Representantes das religiões de matriz africana realizaram na manhã de quinta-feira, dia 5, uma manifestação na porta do Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep), localizado no bairro da Jurema, em Vitória da Conquista, no centro-sul da Bahia. O ato foi realizado  para protestar contra um ataque que destruiu os espaços sagrados da Comunidade Tradicional de Terreiro Nzo Reino Nzaazi, também conhecida como Casa de Xangô.

O caso aconteceu no último domingo, dia 1º, e é considerado o primeiro caso de intolerância religiosa de 2023. No momento da ação, não havia ninguém no terreiro, já que a yalorixá Simone Souza Oliveira havia saído com os filhos de santo, por volta de 21h para uma confraternização de ano novo. Ao chegar em casa, as 3h do dia 01 de janeiro, ela encontrou o imóvel revirado, com imagens, assentamentos dos orixás, panelas, prateleiras, fogão, geladeira e até roupas destruídas.

Os membros do terreiro, assim como o presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia (Afa), LKeonel Monteiro, que acompanha o caso, tratam a situação como intolerância religiosa. No entanto, a ocorrência foi registrada como dano, conforme explicou em entrevista ao programa Mojubá na última segunda-feira.

“Infelizmente as nossas delegacias não estão preparadas para atender esse tipo de ocorrência. O boletim foi registrado como dano ao patrimônio, dano material, minimizando algo muito danoso, muito grave, que é a intolerância religiosa. Isso só reforça a necessidade de termos uma Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que a Bahia ainda não tem”.

O homem não foi preso, já que ele foi identificado, ouvido na delegacia e liberado. Além da Afa, a Ordem dos Advogados do Brasil seção Bahia (OAB-Ba) informou que irá acompanhar o caso.

Metro1