As mulheres representam 31% dos empregadores na Bahia, segundo dados do IBGE de novembro de 2025. Em números absolutos, cerca de 80 mil mulheres estão à frente de negócios que geram empregos no estado. A proporção coloca a Bahia como a terceira maior do Nordeste e 11ª do país neste indicador.
O percentual revela uma diferença ainda significativa entre homens e mulheres no comando de empresas: para cada mulher empregadora, existem aproximadamente 2,2 homens na mesma condição. A presença feminina entre empregadores costuma ampliar a inserção de outras mulheres no mercado de trabalho. Levantamento do Sebrae indica que cerca de 73% dos negócios liderados por mulheres possuem força de trabalho majoritariamente feminina.
‘Na prática, isso significa que o empreendedorismo feminino tende a gerar oportunidades para outras mulheres, criando redes de trabalho e renda dentro das próprias comunidades e ampliando possibilidades de mobilidade social’, afirma Joana Macêdo, assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste.
Esse movimento aparece em diferentes setores da economia e em cidades de diversos portes no estado. Em todo o país, o empreendedorismo feminino tem ganhado espaço nos últimos anos, impulsionado por iniciativas voltadas à capacitação, à ampliação do acesso ao crédito e ao fortalecimento de redes de apoio entre as empresárias.
Em âmbito nacional, o movimento também aparece nos números da instituição financeira cooperativa Sicredi. Em 2025, a instituição encerrou o ano com uma carteira de crédito superior a R$ 17,5 bilhões direcionada a empresas lideradas por mulheres. O valor representa um crescimento de mais de 12% em relação a 2024.
Além das linhas de financiamento, o Sicredi também mantém iniciativas voltadas à formação e à liderança feminina. Entre elas está o Curso Mulher Empreendedora, criado em 2023 para apoiar o desenvolvimento de pequenos negócios. Outra iniciativa é o Comitê Mulher, que reúne participantes em atividades voltadas à liderança e à participação feminina em espaços de decisão dentro das cooperativas.
Para a assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste, o empreendedorismo feminino possui um efeito multiplicador dentro das economias locais, especialmente quando as empresas passam a gerar empregos.
‘Quando uma mulher empreende e começa a contratar, ela não está apenas ampliando um negócio. Em muitos casos, está criando oportunidades para outras mulheres que, por diferentes razões, encontram mais dificuldades para acessar o mercado de trabalho’, afirma.
Segundo ela, o acesso a crédito e a programas de capacitação tem sido um dos caminhos para reduzir as barreiras que ainda limitam a presença feminina entre empregadores. ‘A oferta de crédito, aliada à orientação e à educação financeira, ajuda a transformar ideias em negócios estruturados. Isso cria condições para que essas empresas cresçam e passem a gerar emprego e renda nas comunidades onde estão inseridas’, explica.
Diante dos dados que mostram a participação feminina entre empregadores na Bahia, Joana avalia que o cenário revela tanto avanços quanto desafios para ampliar a presença das mulheres no comando de empresas.
‘Os números mostram que ainda existe um caminho importante a percorrer para fortalecer o empreendedorismo feminino. Ao mesmo tempo, indicam o potencial de transformação que existe quando elas recebem apoio concreto para desenvolver seus projetos e expandir seus negócios’, afirma.









































































































