O que já vinha sendo cogitado há meses no meio da imprensa se confirmou. A Rádio Globo (RG) sairá do ar em definitivo em São Paulo. Segundo a direção da emissora, pertencente ao Grupo Globo, a despedida do ouvinte está programada para 31 de maio de 2020. A informações foi publicada inicialmente no Blog Cheni no Campo.
A partir de 1º de junho a marca Rádio Globo só existirá na praça Rio de Janeiro. No comunicado enviado aos colaboradores, o comando do veículo de comunicação admite que o foco já vinha sendo apenas a versão carioca “desde julho do ano passado”. Em virtude de seguir tal estratégia, os responsáveis pela RG avisam que o foco será, em primeiro lugar, ter o público jovem da capital fluminense e região como audiência. A ideia, segundo divulgam, é “fortalecer a identificação” como esses ouvintes.
Conforme descrito na nota da direção da Rádio Globo, o fim da emissora em São Paulo conclui o desfecho do programa de afiliadas mantido nos últimos anos. Apesar de registrar drástica queda de audiência com a implementação da chamada “Nova Rádio Globo”, o veículo angariou parceiros Brasil afora. O projeto chegou a ter, de acordo com o Blog Cheni no Campo, cerca de 30 afiliadas espalhadas pelo país. No início do mês passado, além de RJ e SP, a marca aparecia em outras quatro praças: Blumenau (SC), Campo Grande (MS), Feira de Santana (BA) e Salvador (BA).
Mesmo que o fim da emissora no dial de São Paulo esteja confirmado, demissões em massa não deverão ocorrer. Justamente porque a programação diária já vinha sendo gerada no Rio de Janeiro. A equipe esportiva, todavia, seguirá com as transmissões (quando eventos futebolísticos voltarem à ativa) para a CBN. Assim sendo, profissionais do segmento seguirão, por ora, como funcionários do Grupo Globo.
Tristeza entre jornalistas
No meio jornalístico, o anúncio do encerramento da Rádio Globo foi acompanhado de tristeza. Entre ex-funcionários e profissionais que se colocam como ouvintes da emissora, o assunto foi tratado com melancolia. Em seu blog para o UOL, Luís Simon, o popular Menon, lamentou o fim. “Foi assassinada pouco a pouco”, escreveu. Ele lembrou que o veículo investia em programação popular, contando com o líder de audiência Antônio Carlos e outros comunicadores. “Um gênio resolveu mudar”, ironizou o colunista.
Relembre o Show do Antônio Carlos
Pelas redes sociais, colegas de imprensa foram, sobretudo, pelo mesmo caminho de Menon. “Morre uma linda e histórica parte do rádio brasileiro. Quem é do rádio de verdade hoje vive um luto. Triste! Cresci e aprendi muito no rádio ouvindo a Rádio Globo. Desde 1978”, lamentou o narrador e apresentador do Grupo Thathi, Jorge Vinícius. “Triste notícia”, comentou o repórter Marcelo Cury. De 2013 a 2015, ele atuou como “Xerife” da reportagem da emissora radiofônica.
O comunicador Raphael de França foi mais um a entrar para o time dos que lamentam o fim da Rádio Globo de São Paulo. “O anúncio do encerramento das atividades da Rádio Globo em São Paulo, deixa todos nós tristes. Uma marca como a Globo jamais deveria deixar o maior mercado de rádio do Brasil”, publicou em seu perfil no Facebook. Ele, contudo, aproveitou o momento para relembrar quando Luiz de França, seu avô, estreou pelo veículo. O ano era 1985.
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Mais tristeza
Marcelo Cury não foi o único ex-funcionário a se posicionar publicamente a respeito da descontinuação da RG. Outros profissionais com ligação com a emissora foram nesse sentido. Foi o caso, por exemplo, de Ulisses Rocha. “O fim é sempre triste. A sensação é da perda de um amigo querido. No caso é só uma empresa que vai e ficam as recordações. Lá eu fui feliz um dia. Pena que tudo acaba”, escreveu o jornalista no Facebook.
Hoje atuando no meio da comunicação corporativa, Raquel Rodrigues começou a carreira na emissora. Por lá, foi estagiária, produtora e repórter. “Triste notícia para a cidade de São Paulo. Porém, feliz por ter participado da história da Rádio Globo durante seis anos. Foi lá que comecei a minha carreira no jornalismo, a melhor escola que eu poderia ter. Tenho muito orgulho!”, publicou a jornalista.
Reinaldo Gottino (CNN Brasil), Carlos Cereto (SporTV), Silva Júnior (Fox Sports) e Guilherme Cimatti também comentaram o fim da história da Rádio Globo em São Paulo. Os quatro também foram funcionários da emissora que durante décadas teve como slogan estar “sempre ao seu lado”. A partir do próximo mês o veículo deixará de estar ao lado do ouvinte paulista.
“Triste com o fim da Rádio Globo AM 1100. Trabalhei lá de 99 até 2005. Fui o jornalista mais jovem na época a apresentar O Globo No Ar. Tinha apenas 22 anos. Atuavamos na Rádio Globo e CBN”, Reinaldo Gottino.
“Meu sonho de criança sempre foi trabalhar nos 1100 da rádio Globo. Realizei em duas rápidas passagens, 2003 e 2007. Lamento muito pelo encerramento da rádio em São Paulo”, Carlos Cereto.
“Estou enlutado ao saber do fim da Rádio Globo de São Paulo! Foram quase 10 anos de um sonho de criança sendo realizado, falando naquele microfone e hoje terei pesadelos ao pensar em mais esse triste episódio da imprensa no Brasil! Eternamente em meu coração, querida Rádio Globo!” Silva Júnior.
“Fui muito feliz na Rádio Globo. Lá comecei a trabalhar com esportes, convivi com muita gente boa e aprendi demais. Tristeza imensa com o fim da rádio. Sinto orgulho por ter feito parte dela”, Guilherme Cimatti.
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