A tentativa de homicídio contra a própria mãe fez um garoto de 14 anos tomar os noticiários de polícia da Bahia no último final de semana. Identificado e apreendido, o jovem tem histórico de agressões contra a genitora e confessou a parentes e funcionários do prédio onde morava, no bairro 2 de Julho, em Salvador, não se arrepender do crime. Com golpes de estilete, o garoto partiu para a violência quando foi confrontado sobre seu comportamento na escola, após a mãe receber reclamação da diretoria da unidade de ensino. Nesta segunda-feira (29), o namorado da vítima relatou os casos anteriores de agressões e revelou que o menino ficou sem videogame, o que motivou ainda mais os seus atos de violência.

“Ele já era agressivo, estão tentando justificar que a reação foi devido a agressões diárias da mãe, o que não ocorria. A escola fez contato com a mãe, informando que o filho estava com um comportamento inadequado para a instituição e pediu que ela fosse até lá para que pudessem informar com maiores detalhes. A mãe o informou, via telefone, que conversariam quando ele chegasse em casa. Na chegada, ele deixou a mochila na sala e desceu para comprar água mineral, solicitado por ela. Quando retornou ele pegou um estilete que ficava na mesa de escritório, entrou na cozinha, falou ‘desculpa mãe’ e a apunhalou pelas costas”, relata o namorado, que preferiu não se identificar.

Ainda conforme os relatos, a mãe tentou se defender, mas o garoto acertou golpes no pescoço, busto e braço esquerdo. Enquanto acontecia a agressão, ele falava “você tem que morrer, você acabou com a minha vida”. Ela tentou ao máximo se defender e pediu por diversas vezes para que ele parasse. “O cão que vivia no apartamento com eles mordeu o garoto no calcanhar e foi neste momento que ele parou. A mãe conseguiu retirar a lâmina das mãos dele, escondeu para que não pudesse continuar com as agressões e disse que precisavam ir ao hospital. Ele começou a falar que ela tinha que morrer e não queria ficar com o pai, dizendo que o odeia”.

Procurada, a mãe do garoto corroborou com a versão do namorado e disse que conseguiu convencer o filho de que teria de abrir a porta, porque ele tinha sido mordido pelo animal e precisava tratar do ferimento. “Em momento algum ele demonstrou preocupação ou arrependimento com relação ao que tinha feito e perguntava insistentemente porquê eu não tinha morrido. Ele abriu a porta, então me dirigi até o corredor do andar do prédio e pedi socorro, foi o momento em que o zelador chegou e pedi para que ele saísse de perto de mim. Estava com medo e ensanguentada”.

A mãe então ligou desesperada para o namorado, dizendo que o garoto tentou matá-la com um estilete. “Venha para cá, preciso da sua ajuda”. Um outro funcionário do edifício acionou a Polícia Militar e o Serviço Móvel de Urgência (Samu). “Quando cheguei, a polícia tinha chegado ao local, mas preferiu não ter acesso ao garoto pelo fato de não terem dispositivos não letais, caso ele reagisse à abordagem. Houveram duas falhas nesse procedimento. Primeiro quando o pai chegou ao local, a polícia permitiu que o garoto fosse tomar banho e a farda, que estava banhada com o sangue da mãe, desapareceu. A segunda falha foi o fato da PM não ter levado o zelador à delegacia, já que ele era testemunha direta”.

“Na tentativa de justificar o injustificável, o pai acionou advogados e estão alegando que o adolescente sofria agressões diárias, o que não acontecia e não foi comprovado. O primeiro golpe foi nas costas, o que demonstra nitidamente que não foi legítima defesa. Houve um episódio há duas semana no qual ele partiu para cima da mãe e, a tia, que morava no mesmo apartamento, afastou para que ele não pudesse agredir. Devido a esse episódio, ele ficou de castigo sem poder jogar”, completa o namorado da vítima.

Matéria: Vitor Fernandes