Por Dr. Clay Brites – pediatra e neurologista infantil
Infelizmente ainda é um hábito comum adultos fumarem perto de seus filhos. Um novo estudo, publicado na revista científica European Respiratory Journal, mostrou que ser fumante passivo traz riscos não só para a criança, mas também para as futuras gerações.
Pesquisadores de instituições da Austrália, Sri Lanka, Reino Unido e Noruega descobriram que a exposição ao cigarro durante a infância e adolescência pode afetar a próxima geração, aumentando as chances de desenvolverem asma. De acordo com o trabalho, crianças cujo pai foi exposto recorrentemente à fumaça do cigarro durante a infância têm um risco 59% maior de desenvolver quadros de asma não alérgica.
A asma é uma doença inflamatória crônica do pulmão, mais especificamente dos brônquios e bronquíolos, e de difícil tratamento. Depende para uma boa evolução da criança, um engajamento grande dos pais no tratamento medicamentoso, mas também no tratamento preventivo e nos cuidados que essa criança precisa ter a todo momento na vida.
Isso por si só já é um grande desafio. Imagine ser exposto a fumaça do cigarro como tabagista passivo e acabar não só piorando sua condição respiratória quanto do filho, mas acabar tendo um risco aumentado de vir a ter depois na geração dos netos um aumento de risco para asma.
É preciso compreender algo essencial no desenvolvimento e nos aspectos biológicos do ser humano: a ideia de epigenética. Epigenética significa desenvolver determinadas doenças a partir da associação entre predisposição geneticamente determinada e exposição a um agente tóxico do ambiente que se acopla àquela predisposição genética. Essa pesquisa demonstra uma forte evidência de como a epigenética nos expõe a desenvolver doenças advindas de gerações anteriores.
Crianças que muitas vezes não teriam uma determinada doença passam a desenvolvê-la por meio de herança epigenética gerada por uma exposição a um agente tóxico em geração anterior ao aparecimento dessa nova geração.
O principal cuidado é evitar o tabagismo. Logo, é a melhor forma de prevenir essa evidência de risco. Há outras formas de evitar, como a não exposição da criança à fumaça. Os pais que gostam de fumar e tem predileção para esse hábito, devem fazê-lo fora do seu ambiente doméstico. O mais importante é evitar levar essa fumaça para dentro de casa. E, se possível, para o próprio bem e da família parar de fumar. Não é apenas um ato médico ou de prevenção de problemas. É um ato de amor.
Sobre o autor
Dr Clay Brites é Pediatra e Neurologista Infantil (Pediatrician and Child Neurologist); Doutor em Ciências Médicas/UNICAMP (PhD on Medical Science); Membro da ABENEPI-PR e SBP (Titular Member of Pediatric Brazilian Society); Speaker of Neurosaber Institute.
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