Por Luciano Ferreira Lima – Advogado e Gestor de Projetos Políticos

No artigo de hoje, dando prosseguimento a abordagem sobre Os Eleitores e os Tipos de Votos, onde já conversamos sobre: Voto Duro ou Voto de Base do Candidato e Voto Impossível ou Voto de Base dos Adversários; estudaremos outras espécies de votos:  Votos Persuasíveis e Maleáveis, Possíveis e Indecisos, Voto Útil, Voto de Exclusão, Voto Estratégico e o Voto Ideológico.

Esperamos que você, que iniciou essa leitura e se interessa pelo tema, acompanhe aqui, as publicações semanais dos artigos e, se possível, visite minhas redes sociais e compartilhe com os amigos. Vamos nessa?

BOA LEITURA!

Outras Espécies de Votos.

No marketing político, a principal estratégia de convencimento e conversão do eleitor é a persuasão. Embora existam um bom número de eleitores inclinados a favor de um ou outro candidato, a maioria dos cidadãos permanecem numa “zona de espera” ou “de estudo” à disposição, para serem convencidos.

Um bem exemplo é o índice de eleitores que, em pesquisas, declaram que votarão nulo, em branco ou se absterão de votar nas próximas eleições. Com a proximidade das eleições, esses índices tendem a diminuir e grande parte esses eleitores passarão a compor um dos grupos de votos aqui apresentados.

Votos Persuasíveis ou Maleáveis.

É identificado, mediante pesquisa, no grupo de eleitores que se declara a favor de um determinado candidato, mas algumas de suas respostas são contraditórias.

Eles apresentam desacordos em relação as principais ideias do mesmo, desconhecem ou ainda não formaram uma impressão em relação aos adversários do candidato escolhido. Embora indique sua preferência, esse grupo pode apreciar outros candidatos.

Esses eleitores demonstram inclinação para o candidato, mas podem ser persuadidos a votar em qualquer um de seus oponentes.

Por mais que haja uma inclinação a favor de determinado candidato, esses votos podem mover-se para qualquer direção. Representando amplas possibilidades de mudanças.

A comunicação com esses eleitores deve ser muito bem ponderada pela equipe de marketing político. Evitando o confronto dual (bem versus mal, honesto versus desonesto etc.) e investindo na comparação indireta entre os concorrentes, baseada na imagem, na narrativa, na reputação e nas realizações já implementadas.

Esses votos podem ser observados também, em uma relação critica, não radical, a determinado candidato; onde o desconhecimento ou a falsa informação podem levar a uma resistência ao seu nome.

Nesse caso, será necessário um forte investimento da equipe de marketing político, estabelecendo um plano de comunicação, direcionado a esse grupo de eleitores, baseado principalmente, na construção ou na reconstrução da imagem do candidato.

Votos Possíveis ou Indecisos.

Representado por aqueles eleitores que realmente não têm preferência por qualquer dos candidatos que concorrem. Esse grupo, por mais indefinido que seja, configura um importante bloco para o candidato.

Por mais que não tenham decidido por determinado candidato, esses eleitores compartilham muitos temas de sua campanha, têm uma boa imagem do mesmo ou, simplesmente, desconhecem-no e, portanto, não o desabonam. Havendo, destarte, baixa resistência a qualquer candidato. Sendo, por essas razões, plenamente passíveis de convencimento.

Esse grupo de eleitores pode ser composto por Votos Maleáveis de alguns dos adversários ou ainda daqueles que não decidiram em quem votar. Assim, eles configuram um alvo importante na campanha; e trabalhar para conseguir sua adesão é primordial.

Eles podem de fato, não afirmar votar no candidato, no momento em que são consultados. Contudo, se esse candidato souber se comunicar, ele poderá conseguir esse voto.

Voto Util.

As eleições em nosso país geralmente são marcadas pelo grande número de candidaturas, tanto para o executivo quanto para o legislativo. Essa pulverização, amplia a possibilidade de escolhas pelo eleitor. Como nem todos os candidatos são competitivos, o eleitor, diante desse cenário pulverizado, concentra suas escolhas em um pequeno grupo que, pela sua visão, são competitivos.

