Das 18 pessoas presas na área da Cracolândia, na noite deste sábado, dia 22, seis já foram liberadas e voltaram para as ruas. Eles responderão o processo em liberdade, segundo informou o secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite, durante uma entrevista coletiva na Praça da República, no centro da capital paulista. Entre os presos, 16 eram envolvidos no tráfico de drogas, furtos e roubos, e dois eram procurados pela Justiça por não terem retornado à penitenciária depois de uma saída temporária de presos.

O secretário disse Derrite que a operação de sábado foi extremamente positiva, já que o papel da segurança pública na região é identificar os traficantes de drogas que agem no local. “Não é uma tarefa tão simples separar o traficante do usuário e do morador de rua, e nesse aspecto houve um trabalho de inteligência da Polícia Civil. Foi um trabalho investigativo, usando tecnologia, que durou um bom tempo justamente para que nós tivéssemos robustez de provas para o indiciamento e prisão em flagrante na certeza de que eram traficantes de drogas”, explicou.
Segundo o secretário, a ação de sábado é uma continuidade do trabalho que já vem sendo feito por dois distritos policiais na área da Cracolândia. “De janeiro até aqui o aumento da produtividade operacional está em cerca de 50% no número de prisões e de mais 50% no número de apreensões de drogas. Eu estou falando de 1.400 criminosos presos na área central só por tráfico de drogas”. Do início do ano até agora, foram apreendidas mais de meia tonelada de drogas na Cracolândia.
Derrite informou que estão sendo implementadas novas ações, como a fiscalização de pessoas presas e liberadas em seguida, por meio de tornozeleiras eletrônicas, autorizadas pelo Tribunal de Justiça. “Já temos 200 à disposição que podem começar a ser utilizadas no Fórum da Barra Funda. Estamos só aguardando o ato de assinatura do presidente do TJ junto com o governador [de São Paulo] Tarcísio de Freitas ou comigo para que possamos colocar isso em prática”. A previsão é a de que ainda em julho essa medida seja efetivada.
O secretário disse que é possível ainda que seja utilizada a Justiça Terapêutica, que é um acordo de não persecução penal do indivíduo, desde que ele aceite e se comprometa a se submeter a um tratamento em uma clínica. “Isso é possível. Mas estamos aguardando porque depende de acordo com o Judiciário, é um ajuste com o Poder Judiciário. Eu acho que é uma medida extrema, mas é mais uma ferramenta válida para buscar resolver esse problema. Mas só pode ser feito com quem não possui antecedentes criminais, o que gera uma grande dificuldade, porque de 65% a 70% deles possuem antecedentes criminais”, disse.
Segundo Derrite, a escolha da Praça da República, um dos 15 endereços com maior número de roubos e furtos, se deu ao fato de que os indicadores criminais vêm se reduzindo devido à Operação Impacto Centro, com mais policiamento. “Nós entendemos que são marcos históricos da capital paulista, então em qualquer momento do dia vai ter um ponto de estacionamento da Polícia Militar, viaturas da guarda municipal. A Praça da República e a Praça da Sé são pontos escolhidos para iniciarmos essa retomada do território”.
De acordo com Derrite, os roubos e furtos só diminuirão ou acabarão quando o Congresso Nacional se debruçar sobre a lei e alterar pontos que beneficiem os criminosos. “Não posso garantir que vai acabar porque não depende só de nós. Somos tão vítimas quanto a população. Olha o retrabalho que estamos tendo. Os 18 que foram presos no sábado, todos já tinham sido detidos, ou seja, é o retrabalho da polícia, porque infelizmente para o bandido o crime compensa”, ressaltou.
Fonte: Agência Brasil.


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