Segundo o mais recente relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgado em 2023, o Brasil se destaca como o segundo país com mais procedimentos estéticos e reparadores realizados no mundo, totalizando 8,9% do volume global, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (24,1%).
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) prevê que mais de 2 milhões de procedimentos estéticos cirúrgicos sejam registrados no Brasil em 2023, sendo que a média anual é de aproximadamente 1,5 milhão de procedimentos.
Já o setor de procedimentos estéticos não cirúrgicos, conforme a Grand View Research, atingiu em 2023 o valor global de US$ 127,1 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 633 bilhões. A estimativa do mercado é de uma taxa de crescimento anual de 14,9% até 2030.
Técnicas avançam, mas as complicações também: Um dos principais motivos deste incremento é a popularização dos procedimentos não cirúrgicos injetáveis, conforme a pesquisa ISAPS. No Brasil, a técnica em destaque é a aplicação da toxina botulínica (botox), seguida pelos preenchedores de ácido hialurônico e bioestimuladores da produção de colágeno.
Segundo o cirurgião plástico Luís Maatz, especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC/FMUSP); o problema é que, paralelamente, tem crescido também o número de complicações decorrentes destes procedimentos.
“Um dos principais motivos é que muitos especialistas de outras áreas, que não são médicos, ou médicos sem especialização em cirurgia plástica ou dermatologia, estão realizando estes tratamentos estéticos”, explica o membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
Riscos de cair em mãos erradas: O CREMESP (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) reviu processos de 289 médicos, constatando que 48,1% não possuíam qualquer título de especialidade médica.
Além disso, 49,5% tinham certificados em áreas não relacionadas à cirurgia plástica ou procedimentos estéticos. Apenas 2,1% dos médicos processados eram cirurgiões plásticos, e 0,3% eram dermatologistas com atuação em procedimentos estéticos.
Um estudo publicado na revista Plastic and Reconstructive Surgery levantou dados em 19 Estados brasileiros ao longo de 2020. Foi relatado um total de 47.360 procedimentos de preenchimento facial e 1.032 complicações, sendo que, destas complicações, 550 episódios ocorreram nas mãos de profissionais que não eram médicos, correspondendo a mais da metade do total de complicações, e a 1,16% do total de procedimentos.
As complicações identificadas pelo estudo foram nódulos e edemas na região da aplicação (63% e 62%, respectivamente) e infecções tardias (25%). Também foram relatados casos de oclusão arterial e formação de úlceras. A área abaixo dos olhos, que tem um tecido mais delicado, registrou 70% dos edemas.
“Neste caso, por exemplo, um profissional que não seja habilitado pode errar o plano anatômico e a quantidade de substância a ser aplicada, usando um volume maior do que o apropriado e aumentando a chance de complicações. Daí a importância de atuar com volumes menores, em aplicações graduais, para diminuir a chance dessas reações”, pontua Luís Maatz.
Sendo assim, é de suma importância tomar conhecimento de alguns fatos antes de se deixar levar pela ansiedade de mudar a aparência:
Mesmo com indicação, busque o máximo de informações sobre o médico: Os profissionais habilitados para procedimentos estéticos são os cirurgiões plásticos e dermatologistas, que devem comprovar o título de especialista nas sociedades regulamentadas pela AMB (Associação Médica Brasileira) e o Registro de Qualificação de Especialidade (RQE).
“Para cirurgias plásticas, somente o próprio cirurgião plástico. Certifique-se que ele é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e se possui o RQE de cirurgia geral e plástica. Verifique nos sites da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e na Sociedade Brasileira de Dermatologia)”.
Luís Maatz também aconselha a fazer uma busca no Google, onde é possível encontrar processos e reclamações contra o médico, além de possíveis notícias negativas sobre o profissional.
Desconfie de valores atrativos demais: Quem cobra preços muito baixos pode estar colocando o lucro acima da saúde do paciente. “Costumam oferecer procedimentos não essenciais, pressionar os pacientes antes de tomarem uma decisão consciente, ou negligenciar os cuidados necessários antes, durante e após o procedimento”.
Mais uma vez, segundo Maatz, vale consultar a SBCP, que estabelece parâmetros mínimos para cada categoria de procedimento, visando assegurar a excelência dos tratamentos e a adequada remuneração dos especialistas.
Verifique onde o procedimento será realizado: Confira se a intervenção será feita em uma clínica com toda a estrutura necessária e com uma equipe devidamente qualificada. “No caso de uma cirurgia plástica ou uma técnica mais invasiva, opte por realizar em um hospital. Por mais sofisticada que seja, nenhuma clínica substitui a infraestrutura e a segurança de um hospital, caso ocorra uma emergência”.
