O legado da sanfona – e consequentemente do forró – vem sendo passado adiante no município de Capim Grosso, a cerca de 277 km de Salvador. É que o sanfoneiro e professor de música, Kelvin Diniz, vem coordenando, através da Prefeitura Municipal, parte de um projeto inovador em três escolas do município baiano: Centro Municipal de Educação Integral (CMEI); Tarcília Evangelista de Andrade e Edivaldo Machado Boaventura. Trata-se das aulas com o acordeon, que têm impactado alunos do sexto e sétimo ano, proporcionando cultura e musicalidade – além de manter a chama dessas raízes mais acesa do que nunca.
Atualmente cerca de 50 alunos recebem aulas gratuitas de sanfona pelo projeto, que teve início no ano passado. Segundo Kelvin, quase todos os alunos estão sendo musicalizados através da sanfona. ‘Atualmente contamos com um repertório de dez músicas, dentre Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Dominguinhos, além de algumas diversas para apresentações gerais como Heitor Villa-Lobos, A turma do Balão Mágico e Toy Story – fora trechos de músicas avulsas que eles vão pesquisando e estudando com supervisão’, conta.
As aulas de sanfona estão inseridas na grade do projeto Escola de Música, da Prefeitura de Capim Grosso, e funciona como parte do sistema de ensino integral das escolas públicas do município – tendo uma organização que pensa no futuro dos alunos na música, indo além de uma atividade recreativa. Além de inseri-los no contexto musical, a iniciativa se torna essencial para apresentar a sanfona e outros instrumentos para os jovens, ‘renovando’ a geração do forró e passando esse legado adiante. ‘É muito gratificante trazer a musicalidade e a importância da sanfona para essa geração. Fico feliz em ver os alunos interessados pelo instrumento e aprendendo canções que marcaram diferentes épocas. Com certeza teremos bons frutos no futuro e ainda muito forró tocando’, ressalta Kelvin.
A Escola de Música conta também com aulas de outros instrumentos, como flauta, violão e saxofone, mas a sanfona ganha um ‘gostinho’ especial por conta da sua ligação com a cultura e a música regional. Boa parte dessa motivação dos alunos para aprender a manusear o fole vem do toque cirúrgico de Kelvin Diniz, um autodidata que teve seu primeiro contato com o acordeon ainda em 2005 – presenteado por um vizinho, em seu aniversário. ‘Peguei e não larguei mais’, brinca. ‘Após 20 anos, fico honrado em passar esse legado adiante’, complementa o forrozeiro.
Em dezembro, Capim Grosso contará mais uma vez com o ‘Recital de Natal’, um projeto que já tem oito anos de execução e deu seus primeiros passos apenas com o coral. Agora, a apresentação abrange toda a Escola de Música – inclusive a sanfona. O espetáculo, que já é bem consolidado no município, serve também como uma amostra do que os alunos aprenderam ao longo do ano. ‘E assim a sanfona segue tocando e o forró segue vivo em qualquer época do ano’, finaliza Kelvin Diniz.
Texto: Messias Amorim.














Imagem ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo

























































































