Por Lindaiara Conceição – Jornalista 

Emiliano Martínez pode fazer dancinhas, sem problemas, ele está feliz, não fez para provocar o rival, pode pintar o cabelo, não tem nada demais isso, fazer gesto obsceno ao receber o troféu de melhor goleiro, que tudo bem, nenhum problema um argentino fazer isso, tudo ok, se sua torcida entoar cânticos racistas, xenofóbicos, dentre outros termos desprezíveis, ah, mas foi a “torcida”, e tranquilo, os jogadores nos vestiários ofendendo Pelé e os brasileiros, afinal, a provocação faz mesmo parte do futebol, não é verdade?

Eles podem tudo isso, não tem bandeirão maior que o pano que é passado para os “hermanos”, por uma senhora parcela de brasileiros, não importa o que façam, são exaltados, chamados até de “Deus”, até porque, para estes torcedores, não tivemos, não temos e nunca teremos “gênios”, todos possuem nacionalidade argentina sendo os únicos dignos de toda idolatria, e pasmem, o Brasil não é o país do futebol, quem de importante fez história por aqui? Ninguém! Maradona, Di Maria, Di Stéfano, Messi, Batistuta, Riquelme, sim, estes estão na glória eterna. Pelé, Ronaldo, Ronaldinho, Zico… Romário… Garrincha, Rivelino, o que eles fizeram? A “seleção canarinho” não tem legado algum, não é verdade?

Ah, mas o futebol fez justiça para Messi, ele merecia, é um gênio, um “Deus”… Desde quando o futebol realmente é justo? Não existe justiça no futebol e ponto. Quatro anos de críticas por conta da CBF não marcar um amistoso contra europeu, mas a AFA fez o mesmo, mas uma vez, eles podem, os daqui não. Nada lá é questionado, apenas idolatrado e esta é a diferença. Se os nossos atletas dançam, pintam cabelo, comem carne com ouro, são crucificados, do outro lado, podem quebrar cinquenta artigos dos direitos humanos, que são protegidos como bons “Barrabás”, por isso, a seleção brasileira nunca será a melhor para a pior torcida que tem, torcida esta que, enxerga o verde da grama do vizinho, mas fecha os olhos para as nossas florestas, ninguém liga se Daniel Alves, brasileiro, baiano, nordestino é o atleta com mais títulos no mundo, se ganhar todos os títulos é o que vale, então ele seria um “Deus”?? Não, para esta torcida, três títulos, contando um de mão, também idolatrado para “mão de Deus”, valem mais do que cinco e uma história irretocável no futebol mundial. Não existe erro algum em reconhecer resultados de sucesso de outras grandes inspirações, o problema é desfazer, diminuir e não exaltar igualmente os feitos do nosso futebol.

Texto: Lindaiara Conceição – Jornalista DRT 4868