Harald Landsrath do Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil
Imagem ilustrativa de mike1497 por Pixabay
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Arquivo Pessoal
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil 

Arquivo Pessoal
Imagem ilustrativa by PublicDomainPictures from Pixabay
Imagem de Alexa do Pixabay
Fotos e arte: Divulgação
Imagem de Céline Martin por Pixabay
Imagem de Vishnu R por Pixabay
Imagem de Darko Stojanovic de Pixabay
Imagem ilustrativa de Michal Křenovský por Pixabay
Imagem de congerdesign por Pixabay
Imagem ilustrativa de ktphotography por Pixabay
Imagem ilustrativa de Pexels do Pixabay
Imagem Ilustrativa de sungmin cho por Pixabay
Imagem de David Mark do Pixabay
Foto: Nice Santana