O período do Carnaval, marcado por calor intenso, longas horas de exposição ao sol, maquiagem pesada e uso de adereços, também tem sido sinônimo de aumento nos atendimentos oftalmológicos. Um levantamento da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro aponta crescimento entre 30% e 40% nos casos de conjuntivite tóxica ou alérgica atendidos em pronto-socorros durante a folia.
Segundo especialistas, boa parte desses quadros está relacionada ao uso inadequado de produtos nos olhos, como maquiagem não testada dermatologicamente e lentes de contato cosméticas adquiridas sem orientação médica. Dados da Revista Brasileira de Oftalmologia indicam que o uso de lentes inadequadas está entre as principais causas de úlcera infecciosa de córnea, uma condição grave que pode levar à perda visual se não tratada corretamente.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lentes de contato coloridas, mesmo sem grau, são classificadas como produtos para saúde de risco máximo (classe IV) e exigem prescrição médica. Ainda assim, o uso irregular e a circulação de produtos piratas aumentam significativamente durante o Carnaval, impulsionados pelo apelo estético das fantasias.
Para a oftalmologista Dra. Fábia Crespo, do Centro da Saúde Ocular Kátia Mello, o problema é subestimado por muitos foliões. ‘As pessoas associam a lente colorida a um acessório inofensivo, como uma bijuteria, mas estamos falando de um produto que entra em contato direto com a córnea. Quando não há avaliação médica, o risco de infecção, alergia e lesões sérias aumenta muito’, afirma.
Além das lentes, a combinação de suor, poeira, glitter e produtos químicos presentes em maquiagens pode desencadear reações inflamatórias nos olhos. A conjuntivite tóxica ou alérgica, comum nesse período, provoca vermelhidão, ardor, lacrimejamento e sensação de areia nos olhos.
A oftalmologista Dra. Cláudia Morgado destaca que muitos pacientes recorrem à automedicação, o que agrava o quadro. ‘É comum a pessoa usar colírios emprestados ou sobras de tratamentos antigos. Isso pode mascarar sintomas e até piorar a infecção. Em caso de irritação persistente, o ideal é suspender o uso de maquiagem e lentes e procurar um especialista’, orienta.
Entre as principais recomendações para quem vai curtir a folia estão evitar o uso de lentes sem prescrição, optar por maquiagens hipoalergênicas, higienizar bem as mãos antes de tocar os olhos e remover completamente maquiagem e lentes ao final do dia. O uso de óculos de sol com proteção UV também ajuda a proteger a visão durante os blocos diurnos.
Especialistas reforçam que, diante de sintomas como dor ocular, secreção, visão embaçada ou sensibilidade à luz, a procura por atendimento médico deve ser imediata. “Carnaval é tempo de alegria, mas a saúde ocular não pode entrar na brincadeira”, conclui Dra. Fábia Crespo.
Michael Fernandes

















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