Com a chegada de dezembro, as casas começam a ganhar ares festivos – e esse ano não seria diferente! Mas em um período tão particular, em que a pandemia pede por cuidados e distanciamento, é preciso repensar as tradicionais confraternizações de fim de ano. “Devemos usar a criatividade para demonstrar afeto.
Seja entregando uma bela cesta ou bolo na casa de um amigo, por exemplo, seja se preocupando com os cuidados essenciais na hora de receber alguém”, opina o designer de interiores Rogério Castro, do Studio Davini Castro. Para aqueles que vão receber amigos e familiares em casa, ele e as arquitetas Cristiane Schiavoni, à frente do escritório que leva seu nome, Carina Korman, do Korman Arquitetos e Pati Cillo, do Pati Cillo Arquitetura, trouxeram dicas importantes.
Lista bem pensada
Segundo os profissionais, os cuidados começam desde a hora do convite – vivemos um momento de reclusão e, por isso, o número de convidados deve ser reduzido, respeitando o tamanho do ambiente em que a festa será realizada.
“É possível pensar em uma lista de convidados cuidadosa, ou até dividir a comemoração em mais dias. Assim, ao invés de convidar um grande grupo, é possível se encontrar com menos pessoas por vez e respeitar o distanciamento. Caso algum convidado apresente sintomas, ele não deverá ir à festa”, opina Cristiane Schiavoni.
Organizando a casa
Para receber com segurança, repensar a disposição dos mobiliários é essencial:
“Devemos deixar os móveis bem afastados, permitindo que o distanciamento entre cada pessoa seja de cerca de 1,5 m. Manter os ambientes bem arejados e priorizar espaços ao ar livre é o ideal. Uma dica é distribuir os assentos por vários ambientes da casa, separando os convidados em grupos menores. Para arejar, prefira abrir as janelas e evite o ar-condicionado”, diz Carina Korman.
Alguns cuidados extras também são importantes:
“Devemos ofertar álcool em gel por toda a casa, mas principalmente no hall de entrada, e máscaras extras para os convidadosa. No lavabo, optar por papel toalha, descartável, também é a melhor opção”, diz Cristiane Schiavoni.
Para mais segurança, todos devem estar sempre de máscara e o ideal é pedir para os convidados tirarem os sapatos ao entrar.
“Uma forma delicada de fazê-lo é preparar, como presente, uma sandália para cada convidado. Deixe-as embaladas individualmente e já com o nome. Podem ser douradas para a noite de Natal e brancas para o Réveillon, por exemplo”, indica Rogério Castro.
Mesa decorada de Cristiane Schiavoni. Para esse ano, menos é mais: uma decoração comedida evita que os convidados queiram tocá-la.
Se por um lado o distanciamento pede por cuidados com o mobiliário, por outro ele permite pensar em uma decoração mais abrangente, que se estenda para diversos ambientes da casa.
“Decore sala de jantar, living, varanda, copa e outros ambientes, já que nossa sugestão é ‘esparramar a festa’ para os diversos espaços, principalmente na hora da refeição”, diz Rogério Castro.
Ainda assim, menos é mais:
“Uma decoração comedida evita que as pessoas queiram tocá-la, diminuindo a chance de contágio”, indica Pati Cillo.
Atenção com a comida
Para uma ceia tranquila, preparar tudo com antecedência é primordial – isso porque o vírus tem duração variada, dependendo do material. Ele pode resistir até 4h em uma superfície de cobre, por exemplo, e um dia em uma de papelão. O planejamento também é importante para a hora de servir.
“Devemos evitar tudo o que for compartilhado, portanto o melhor é não oferecer petiscos que sejam pegos com a mão por todos os convidados”, explica Carina Korman.
Pati Cillo complementa:
“Se ainda assim a opção de petiscos for a escolhida, separe um potinho diferente para cada convidado”.
Agora, para servir a ceia, os profissionais apontam duas opçõe:
“A comida não deve ficar no centro da mesa, uma vez que no momento da refeição os convidados estarão sem máscara e, portanto, gotículas de saliva irão se espalhar. Por isso, uma ideia é deixá-las separadas em um buffet ou aparador”, diz Cristiane Schiavoni.
“Nesse caso, o certo é ter alguém servindo os convidados para evitar que todos peguem o mesmo utensílio. Caso não seja possível, disponha luvas de plástico na hora de se servir”, indica Carina Korman.
Pati Cillo ainda traz uma segunda opção.
“As refeições podem ser servidas de forma porcionada, apresentadas em embalagens individuais para cada convidado, devidamente embaladas e higienizadas”, explica.
Os profissionais lembram que o vírus sobrevive por menos tempo em superfícies de cerâmica não vitrificada, mas, com os cuidados corretos de higienização, toda louça pode ser utilizada.
“Se não for optar pela opção descartável, higienize tudo com água e sabão, sempre utilizando luvas”, diz Cristiane Schiavoni.
Como um cuidado extra, Rogério Castro aponta que, por mais que seja uma confraternização, as festas de final de ano deverão ter bebidas alcoólicas moderadas.
“Beber demais significa aumentar o risco de se expor a comportamentos de risco. Em certo ponto da festa, alguns podem acabar retirando a máscara e descuidando com as demais orientações de segurança”, explica.
Disposição na mesa
Por fim, pensar em uma boa distribuição dos convidados pela mesa – e pela casa – é essencial para garantir segurança e o distanciamento correto.
“Para mesas grandes, o correto é demarcar o lugar de cada convidado e deixar, sempre, um assento vazio entre cada pessoa. Para facilitar as interações, pense em uma montagem de mesa com arranjos baixos, que permitam que todos se vejam com facilidade”, diz Pati Cillo.
Mesa decorada de Cristiane Schiavoni. Uma dica é optar por arranjos baixos, que não comprometam a visão dos convidados.
Agora, para quem dispõem de pouco espaço, uma ideia é distribuir assentos e mesas menores pelo ambiente.
“Deixe a mesa principal para os idosos, e os demais convidados se distribuem pelos assentos extras”, diz Rogério Castro.
Carina Korman complementa:
É possível dividir as mesas extras por grupo, unindo as pessoas que moram na mesma casa, trabalham junto, etc”.
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