Esse comportamento do eleitor, em regra, se funda em três motivos: a) evitar o desperdício, votando em quem não tem chance; b) ser parte de uma candidatura vencedora e c) evitar o segundo turno das eleições (em cidades com mais de 200 mil habitantes). Dando assim, segundo o seu entendimento, utilidade ao seu voto.

Voto de Exclusão.

Muito mais comum nas eleições majoritárias, o Voto de Exclusão se dá quando o eleitor escolhe um candidato simplesmente pela maior rejeição à alternativa. Esse comportamento eleitoral é frequentemente observado no segundo turno das eleições para o poder executivo. Presidente, Governadores e Prefeitos.

Baseado na escolha do “menos pior”, esse fenômeno pode ter decidido as eleições de 2018, entre Bolsonaro e Fernando Haddad, no segundo turno. Seu objeto não é simplesmente ganhar a eleição, mas acima de tudo, derrotar o candidato rejeitado. Esse fenômeno, denominado “Teoria dos Jogos”, é estudado em várias áreas de conhecimento cientifico.

Voto Estratégico.

O Voto Estratégico é um comportamento onde o eleitor não pensa apenas em sua preferencia eleitoral, mas olha para a eleição como um todo. Ele pode escolher o candidato pelo fato dele servir à base de apoio de determinado governante ou por compor um grupo político ou partidário.

Pensando na governabilidade ou na conquista das demandas de seu grupo social ou geográfico; o eleitor pode escolher o candidato com base em seus relacionamentos com o Presidente, o Governador, o Prefeito ou outros indivíduos com maior poder político e institucional. Pode o eleitor votar estrategicamente, em favor de um determinado candidato, por considerar que ele será mais facilmente derrotado pelo seu candidato, no segundo turno das eleições.

Esse comportamento eleitoral é raro. Principalmente por requerer uma maior analise do cenário eleitoral. Nessa equação são aferidas: as propostas dos candidatos, as pesquisas, a viabilidade eleitoral, a conjuntura política etc. Esses fatores, geralmente, não estão disponíveis ou, não são de fácil compreensão pela maioria dos eleitores.

Voto Ideológico.

O Voto Ideológico é, de todos eles, o de mais fácil assimilação. Ele ocorre quando o eleitor baseia sua votação em uma posição ideológica, idêntica a de um candidato. Em sua decisão ele não leva em consideração a possibilidade de vitória, a governabilidade, a formação de blocos ou bancadas ou os demais concorrentes. Ele busca a afirmação de sua ideologia. O Voto Ideológico pode ser observado também, quando o eleitor é politicamente ativo. Esse ativismo pode ter origem em causas identitários, sistema de governo, formas de poder etc.

Essa espécie de sufrágio normalmente é praticada por eleitores que ocupam os extremos dos espaços políticos: extrema direita e extrema esquerda, onde os aspectos ideológicos, dominam o debate político e eleitoral. Em tese, cada campanha pode contar com a maior parte dos votos de base e, além desses, precisa convencer um segmento mais amplo de eleitores das demais categorias, para ganhar a eleição.

Com a boa utilização do marketing político, com técnicas de persuasão, dentro de um Projeto Eleitoral, com um candidato disciplinado, uma boa estratégia e um bom plano de pesquisa é possível superar as dificuldades, que o processo impõe. Sendo a maior delas: conquistar os eleitores.

Na próxima semana, conversaremos sobre Técnicas de Persuasão Aplicada a Campanha Eleitoral.

Obrigado! 

 Os Eleitores e os Votos: Persuasível, Maleável, Possível, Indeciso, Útil, de Exclusão, Estratégico e Ideológico - artigosLuciano Ferreira Lima

Consultor e Gestor de Projetos Políticos, Mestrando em Ciência

Política, Advogado, Professor Universitário e Articulista.

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