Estudos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2020 afirmaram que existem cerca de 221.869 pessoas em situação de rua no Brasil — crescimento de 140% desde 2012. É um dado preocupante que demonstra um número cada vez mais crescente.

Toda vez que uma crise surge, esse número é atualizado de forma alarmante. Trata-se de uma população esquecida e maltratada em nossa sociedade. Até mesmo nos termos e no aspecto pejorativo dessas terminologias. Nesse sentido, é importante entender a condição dessas pessoas e ter empatia com elas.

Neste artigo, vamos falar sobre a diferença entre “morador de rua” e “pessoa de situação de rua”. E trataremos de outros pontos importantes sobre essa triste realidade em nosso mundo.

Qual a diferença entre morador de rua e pessoa em situação de rua?

Tidos como sinônimos em muitos ambientes, os termos apresentam algumas diferenças. Quando falamos “morador de rua”, estamos nos referindo a pessoas que vieram habitar nas ruas por diversos motivos. O termo traz um certo peso maior, como se fosse a residência permanente desses seres humanos. Já a expressão “pessoa em situação de rua” especifica melhor quem dorme em praças, viadutos, pontes e em prédios abandonados. É uma forma mais temporária, sendo que algumas pessoas apenas dormem lá e vão para outros locais durante o dia.

Quais as condições de vida dos grupos

Geralmente, temos as condições mais precárias possíveis. Pessoas nessas populações ficam expostas à violência, a doenças, ao convívio com animais, à falta de higiene e à falta de alimentação e de outros direitos básicos. Apesar disso, elas têm direitos humanos como todos nós, assegurados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

São pessoas que não desfrutam de uma vida com o mínimo de conforto devido a sua condição. Muitas vezes por estarem desempregadas e terem perdido o vínculo familiar. Como vivem os moradores de rua e as pessoas em situação de rua. Mesmo com a situação difícil, algumas pessoas conseguem encontrar condições de sobrevivência. E a pandemia agrava esse cenário.

Porém, existe uma parcela que mantém sua higiene e é capaz de se envolver em outras atividades. Por isso, é importante entender que esse grupo não é homogêneo: várias situações complexas levam os moradores a esse cenário. É fundamental considerar a dinâmica e as nuances. Além disso, essas pessoas devem ser consideradas como parte da população principal. Em necessidade de vacinação em massa, por exemplo, deve-se cuidar desses seres humanos também. A vacinação em crianças deve levar em conta as que estão nessa situação. Por sua vez, a vacinação em gestantes também.

Morador de rua é termo pejorativo?

Quando abordamos a diferença entre os termos, uma dúvida comum é se o termo “morador de rua” é pejorativo. Mesmo sendo tratado por canais e por algumas pessoas como uma expressão normal, sem qualquer peso semântico, ela traz uma conotação negativa. Primeiro, há uma conotação de que a condição é permanente, como se não houvesse caminho de volta para as pessoas que estão na rua.

Há também um subtexto que indica que elas estão lá por sua própria culpa somente, como se fossem incapazes de ter um bom emprego e manter vínculo com a família. Ou seja, o termo está associado com a falta de sucesso individual e desconsidera outros processos que subjugam as pessoas a essa situação. Por outro lado, falar que uma pessoa está em “situação de rua” indica que ela pode encontrar outra opção posteriormente. Passa uma ideia de ser uma moradia temporária e de que aquilo pode ser revertido. A expressão é mais amigável no sentido de diminuir essa estigmatização do fracasso e da própria culpa.

Principais motivos que levam pessoas a morar na rua

Cada caso é específico nas populações em situação de rua. Contudo, as pesquisas captam algumas tendências. O desemprego é uma das principais causas. As pessoas — em crises da economia, por exemplo — não conseguem arcar com suas contas nem pagar um lugar para morar. A falta de relação com a família, como já pontuamos, é outra causa determinante. Muitos não têm para onde ir, mesmo com parentes vivos e com casas que podem abrigar essas pessoas. Em muitos cenários, pessoas são expulsas ou fogem por violência doméstica. Também há casos em que as pessoas simplesmente não têm ninguém da família vivo para dar uma assistência. Outros motivos são uso intenso de drogas e alcoolismo. Da mesma forma, as crises econômicas e a falta de assistência governamental cooperam com esses números e com esse cenário doloroso.

Conclusão

Como foi analisado, as pessoas em situação de rua são uma população marginalizada em nossa sociedade, mesmo que também tenham direitos. É preciso atentar para essa questão e buscar sempre desenvolver empatia para também lutar pela dignidade desses seres humanos.

Matéria: Paula Moraes/ Redatora Freelancer