Salvaguardar, valorizar e preservar a história e a memória da capoeira e de seus mestres e mestras; promover o acesso dos baianos a informações sobre essa manifestação cultural e difundir a luta-dança enquanto patrimônio imaterial e cultural são os principais objetivos do Projeto Capoeira nas Ondas do Rádio, que está em sua segunda edição. A ação de cunho informativo e educativo será iniciada no dia 29 de Novembro, com a gravação dos primeiros programas sobre conteúdos específicos da capoeira. Todos serão veiculados em inserções diárias em rádios baianas ao longo do mês de janeiro de 2023.

Os protagonistas desta edição são os mais tradicionais e renomados mestres e mestras de capoeira da Bahia, que gravarão “pílulas” de um minuto acerca de diferentes temas relacionados à capoeira. As rádios parceiras ainda estão sendo selecionadas pela empresa idealizadora, a Maré Cheia Produções Criativas e Sustentáveis. A iniciativa conta com o apoio do Centro de Culturas Populares e Identitárias, Governo do Estado da Bahia, Secretaria de Cultura, Secretaria da Fazenda e Fundo de Cultura da Bahia (FCBA).

De acordo com a curadora do Projeto, Franciane Simplício, professora de capoeira do Grupo Gangara mais conhecida como Bisonha, os mestres e mestras foram convidados(as) a partir das diferentes linhagens da capoeira, a fim de garantir a diversidade. “A grande ideia do Capoeira nas Ondas do Rádio é a valorização de mestres e mestras de capoeira enquanto cultura viva, detentores(as) de conhecimento e porta-vozes da sua própria cultura”, frisou a mestra em educação que, há alguns anos, desenvolve ações de políticas públicas para a comunidade.

As gravações serão iniciadas ainda em novembro com o intuito de fortalecer as comemorações do Novembro Negro na Bahia. “Essa foi a forma que encontramos de homenagear nossos mestres e mestras que, com orgulho de sua negritude e de seu ofício, disseminarão conhecimento e cultura para toda a população baiana através das ondas do rádio”, declarou Franciane Simplício. Cada mestre(a) participante do Projeto receberá o valor de R$1 mil reais, como forma de incentivo e valorização do seu trabalho.

Para o jornalista Ricardo Medeiros, o rádio continua sendo um grande veículo de comunicação de massa e a mídia de maior penetração na sociedade, configurando-se como uma grande fonte de notícias, lazer e entretenimento. “Além de agregar a vantagem da instantaneidade da informação, o rádio é um meio de comunicação companheiro dos deficientes visuais e acessível até para analfabetos. Ademais, ele fortalece, na vida do cidadão e da comunidade a que pertence, a ideia de pertencimento, de empoderamento sobre o que é nosso, nossas raízes e tradições”, frisou o Doutor em Rádio.

Além de ser de fácil aquisição, o rádio não exige que a pessoa pare o que está fazendo para escutá-lo. “Por todas as suas características, vamos aproveitar o fascínio que o rádio exerce nos ouvintes, para atrair a atenção do público para a capoeira, salvaguardando esse fazer cultural tão expressivo na nossa cidade e no mundo”, acrescentou Franciane Simplício.

Em 2018, através do Edital Capoeira Viva Salvador da Fundação Gregório de Mattos, a Maré Cheia Produções Criativas e Sustentáveis realizou a primeira edição do Projeto Capoeira nas Ondas do Rádio, com veiculação de programas durante dois meses pela Rádio Educadora FM 107. Naquela ocasião, os protagonistas foram pesquisadores da capoeira, tais como Neuber Leite, Pedro Abib, Vítor Castro, Rosangela Araújo, Antonio Liberac, Maria Luisa, Franciane Simplício, Paulo Magalhães e Eduardo Correia, entre outros.

A curadora do Projeto, Franciane Simplício, atuou como organizadora e/ou pesquisadora de diversos livros, tais como: “Maltas de Saia – histórias das mestras de capoeira da Bahia” (2021), “Capoeira em múltiplos olhares – estudos e pesquisas em jogo” (editado em 2016 e relançado em 2020), “Pensando a capoeira – dimensões e perspectivas” (2015), “A Capoeira em Salvador – Registro de mestres e instituições” (2015) e “Mestres e capoeiras famosos da Bahia” (2009).