Para garantir a escala, a regularidade de fornecimento de alimentos e o acesso a políticas públicas, agricultores e agricultoras familiares da Bahia apostam na organização de estruturas coletivas, a exemplo de cooperativas e associações. Hoje, são mais de três mil empreendimentos espalhados por todas as regiões do estado, de acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

Para o vice-presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Icaro Renê, é através da união que o homem do campo pode lutar nesse mundo capitalista, mostrando que com o cooperativismo o agricultor familiar deixa de receber nomes como: ‘coitadinho’, e passa a ser um empreendedor, gerando renda, valorizando a sua produção e colocando os seus produtos em diversas gôndolas de lojas e supermercados do Brasil e do mundo.

No município de Presidente Tancredo Neves, por exemplo, a Cooperativa de Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan) possui 345 associados e beneficia, diretamente, 1.380 pessoas. A Coopatan trabalha com o beneficiamento, principalmente, da mandioca e da banana, e possui uma unidade agroindustrial, com capacidade de processamento de 247 toneladas, por mês, de mandioca, 159 de banana e 5.240 unidades de abacaxi. Para o processo de beneficiamento a cooperativa emprega, diretamente, 22 pessoas e gera dezenas de empregos indiretos, já que movimenta a economia de toda a região.

Presidente Tancredo Neves: Coopatan é exemplo em estruturas coletivas para gerar emprego e renda no meio rural - presidente-tancredo-neves, noticias, destaque

Fotos: Carol Garcia e André Frutuôso

Sob a gestão da cooperativa, a unidade agroindustrial vem atuando como agente de transformação financeira, social, econômica e solidária na região, além de garantir a oferta de produtos de qualidade, como goma de mandioca, chips de banana em quatro sabores, flocos de milho, farinha de mandioca, geleia de mel de cacau, mel, curau de milho verde e palmito.

O presidente da Coopatan, Juscelino Macedo, explica que a Coopatan surgiu com a crise da mandioca, em 1997, com a união dos agricultores. “Começou na garagem de um cooperado. Foram 10 anos se estruturando, crescendo e diversificando a produção. E vimos que o maior legado era o produtor. Foi quando começamos a trabalhar com a fruticultura e toda a demanda dos cooperados e aí começou a aumentar a renda da cooperativa e de seus associados”.

Referência de cooperativismo

Hoje, a cooperativa se tornou referência para o desenvolvimento da região. “Somos referência de empresa que mostra que a agricultura familiar produz produto de qualidade, saboroso, com rastreabilidade. Os nossos produtos estão em grandes redes, tanto do estado da Bahia, quanto de outros estados, fazendo marcas próprias, diversas marcas de cliente e concorrendo com multinacionais”, acrescenta Juscelino.

Entre os serviços prestados está o de assistência técnica, onde os agricultores além de contar com suporte na produção do campo, contam com uma estratégia inovadora que é o acesso à terra em condomínios agrícolas, que traz garantia de venda para o agricultor e fidelização da base produtiva à cooperativa.

A Coopatan recebe o apoio do Estado da Bahia, por meio do projeto Bahia Produtiva, que investiu R$ 3,6 milhões na requalificação da unidade de beneficiamento de mandioca, banana e milho, levando melhorias e equipamentos para a agroindústria, situada na localidade de Moenda.

ASCOM: SDR/CAR