A pandemia da Covid-19, que determinou um regime de quarentena sem precedentes pelo mundo, terá impacto direto na oncologia. É o que apontaram os especialistas durante o Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), considerado o mais importante congresso mundial sobre câncer, que aconteceu virtualmente no último fim de semana de maio.
Especialistas do Grupo Oncoclínicas que acompanharam o evento apontaram que o diagnóstico precoce dos tumores diminuirá, já que as pessoas estão adiando agendar consultas médicas, mesmo aquelas de rotina para controle de condições previamente identificadas.
“É preocupante esse cenário, pois sabemos que o diagnóstico tardio diminui as chances de sobrevivência dos pacientes oncológicos. Então, o que podemos esperar, infelizmente, é um aumento na mortalidade nos próximos meses ou anos”, comenta Bruno Ferrari, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas.
No Brasil, estimativas das Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica indicam que, desde o início da pandemia de Covid-19 no País, ao menos 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer. E só em abril, cerca de 70% das cirurgias de câncer foram adiadas. Outro ponto negativo do impacto da pandemia, segundo o especialista, foi a interrupção do tratamento, mesmo sem recomendação médica para tal. Além disso, muitas pessoas, com medo de se contaminarem pela Covid-19, nem chegaram a iniciar os seus tratamentos:
“O isolamento fez com que muitas pessoas interrompessem, ou nem começassem seus tratamentos, por medo de contrair o novo coronavírus. Há relatos internacionais de que pacientes não puderam fazer o acompanhamento ideal, principalmente em hospitais que ficaram saturados com os pacientes da Covid”, comenta Bruno Ferrari.
As medidas de afrouxamento da quarentena já estão avançadas na Europa e na China, onde a pandemia começou, e estão em processo inicial no Brasil, em alguns estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, anunciando a abertura da economia em algumas fases. Porém, as recomendações para uso da máscara, distanciamento social e higienização das mãos continuam e agora estão sendo chamadas como o “novo normal”. Essa realidade inédita ainda vai demorar para entrar na vida dos brasileiros e muitos ainda postergaram suas visitas aos médicos, o que continuará impactando no diagnóstico e tratamento do câncer. O especialista lembra que a pandemia do COVID-19 está afetando profundamente o atendimento ao paciente e os resultados podem durar muito tempo após o término da crise.
“Oncologistas e seus pacientes enfrentam neste momento o desafio de descobrir a melhor forma de combater os dois inimigos: o câncer e o coronavírus. É importante que essas dúvidas sejam compartilhadas e discutidas em todas as esferas para que possamos ter um olhar que não deixe de lado a linha de cuidado oncológico. O câncer não espera”, diz o médico.
Novos estudos apresentados
No Encontro da ASCO foram apresentados estudos preliminares sobre prática clínica e como devem ser tratados diferentes tipos de tumores diante do atual cenário. Também foram mostradas pesquisas que apontam caminhos promissores, e eventualmente podem se confirmar no futuro como uma mudança de paradigmas no combate ao câncer, com adoção de novos protocolos para uso de medicações orais, práticas avançadas de telemedicina e o reforço da necessidade do olhar individualizado como ferramenta chave de combate à doença. Mas, inevitavelmente, toda a programação também trouxe visões sobre os impactos da Covid-19 na linha completa de cuidado oncológico.
“Trata-se de um desafio global. Milhares de pesquisas em andamento foram interrompidas e centenas de congressos científicos foram cancelados ou adiados em todo o mundo. Sem tempo para tais descobertas de evidências, iremos criar fluxos diferentes dos habituais para assegurar os tratamentos contra o câncer, propondo mudanças de condutas para preservar essa parcela da população imunossuprimida da contaminação pela COVID-19”, diz Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e coordenadora do Comitê Internacional da ASCO.
“Muitas cirurgias foram adiadas e diagnósticos deixaram de ser feitos neste momento de crise na saúde mundial. Com isso, potencialmente, poderemos ter como efeito avanços em casos da doença sendo descoberta em fases mais avançadas, o que impacta diretamente nas chances de resposta aos tratamentos no combate ao câncer”, reforça ela, que também é oncologista do Grupo Oncoclínicas.
Sobre o Grupo Oncoclínicas
Fundado em 2010, o grupo possui atuação em oncologia, radioterapia e hematologia em 11 estados brasileiros. Atualmente, conta com 68 unidades entre clínicas e parcerias hospitalares, que oferecem tratamento individualizado, baseado em atualização científica, e com foco na segurança e o conforto do paciente. Para obter mais informações, visite www.grupooncoclinicas.com.
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