A possível aprovação do fim da escala 6×1 e da redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, pode provocar impactos nos custos de produção e nos preços de alimentos e serviços na Bahia. A avaliação é do economista e CEO da Ônix Capital, Vinicius Assis.
A discussão ganhou força na Bahia após representantes de federações empresariais se reunirem em Salvador para alertar sobre possíveis efeitos da mudança. Segundo estimativas apresentadas pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), os custos da pecuária leiteira poderiam subir cerca de 22%, enquanto atividades como fruticultura, café e laranja poderiam ter aumento de aproximadamente 19%.
Na avaliação de Vinicius, setores que dependem de grande quantidade de trabalhadores podem enfrentar dificuldades para manter o mesmo nível de operação com uma jornada menor. Entre as alternativas estariam novas contratações, reorganização de turnos, redução do horário de funcionamento ou absorção de custos pelas empresas.
Comércio, serviços, turismo, transporte e parte do agronegócio estão entre os segmentos que, segundo o economista, poderiam sentir os efeitos com maior intensidade.
No setor agropecuário, por exemplo, um aumento dos custos de produção pode repercutir em outras etapas da cadeia, envolvendo transporte, indústria e comércio, até chegar ao consumidor.
O especialista ressalta, porém, que isso não significa que todos os aumentos de custos serão automaticamente repassados aos preços. Cada empresa possui uma estrutura diferente e pode absorver parte dos impactos ou buscar ganhos de produtividade.
Vinicius também chama atenção para o cenário de endividamento das empresas e dos consumidores. Dados da Serasa Experian citados no material apontam que o Brasil ultrapassou 9,1 milhões de empresas inadimplentes em junho de 2026, com R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas.
Para o economista, uma eventual mudança na jornada precisa considerar produtividade, emprego, renda, competitividade e poder de compra. Ele defende planejamento e período de transição para reduzir possíveis impactos econômicos.
A proposta ainda está em discussão, e os efeitos sobre empresas, trabalhadores, preços e emprego dependerão do formato final da medida, do período de adaptação e da capacidade de cada setor de absorver as mudanças.
Com informações da DOIS Comunicação Integrada. Texto adaptado por Hélio Alves / Tribuna do Recôncavo.
Nota editorial: As avaliações e projeções apresentadas nesta matéria são atribuídas ao economista Vinicius Assis e às entidades citadas. O conteúdo não representa, necessariamente, a opinião do Tribuna do Recôncavo.






















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