A defesa do diretor do INSS, Antônio Carlos Bispo da Silva, e do vereador Luciano Borges (PP), alvos da Operação Palha Grande, em Sapeaçu, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, dia 04, diz que não há provas concretas de que houve concessão de benefícios, por parte dos investigados. Em entrevista, o advogado Anísio Neiva, responsável pela defesa do vereador e do diretor da agência do INSS, disse que teve acesso aos autos do processo e que nestes, nada consta contra seus clientes.
Nesta sexta-feira, dia 04, deve ocorrer uma audiência de custódia onde será ouvido Antônio Carlos Bispo da Silva, que está preso preventivamente na superintendência da PF em Salvador. “Verificamos que existem algumas irregularidades inclusive com o Luciano, porque nas supostas citações existe um outro Luciano, mas tomamos pé da situação hoje e acredito que fique comprovada a inocência dos meus clientes por não ter nenhuma comprovação de ilícito cometido”, disse o advogado.
Ainda de acordo com a defesa dos acusados, não há provas de nenhum tipo de facilitação e concessão de benefícios previdenciários na APS de Sapeaçu, em favor de supostos segurados especiais rurais do INSS, como aponta a PF. “A acusação é que o gerente facilitava e utilizava de documentos que não eram lícitos, mas a gente verificou que não existe nenhuma comprovação nos autos desta prática. O que existe é que Sapeaçu é uma cidade muito pequena, todo mundo se conhece e o gerente é uma pessoa superacessível e conhecido de todos. As pessoas o procuravam na agência ou via telefone no período da pandemia pra tentar uma solução para seus problemas. Alguns processos eram deferidos e outros não”, argumentou.
O advogado acredita que a prisão do servidor do INSS será revogada o quanto antes já que, segundo ele, a linha de defesa conseguirá comprovar que as ligações interceptadas pela PF apontam apenas terceiros. “As ligações interceptadas citam os nomes [do vereador Lucas e do gerente do INSS Antônio Carlos] de forma bem abstrata. Aqui existe uma prática, ainda mais na pandemia com a agência fechada e os servidores em casa, sr. Antônio despachava seus processos de dentro de casa. Acho que foi uma interpretação de forma equivocada, mas vamos provar nos autos que os dois representados são inocentes”, reafirmou.
De acordo com a PF, a estimativa é que o prejuízo causado pelas fraudes no INSS supere R$ 2 milhões obtidos na concessão de 132 benefícios com constatações de fraude. As evidências levantadas pela investigação apontam que Antônio Carlos Bispo da Silva, à frente da agência do INSS, concedia os benefícios, mesmo em desacordo com a legislação. A PF acredita ainda que o acusado praticava tais condutas em favor de clientes de ao menos dois grupos de intermediários com atuação na região, sendo um deles ligado ao Sindicato de Trabalhadores Rurais de Santo Antônio de Jesus/BA.
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