Em caso de cirurgia, saiba se o médico solicita os exames pré-operatórios essenciais: Segundo Luís Maatz, estes exames poderão determinar a possibilidade da sua intervenção. “Isso porque caso algum exame apresente anormalidades, não será possível realizar o procedimento até que o paciente cuide do devido problema”. Além disso, o profissional deve avaliar histórico médico e familiar (incluindo doenças crônicas/pré-existentes), cirurgias anteriores, alergias, bem como os hábitos de vida do paciente.
Os exames necessários, segundo Maatz, geralmente incluem hemograma, glicemia em jejum (verifica os níveis normais de glicose e previne complicações durante o procedimento cirúrgico), coagulograma (avalia a coagulação sanguínea e evita sangramentos durante a cirurgia).
Também deve ser feita dosagem de ureia e creatinina (checa a saúde renal do paciente), exame de urina (como o EAS, que avalia pH, densidade e outras substâncias), e eletrocardiograma (analisa a atividade elétrica do coração para determinar se está funcionando adequadamente).
“Já os exames de imagem são essenciais para que o médico possa avaliar as áreas que serão operadas”, completa o cirurgião.
Questione sobre as orientações do pós-procedimento: No retorno com o especialista, ele deve passar todas as orientações necessárias para garantir o seguimento adequado da recuperação e os resultados desejados.
“Não hesite em tirar todas as suas dúvidas. Você pode, e deve perguntar o que quiser, sendo dever do médico não faltar com a verdade e transmitir a segurança que você tanto precisa para fazer sua mudança estética”, finaliza Luís Maatz.
Texto: Flávia Vargas Ghiurghi.


Imagem de Oleg Mityukhin por Pixabay


Imagem de Bruno /Germany por Pixabay 
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Image by Free stock photos from www.rupixen.com from Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de Fran Barreto do Pixabay
Imagem Ilustrativa de Sebastian Ganso por Pixabay
Imagem de
Imagem de MasterTux do Pixabay
Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de Mohamed Hassan do Pixabay
Imagem de Patou Ricard por Pixabay
Imagem de Евгения de Pixabay
Foto: Cláudio Lima/ Ascom Câmara SAJ
Foto: Fábio Pozzebom/ Agência Brasil
Imagem ilustrativa de Ronald Plett por Pixabay
Imagem de:
Foto: Jhonatan Sena
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
Imagem de Rudy and Peter Skitterians por Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo.
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Alberto Coutinho/ GOV-BA
Imagem de Luk Luk do Pixabay
Arquivo Pessoal
Image by Steve Buissinne from Pixabay
Foto Tatiana Azeviche Ascom SeturBA
Imagem de Roman Grac por Pixabay
Arquivo Pessoal
Video
Imagem Ilustrativa | Arquivo: Tribuna do Recôncavo
Image by LEANDRO AGUILAR from Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Maria das Neves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Cláudio Lima/ Ascom Câmara SAJ
Foto: André Fofano
Imagem ilustrativa de Wokandapix por Pixabay
Imagem ilustrativa de jessicauchoas por Pixabay
Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia
Imagem ilustrativa de Free-Photos por Pixabay
Na foto, Bianca Reis | Crédito: Luciana Bahia
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Reprodução: Youtube @paroquiasajesus
Imagem de Radoan Tanvir do Pixabay
Foto: Suâmi Dias
Imagem por Pexels da Pixabay
Imagem ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de StockSnap por Pixabay
Foto: André Frutuôso
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Foto: Amanda Ercília GOVBA
Foto: Cleomário Alves/SJDHBA
Imagem Ilustrativa | Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Foto: Mateus Pereira GOVBA
Ilustrativa | Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Imagem de
Foto: Reprodução / Achei Sudoeste / Redes Sociais
Imagem de succo por Pixabay
Foto: Adriana Ituassu/Ascom SPM
Foto: Eduardo Andrade AscomSDE
Foto: Vagner Ramos/ SEI
Imagem de Firmbee por Pixabay
Video
Imagem de Luis Wilker WilkerNet por Pixabay
Image by PublicDomainPictures from Pixabay
Imagem Ilustrativa de Emilian Danaila por Pixabay
Imagem de Pexels por Pixabay
Imagem de StockSnap por Pixabay
Foto: Luciano Almeida
Imagem do meu m por Pixabay
Image by 3D Animation Production Company from Pixabay
Foto: Douglas Amaral
Foto: Uanderson Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Tiago Queiroz Ascom SeturBA
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
Video
Imagem de juanjo tugores por Pixabay
Reprodução/Video
Imagem Ilustrativa de Robert Cheaib por Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Douglas Amaral
Image by Wokandapix from Pixabay
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
Foto: Tony Winston/ Agência Brasília
Foto: Jack Peixoto
Imagem por Karolina Grabowska de Pixabay
Foto: Giulia Guimarães/AscomSDE
Imagem Ilustrativa de StockSnap de Pixabay
Foto: Ailton Gonçalves
Foto: André Frutuôso - Ascom/CAR
Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo
FOTO - ÍTALO OLIVEIRA-SDR