Por Giordania R. Tavares – graduada em administração.
Conforme dados divulgados em maio de 2023 pela Catho, empresa de recrutamento on-line, 38% das corporações brasileiras não contratariam pessoas LGBTQIAPN+ para cargos de gestão e 7% das empresas não admitiriam esses profissionais em nenhuma circunstância. Infelizmente, no segmento industrial, este cenário não é diferente, destacando um preconceito ainda existente e desafiador para os dirigentes.
Neste aspecto, é evidente que as companhias precisam se conscientizar de que alguns tipos de gestão estão ultrapassadas e já não cabem mais no mundo corporativo. Para além do óbvio – de que preconceito é crime e violência psicológica que pode desencadear problemas como a depressão – é necessário ressaltar que a discriminação faz com que gestores e corporações percam a oportunidade de contar com excelentes profissionais, capazes de potencializar as equipes e, por consequência, os resultados alcançados.
É passada a hora de a indústria e o mercado corporativo na totalidade, entenderem que um profissional deve ser avaliado por meio do intelecto, habilidades e competências desenvolvidas. É preciso mudar mais do que as formas de contratação. As companhias devem dar importância à transformação de cultura e valores internos.
Ainda no aspecto interno, vale o alerta para as organizações sobre o fato de que qualquer mudança efetiva na cultura organizacional precisa ser impulsionada de cima para baixo. Não há no mundo campanha de conscientização, palestra, comunicado ou qualquer ação promovida pela equipe de recursos humanos e marketing que tenha êxito, caso o comportamento dos líderes e gestores da corporação vá de encontro à transformação proposta.
Ademais, é válido ressaltar que o desenvolvimento de um ambiente de trabalho receptivo a colaboradores LGBTQIAPN+ depende também da postura das organizações diante dos inaceitáveis casos de preconceito. Para se ter uma ideia, conforme a pesquisa Orgulho no Trabalho, elaborada em 2022 pelo LinkedIn, 43% das pessoas LGBTQIAPN+ já sofreram algum tipo de discriminação por parte de colegas ou líderes da empresa em que trabalham. Neste cenário, faz-se necessário lembrar que a denúncia de tais situações é de responsabilidade de todas as testemunhas e que é dever das corporações assegurar a integridade de delatores, bem como a tomar medidas cabíveis contra ações de cunho preconceituoso.
Ponderando os dados citados anteriormente, juntamente com a análise de pesquisas e outros estudos sobre o mercado corporativo, fica evidente que faltam muitos passos até a conquista de ambientes de trabalho receptivos e igualitários para as pessoas LGBTQIAPN+. Contudo, podemos contribuir na conquista desses espaços, ao enaltecer a capacidade que todo ser humano tem de transformar e aperfeiçoar cenários e situações a favor do desenvolvimento da sociedade e da benevolência humana.
*Giordania R. Tavares é graduada em administração pela UNICID, com especialização pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. A executiva tem mais de 20 anos de experiência no mercado de portas rápidas industriais e equipamentos desenvolvidos especialmente para isolamento e segurança dos mais variados ambientes industriais e logísticos, e como CEO foi responsável por tornar a Rayflex expoente de mercado no Brasil e na América Latina.
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