Silencioso e grave, o diabetes atinge cerca de 62 milhões de pessoas nas Américas, segundo o “Panorama do Diabetes da OPAS nas Américas”. No Brasil, são mais de 16 milhões de pacientes que enfrentam a batalha contra a doença, que exige cuidados que vão muito além de uma alimentação equilibrada, atividades físicas e acompanhamento medicamentoso.

Para controlar melhor a doença, que afeta mais de 5% da população e foi responsável pelas amputações de mais de 9 milhões de pacientes entre 2021 e 2022, segundo levantamento da Pesquisa Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde (MS), e contribuir para um tratamento mais assertivo, soluções eficazes já estão disponíveis no mercado. Uma delas, a hemoglobina glicada é considerada a mais rápida e precisa pelos especialistas. O exame estima os níveis de açúcar no sangue nos últimos três meses.

“Com a hemoglobina glicada, temos um laudo que estima com precisão o nível glicêmico com detalhes dos últimos três meses. O exame entrega resultados com menor influência da variabilidade no dia a dia, o que nos permite ter um parâmetro mais qualificado para avaliar os riscos de exposição, de forma individualizada, e proporcionar aos médicos e pacientes uma melhor jornada de atenção e cuidado” explica o médico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Alvaro Pulchinelli Jr.

Para que os milhões de pacientes que dependem do sistema público de saúde tenham acesso à precisão diagnóstica assegurada pela ferramenta, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abriu consulta pública para ouvir membros da sociedade civil, entidades e organizações sociais, representantes de iniciativas público e privadas, e coletar dados a serem agregados ao Relatório Técnico e/ou na reunião deliberativa do órgão. No ar até o próximo dia 26, a consulta vai avaliar a solução e os impactos desta tecnologia para decidir sobre a incorporação do point-of-care testing de hemoglobina glicada para pacientes diabéticos no serviço público.

“Hoje, mais de 220 milhões de pessoas em todo o Brasil buscam atendimento no sistema público de saúde de norte a sul do país, e é essencial garantir o acesso à uma ferramenta inovadora como esta para os mais de 17 milhões de pacientes que convivem com o diabetes. Por isso, a é importante engajar a população, as sociedades organizadas, tomadores de decisão das frentes público e privada para que participem e ajudem a traçar um panorama sobre a pertinência da solução e também pensar em outras possibilidades para aprimorar os atuais modelos de assistência aos pacientes”, destacou o vice-presidente.

A consulta é feita com análise baseada em evidências científicas, publicadas na literatura, sobre eficácia, acurácia, efetividade e segurança da tecnologia, e também realiza uma avaliação econômica comparativa das vantagens e dos custos em relação às tecnologias já incorporadas no sistema.

“Precisamos provocar o consciente coletivo sobre a tecnologia e seus benefícios em toda a cadeia. Vamos reduzir os impactos e a pressão no sistema de saúde, além de enxugar custos com exames e consultas, já que toda a assistência pode ser prestada em uma única visita, sem a necessidade de retornos dos pacientes e superlotação de unidades de saúde. É ganho de ponta a ponta”, observou.

O médico chama atenção para outro detalhe. “O exame na modalidade point of care, considerada uma extensão dos laboratórios e importante aliado de médicos e profissionais da saúde, além de conferir mais praticidade à população. É uma tecnologia de testagem realizada próximo ao local de cuidado ao paciente, e pode ser adotada inclusive fora da área técnica de um laboratório”.

Pulchinelli reitera também que sob controle, o paciente apresenta menor risco de complicações, por isso, a importância da rotina de exames que monitoram o índice glicêmico do paciente, como o da hemoglobina glicada. O exame, que tem alta eficiência para apontar os níveis de açúcar no sangue, é fundamental não apenas para o controle do diabetes já existente, mas também para diagnosticar o pré-diabetes e diabetes de pacientes que ainda não sabem que têm a doença.

“O exame também é importante para os profissionais de saúde que estão na linha de frente dos cuidados, porque, além da agilidade, é um grande fornecedor de dados, que nas mãos das equipes de assistência à saúde, devidamente capacitadas, serão grandes aliados da jornada de atenção”, concluiu.

A consulta pública de número 79, que avalia a incorporação dos testes diagnósticos, point-of-care, de hemoglobina glicada para o tratamento de pacientes com DM1 ou DM2 está disponível no portal ‘Participa + Brasil’. Para participar, basta preencher o formulário até o dia 26 de dezembro.

FSB Comunicação