Por Bianca Reis –  psicóloga.

A saúde mental não deve ser uma preocupação apenas na vida adulta e na terceira idade. As crianças também podem sofrer com distúrbios emocionais e nem sempre conseguem expressar o que está acontecendo. Por isso, é muito importante que os pais e pessoas próximas estejam atentas aos sinais de alerta e se empenhem na promoção da saúde mental infantil.

“É sabido que é dever da família e da comunidade assegurar proteção, saúde, lazer, acesso ao esporte, alimentação, educação cultura, dignidade, respeito e liberdade às crianças. Apesar disso, ainda há uma grande dificuldade relacionada a aceitação de que elas são indivíduos com complexas demandas de atenção e cuidado”, declara a psicóloga Bianca Reis.

É na infância que os indivíduos desenvolvem a sua estrutura mental. Situações adversas nessa fase da vida estimulam a produção de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, que atrapalha as conexões entre os neurônios. É claro que ninguém vai atravessar toda a infância sem passar por vivências negativas. Quando acontecem esporadicamente, essas situações nem sempre devem causar preocupação.

“A questão não é apenas o fato das crianças experienciarem situações negativas – afinal nunca conseguiremos proteger os outros e a nós mesmos de situações complicadas em todos os momentos – mas como a rede de apoio e principais cuidadores lidam com o que elas interpretaram sobre aquilo que passaram. É muito relevante entendermos que tanto a criança, como todos nós precisamos sentir que temos para onde voltar (Porto Seguro) e com quem contar (Apoio Socio-emocional)”, acrescenta a especialista.

Os dados sobre saúde mental infantil são preocupantes. A estimativa é que uma em cada quatro a cinco crianças e adolescentes no mundo apresente algum tipo de transtorno mental. Em relação ao Brasil, não há dados concretos, mas a estimativa é que a incidência desses transtornos varie entre 7 e 20% da população infantil.

As causas mais comuns para essas doenças são: bullying;excesso de tecnologia;abuso sexual;violência;falta de afeto;cobrança exagerada vinda da família;traumas.

“Infelizmente os primeiros abusos psicológicos acabam acontecendo tanto no seio familiar como no ambiente escolar, o que acaba por ser uma grande contradição, afinal de contas inaginariamos que ambas estariam na posição de praticar e reforçar os preceitos do ECA, porém não podemos perder de vista que tanto a escola como a família é composta de indivíduos e, assim sendo, caso não busquem aprimoramento e desenvolvimento acabarão reproduzindo as  violências que viveram de forma direta ou indireta, consciente ou inconsciente”, conclui a psicóloga Bianca Reis.

Sobre Bianca Reis

Psicóloga 03/11.152 do CRE-TEA, Psicoterapeuta, Palestrante e Facilitadora de Grupos. Bianca é Mestra em Família, Especialista em Psicoterapia Junguiana e Pós graduanda em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem e Estimulação Precoce. Atua há mais de 8 anos na área clínica, tratando de pacientes com demandas voltadas aos relacionamentos familiares e românticos, sexualidade, gênero, infância, ansiedade, depressão e outras importantes questões psicológicas e humanas.